{"id":28546,"date":"2023-02-18T06:15:00","date_gmt":"2023-02-18T06:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=28546"},"modified":"2026-02-12T22:40:58","modified_gmt":"2026-02-12T22:40:58","slug":"meu-melhor-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/meu-melhor-carnaval\/","title":{"rendered":"Meu melhor carnaval"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Rei Momo recebe a chave da cidade\/Alexandre Macieira_RioTur<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>No embalo de nossa conversa de ontem, a Sra. Pl\u00e1cida M, &#8216;ass\u00eddua leitora do Blog&#8217;, me prop\u00f5e um instigante questionamento:<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunta-me sobre as melhores lembran\u00e7as dos tantos quantos carnavais que  vivi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveito a momesca manh\u00e3 de s\u00e1bado para serena e placidamente lhe responder, am\u00e1vel leitora, que talvez eu a decepcione.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca fui l\u00e1 um grande foli\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a inf\u00e2ncia, registre-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Vez ou outra em meus retiros espirituais, acredite, intuo que o dom do festejar passa longe das cotas de minhas compet\u00eancias e habilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, Sra. Pl\u00e1cida, tentarei lhe responder da melhor maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando crian\u00e7a, at\u00e9 cinco ou seis anos, guardo o registro em fotos antigas do ent\u00e3o meninote Tchinim paramentado de cowboy, pirata e toureiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Exig\u00eancia familiar, creio<\/p>\n\n\n\n<p>Minha express\u00e3o facial, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 de grande felicidade. Semblante s\u00e9rio, zero sorriso, jeit\u00e3o de quem preferia n\u00e3o estar ali.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00danica sensa\u00e7\u00e3o boa que tenho desses idos \u00e9 o colorido dos confetes e serpentinas em m\u00e3os de outras crian\u00e7as e a incr\u00edvel e despudorada fragr\u00e2ncia do lan\u00e7a-perfume pelo ar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Na adolesc\u00eancia, quando ningu\u00e9m mais me chamava de Tchinim, a moda eram os bailes de carnavais em clubes. <\/p>\n\n\n\n<p>Ir eu ia. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meu apelido era&#8230;&#8217;P\u00e9 na Parede&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal denomina\u00e7\u00e3o carece de explica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1 l\u00e1! Explico: meus rocambolescos amigos assim descreviam minha desenvoltura durante o desenrolar animado da\u00a0chamada sele\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n\n\n\n<p>A turma s\u00f3 pedia, em tom deboche, que avisasse a qualquer um deles em que canto eu iria me aboletar, feito estaca, para que a gente n\u00e3o se perdesse de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vou lhes dizer que, dada \u00e0 minha inadapta\u00e7\u00e3o para a dan\u00e7a, eu gostava de ficar pr\u00f3ximo ao palco vendo o desempenho dos m\u00fasicos, dos cantantes e, principalmente, das bailarinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m gostava de apreciar os foli\u00f5es e as foli\u00e3s, com passinhos cadenciados, a girar pelo sal\u00e3o num ir e vir infindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas horas, confesso, sempre me perguntava sobre os mist\u00e9rios que envolvem a felicidade coletiva que todos ali aparentavam vivenciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que estaria na ponta dos dois dedos indicadores que esses seres sacolejantes traziam erguidos para o alto?<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o gesto funcionasse como antena a captar a tal energia magn\u00e9tica e espont\u00e2nea em ondas de incontrol\u00e1vel alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje tenho l\u00e1 minhas suspeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes um segredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que tentar eu tentei. Assim meio que disfar\u00e7adamente, preparei o gesto duas ou tr\u00eas vezes para ver se dava a tal liga, a eletrizante conex\u00e3o. Ensaiei em casa, preparei uns passinhos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, at\u00e9 o Homem de Lata teria mais ginga do eu.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 rapazote diria que minhas performances carnavalescas n\u00e3o deixaram-me qualquer saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, com alguns amigos, fomos num potente Fusca-Bala ao baile pr\u00e9-carnavalesco da Ilha Porchart.<\/p>\n\n\n\n<p>Era badalad\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Passava na TV e tal.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 tinha bacana por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres lindas. Esvoa\u00e7antes, dan\u00e7antes, e cousa e lousa e maripo(u)sa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de algu\u00e9m iria liberar a entrada para os malajambrados.<\/p>\n\n\n\n<p>(Olhem a promessa&#8230; Sem no\u00e7\u00e3o mesmo.)<\/p>\n\n\n\n<p>Encarnei um estiloso Beto Rockfeller, o famoso bic\u00e3o da novela da moda, magistralmente interpretado pelo inesquec\u00edvel Luiz Gustavo, e l\u00e1 fomos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai dar certo!!!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deu,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O possante turbinado em que estava o filho do pai generoso &#8211; aquele que ia dar o salvo-conduto aos desvalidos &#8211; disparou pela Anchieta e babau noite de gala.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegar l\u00e1 at\u00e9 que chegamos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o passamos dos port\u00f5es de entrada, por\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Circulando quem n\u00e3o tem convite.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda vimos, numa improvisada fila do gargarejo, a chegada triunfal das celebridades de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobrou pra gente conformar-se com um futebolzinho maneiro num naco de praia iluminado que encontramos em S\u00e3o Vicente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dali, vimos o dia amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Demos um mergulho &#8211; e voltamos para S\u00e3o Paulo contando mil lorotas aos sensatos que n\u00e3o quiseram ir.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o melhor que poder\u00edamos fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>(Desconfio que ningu\u00e9m acreditou.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo da \u00d3pera, minha cara Sra. Pl\u00e1cida:<\/p>\n\n\n\n<p>Meu melhor carnaval foi mesmo na avenida\/samb\u00f3dromo como rep\u00f3rter.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos ali, eu sabia o que estava fazendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou n\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7os fraternos.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom Carnaval, queridos leitores!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Noite dos Mascarados (Chico Buarque) - Luan Carbonari e Fabiana Godoy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zW9OTRWitw8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Rei Momo recebe a chave da cidade\/Alexandre Macieira_RioTur<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>No embalo de nossa conversa de ontem, a Sra. 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