{"id":26433,"date":"2021-12-01T06:15:00","date_gmt":"2021-12-01T06:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=26433"},"modified":"2021-12-02T14:57:56","modified_gmt":"2021-12-02T14:57:56","slug":"o-livro-do-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-livro-do-chico\/","title":{"rendered":"O livro do Chico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael me pergunta sobre o livro do Chico Buarque &#8211; <em>Anos de Chumbo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz que leu e releu (s\u00e3o oito hist\u00f3rias curtas, contos de relato \u00e1gil e fluente; quem gosta l\u00ea numa sentada) &#8211; e ainda n\u00e3o consegue fechar quest\u00e3o: se gostou ou n\u00e3o gostou?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dif\u00edcil assimilar, mas \u00e9 um \u00e1spero retrato do Brasil de hoje, n\u00e3o?&#8221; &#8211; ele me pergunta e conclui algo desalentado:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sei se gostei ou n\u00e3o. Professor,  me d\u00e1 umas coordenadas que quero ler de novo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo a rea\u00e7\u00e3o do Rafa.<\/p>\n\n\n\n<p>Chico Buarque escritor, digamos, \u00e9 mais exasperante na cria\u00e7\u00e3o dos personagens e das cenas do que o Chico compositor &#8211; embora em uma ou outra letra de m\u00fasica aquele apare\u00e7a fortemente. <\/p>\n\n\n\n<p><em>Geni<\/em> <em>e Zepelin<\/em> \u00e9 um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender a diferen\u00e7a, creio eu, \u00e9 o primeiro passo para nos acomodarmos no universo do autor e suas hist\u00f3rias impressas.<\/p>\n\n\n\n<p>O lirismo, a po\u00e9tica e a sinuosidade criativa de suas can\u00e7\u00f5es passam longe dessas narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Chico escritor tem um olhar mais despudorado, igualmente cortante, para a realidade. Ora lhe d\u00e1 ares fant\u00e1sticos que nos aproxima do realismo m\u00e1gico. Ora nos intriga e faz pensar (\u00f3bvio, se nos propusermos a tal desafio).<\/p>\n\n\n\n<p>Considero, portanto, natural, Rafa, que num primeiro momento a sensa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 a de espanto e nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lembran\u00e7a, quase coincid\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 30 anos, Chico lan\u00e7ou <em>Estorvo<\/em>, considerado seu primeiro romance. <\/p>\n\n\n\n<p>Desconfio, meu caro Rafa, que experimentei situa\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima a que voc\u00ea hoje diz experimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos defini-la como um estranhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorri, ent\u00e3o, a um bom e cordial amigo, jornalista, que escrevia sobre livros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele me fez algumas observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; entender Chico Buarque como um autor em plena sintonia com o seu tempo. Mais do que se imagina, ele vai al\u00e9m da cr\u00f4nica urbana, \u00e9 um agu\u00e7ado rep\u00f3rter, de olhos atentos \u00e0s miudezas da vida. Elas s\u00e3o determinantes. <\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; \u00e9 muito engenhoso nas descri\u00e7\u00f5es dos personagens. Mas, n\u00e3o faz concess\u00f5es nem a eles, menos ainda ao leitor.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; nada do que Chico escreve \u00e9 por acaso. Fundamenta-se em s\u00f3lida constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, n\u00e3o se permite o uso de qualquer filigrana.<\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; ele \u00e9 um cidad\u00e3o engajado, comprometido com o social &#8211; e isso se reflete em sua obra. Qualquer que seja a obra. Sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>5 &#8211; detalhe importante: ele \u00e9 mais um literato do que um musicista. No texto, \u00e9 onde se sente mais \u00e0 vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Achei algo gen\u00e9rica a dica do amigo jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, por\u00e9m, lendo os livros de Chico &#8211; <em>Benjamin, Leite Derramado, Budapeste, Meu Irm\u00e3o Alem\u00e3o, Essa Gente, entre outros &#8211;<\/em> , (re)ouvindo suas can\u00e7\u00f5es e assistindo a uma ou outra remontagem de suas pe\u00e7as teatrais, fui me inteirando, gradativamente, da diversidade do universo autoral<em> chicobuarqueano<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 entre minhas refer\u00eancias liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Adorei <em>Anos de Chumbo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, li e reli uma hist\u00f3ria por vez. Uma em cada dia. Para refletir, e me deliciar por mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ajudei?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Chico Buarque - &quot;Geni e o Zepelim&quot; (Ao Vivo) - Na Carreira\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jWHH4MlyXQQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Rafael me pergunta sobre o livro do Chico Buarque &#8211; <em>Anos de Chumbo<\/em>.<\/p>\n<p>Diz que leu e releu (s\u00e3o oito hist\u00f3rias curtas,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":26437,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2379,192,808,458],"class_list":["post-26433","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-anos-de-chumbo","tag-chico-buarque","tag-literatura","tag-livro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26433"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26441,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26433\/revisions\/26441"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}