{"id":26810,"date":"2022-02-14T16:47:35","date_gmt":"2022-02-14T16:47:35","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=26810"},"modified":"2022-02-14T20:09:19","modified_gmt":"2022-02-14T20:09:19","slug":"centenario-da-semana-de-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/centenario-da-semana-de-22\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio da Semana de 22"},"content":{"rendered":"\n<p>Montagem com o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral  e o cartaz da Semana de Arte Moderna. Pinterest\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;A Semana de 1922 representa, intelectualmente, uma nova maneira de enxergar o mundo, vindo desse modernismo internacional. Enxergar fora do classicismo, sob uma nova \u00f3tica, fora do tradicionalismo,&nbsp;rompendo costumes atrasados&nbsp;e conservadores da elite brasileira. Ser &#8216;moderno&#8217; e ver o mundo assim. Essa condi\u00e7\u00e3o do olhar diferente, se demonstra na est\u00e9tica das obras&#8221;. Simbolicamente, traz esse olhar, esse vento de mudan\u00e7a&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>* Professor Italo Gomes, em entrevista para <strong>O Di\u00e1rio do Nordeste<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>45 anos depois&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ano santo de1967. <\/p>\n\n\n\n<p>Os festivais de MPB. Alegria, Alegria, Domingo no Parque. Os Irm\u00e3os Campos, poetas concretistas, D\u00e9cio Pignatari &#8211; que seria meu professor na ECA\/USP &#8211; discutem as parecen\u00e7as entre o que prop\u00f4s a Semana de Arte Moderna e o movimento da Tropic\u00e1lia ora em voga. Ambos s\u00e3o pol\u00eamicos, prop\u00f5em a tal antropofagia na arte e na cultura. Os <em>Parangol\u00e9s<\/em> do artista pl\u00e1stico H\u00e9lio Oiticica retomam a discuss\u00e3o da quebra de padr\u00f5es na cria\u00e7\u00e3o, a ruptura com o velho, com o tradicional&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Muita informa\u00e7\u00e3o, bem vindas novidades para os meus 16, 17anos.<\/p>\n\n\n\n<p>De boa, amava essas pendegas, mas n\u00e3o conseguia juntar l\u00e9 com cr\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ok. <\/p>\n\n\n\n<p>Reconhe\u00e7o<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o Tropicalismo dos baianos Caetano, Gil, Tomz\u00e9 que me fez ouvir, pela primeira vez, as refer\u00eancias \u00e0 Semana de Arte Moderna de 1922 &#8211; evento realizado no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, entre os dias 13 e 17 de fevereiro daquele ano. <\/p>\n\n\n\n<p>Era um garoto de mentalidade mediana, um rebelde sem causa, f\u00e3 de m\u00fasica popular brasileira, dos Beatles e de Ottis Reading. Leitor mais ou menos ass\u00edduo, mas desprovido de maiores informa\u00e7\u00f5es sobre o contexto social que viv\u00edamos, as escolas liter\u00e1rias, a fun\u00e7\u00e3o social e transformadora da arte e da cultura e outras generalidades importantes e afins. <\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que, em 67, estava em curso o recrudescimento da nefasta ditadura militar, da censura aos jornais e \u00e0s artes em geral, e \u00e0s v\u00e9speras da implanta\u00e7\u00e3o do AI-5, grau m\u00e1ximo da repress\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em minha fr\u00e1gil defesa, diria que que costumava frequentar as bibliotecas municipais da Aclima\u00e7\u00e3o e do Ipiranga em busca dos exemplares de capa dura e verde nas estantes empoeiradas, com as obras de Machado de Assis, Jos\u00e9 de Alencar, Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, Alo\u00edzio de Oliveira, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, J\u00falio Dinis, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o que t\u00ednhamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para a leitura nossa de cada dia. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois ou tr\u00eas anos depois, a consci\u00eancia da coisa toda me chega no embalo das aulas do cursinho para o vestibular. Especialmente nas performances da professora de Literatura Brasileira, a Semana de Arte Moderna nos \u00e9 apresentada com ares de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem ao meu jeito, e com algum estranhamento, acrescento, a partir dalim ao meu rol de autores como Menoti del Pichia, M\u00e1rio de Andrade, Oswald de Andrade e outros que me introduzem no alumbramento das transforma\u00e7\u00f5es modernistas. <\/p>\n\n\n\n<p>(Destaque para a poesia de Bandeira e Drummond.)<\/p>\n\n\n\n<p>Descubro, ent\u00e3o, um amplo apelo \u00e0 brasilidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Diria melhor, se me permitem: \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o da brasilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coincid\u00eancia: o poeta Guilherme de Almeida havia sido paraninfo da minha turma no gin\u00e1sio do Col\u00e9gio Nossa Senhora da Gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, quando, todo gabola, comento o fato com os professores do Etapa, eles nada dizem.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7am um olhar desconfiado, enigm\u00e1tico, entre eles e depois para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Fico na d\u00favida:<\/p>\n\n\n\n<p>Acham que estou inventando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou que Almeida n\u00e3o foi l\u00e1 um modernista de primeira linha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Sei l\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez j\u00e1 estivessem intuindo a tal revis\u00e3o da import\u00e2ncia hist\u00f3rica do movimento que hoje insistem em fazer. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fico surpreso?<\/p>\n\n\n\n<p>Nem tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho l\u00e1 certa desconfian\u00e7a do tal &#8216;rigor hist\u00f3rico&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, n\u00e3o d\u00e1 para negar que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; l\u00e1 se v\u00e3o 100 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E a pol\u00eamica persiste.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei bem o que se tenta provar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que, de um jeito bem pessoal, desde ent\u00e3o, me senti mais pr\u00f3ximo das letras, das artes e da vida. A partir da obra desses intelectuais, pintores, escultores, m\u00fasicos e escritores. Nomes como os de Anita Malfatti, Gra\u00e7a Aranha, Heitor Villa-Lobos, Di Cavalcanti, al\u00e9m dos j\u00e1 citados, que se reuniram naquelas noites para mostrar suas obras e releituras.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Que, aben\u00e7oadamente, ainda provocam discuss\u00f5es &#8211; e nos fazem pensar o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que nossa Anita agora seja outra&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Osesp apresenta:  &quot;O Trenzinho do Caipira&quot;, de Heitor Villa-Lobos\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KTKVgaY56NI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montagem com o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral  e o cartaz da Semana de Arte Moderna. 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