{"id":29090,"date":"2023-05-13T06:15:00","date_gmt":"2023-05-13T06:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=29090"},"modified":"2023-05-10T14:23:28","modified_gmt":"2023-05-10T14:23:28","slug":"40-anos-sem-mane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/40-anos-sem-mane\/","title":{"rendered":"40 anos sem Man\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Portal Trivela<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ora o futebol \u00e9 a mais feia, a mais cruel, a mais tenebrosa das paix\u00f5es. E, de repente, Man\u00e9 apareceu. Todo o povo exultou porque o seu jogo tinha milhares de guizos radiantes. Diante dele, o torcedor esquecia a sua ira vespa e pornogr\u00e1fica. S\u00f3 com o Man\u00e9 a multid\u00e3o aprendeu a rir, s\u00f3 com o Man\u00e9 a multid\u00e3o deixou de ser neur\u00f3tica obscena.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De mais a mais, n\u00e3o foi s\u00f3 a volta triunfante. Era a ressurei\u00e7\u00e3o. O L\u00e1zaro jucundo acordava da morte. E sentimos, todos, que era o mesmo. Sua decad\u00eancia seria a nossa, e sua impot\u00eancia, idem. Sem ele, a Na\u00e7\u00e3o se derramava com c\u00e2ntaro entornado. Mas o Man\u00e9 ressurgia em estado de gra\u00e7a plena. No momento em que ele e Pel\u00e9 fizeram, num canto do Maracan\u00e3, um ol\u00e9 solit\u00e1rio, solit\u00e1rio e perfeito, como o canto de cisne, at\u00e9 a infla\u00e7\u00e3o bateu palmas. E todo este povo sentiu-se onipresente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>* Trecho da cr\u00f4nica <strong>Os Guizos Radiantes de Garrincha<\/strong>, de autoria de N\u00e9lson Rodrigues (1912\/1980), inclu\u00edda no livro A P\u00e1tria em Chuteiras &#8211; Novas Cr\u00f4nicas de Futebol, publicado pela Companhia das Letras em 1994. Sele\u00e7\u00e3o de textos e notas de Ruy Castro.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto narra a reestreia de Garrincha na sele\u00e7\u00e3o brasileira em junho de 1965. O craque estava afastado do escrete desde o final da Copa do Mundo de 1962 por contus\u00f5es e\/ou problemas pessoais. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0quela altura, muitos j\u00e1 o davam liquidado para o futebol em fun\u00e7\u00e3o da prolongada aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Garrincha (Manoel Francisco dos Santos, 1933\/1983) ainda chegou a disputar o Mundial de 1966 na Inglaterra, mas sem o brilho de outras copas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre-me revisitar os textos &#8211; sempre deliciosos &#8211; de N\u00e9lson Rodrigues porque o futebol faz parte da minha\/nossa cultura. Queiramos ou n\u00e3o, faz parte do cotidiano e pulsa nossas emo\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Por outra, uma  singela rever\u00eancia ao incompar\u00e1vel Man\u00e9 Garrincha.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 40 anos perd\u00edamos um dos dois maiores representantes do futebol brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um pitaco, se a rapaziada de hoje me permite e perdoe.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada que se compare em termos da cr\u00f4nica esportiva ao incr\u00edvel N\u00e9lson Rodrigues.<\/p>\n\n\n\n<p>Bons e imaginosos textos passam ao largo das editorias de Esportes atuais. <\/p>\n\n\n\n<p>Os tais &#8216;professores de Deus&#8217;, na defini\u00e7\u00e3o feita por Abel Ferreira, n\u00e3o andam l\u00e1, digamos, numa fase das mais inspiradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Registro que as eventuais exce\u00e7\u00f5es, s\u00f3 confirmam a regra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim &#8211; e enfim&#8230; Acrescento que Pel\u00e9 e Garrincha foram os melhores futebolistas que vi em campo. M\u00e1gicos, imprevis\u00edveis, vencedores, puro encantamento num tempo que futebol era arte e um dom quase divinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem os viu em campo, viu&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem n\u00e3o, talvez o YouTube lhes d\u00ea uma brev\u00edssima ideia do que foram &#8211; e, historicamente, sempre ser\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>(Por favor, n\u00e3o me venham com mapa de calor, n\u00fameros, an\u00e1lises de desempenho e outras burlescas an\u00e1lises. Vale para os pseudos craques dos dias atuais, nunca para Pel\u00e9 e\/ou Garrincha.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Moacyr Franco - BALADA N\u00ba 7 (Man\u00e9 Garrincha) - Alberto Luiz - grava\u00e7\u00e3o de 1970\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/an6QJBlwW2w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Portal Trivela<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Ora o futebol \u00e9 a mais feia, a mais cruel, a mais tenebrosa das paix\u00f5es. 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