{"id":29136,"date":"2023-05-17T06:00:00","date_gmt":"2023-05-17T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=29136"},"modified":"2023-05-15T18:51:17","modified_gmt":"2023-05-15T18:51:17","slug":"mario-por-ele-mesmo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/mario-por-ele-mesmo-2\/","title":{"rendered":"M\u00e1rio por ele mesmo *"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/capa de livro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>por<\/strong> <strong>M\u00e1rio Quintana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confiss\u00e3o n\u00e3o transfigurada pela arte \u00e9 indecente. Minha vida est\u00e1 nos meus poemas, meus poemas s\u00e3o eu mesmo, nunca escrevi uma v\u00edrgula que n\u00e3o fosse uma confiss\u00e3o. Ah! mas o que querem s\u00e3o detalhes, cruezas, fofocas\u2026 A\u00ed vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades s\u00f3 h\u00e1 duas: ou se est\u00e1 vivo ou morto. Neste \u00faltimo caso \u00e9 idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que n\u00e3o estava pronto. At\u00e9 que um dia descobri que algu\u00e9m t\u00e3o completo como Winston Churchill nascera prematuro \u2013 o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu\u2026 Prefiro citar a opini\u00e3o dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contr\u00e1rio, sou t\u00e3o orgulhoso que acho que nunca escrevi algo \u00e0 minha altura. Porque poesia \u00e9 insatisfa\u00e7\u00e3o, um anseio de auto-supera\u00e7\u00e3o. Um poeta satisfeito n\u00e3o satisfaz. Dizem que sou t\u00edmido. Nada disso! sou \u00e9 calad\u00e3o, introspectivo. N\u00e3o sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. S\u00f3 por n\u00e3o poderem ser chatos como os outros?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Exatamente por execrar a chatice, a longuid\u00e3o, \u00e9 que eu adoro a s\u00edntese. Outro elemento da poesia \u00e9 a busca da forma (n\u00e3o da f\u00f4rma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido pr\u00e1tico de farm\u00e1cia durante cinco anos. Note-se que \u00e9 o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo \u2013 que bem sabem (ou souberam) o que \u00e9 a luta amorosa com as palavras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>*M\u00c1RIO POR ELE MESMO foi publicado na Revista Isto\u00c9 em 14\/11\/1984<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tem duas coisas \u00e0s quais recorro quando me sinto aborrecido e aborrecente: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a poesia travessa, l\u00edrica e eterna do jornalista, escritor, poeta ga\u00facho M\u00e1rio Quintana (1906\/1994) <\/li>\n\n\n\n<li>e o universo l\u00fadico das m\u00fasicas (e do ritmo) de Jorge Ben Jor. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Curioso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista, nada tenho a ver com os tais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, desde os primeiros acordes de &#8216;Chove Chuva&#8217; no long\u00ednquo ano de 1963, minha identifica\u00e7\u00e3o com a obra benjorniana foi imediata e plena. Desde ent\u00e3o a alquimia musical deste carioca do bairro do Rio Comprido, de idade incerta e n\u00e3o sabida, faz parte da trilha sonora dos meus malajambrados passos e caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Quintana, s\u00f3 fui conhec\u00ea-lo em tempos memor\u00e1veis da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o lembro exatamente como, mas numa daqueles tem\u00edveis trabalhos em grupo para sei-l\u00e1-qual-disciplina, acabou sobrando para mim a obrigatoriedade de ler um de seus livros em busca de uma cr\u00f4nica que nos servisse de tema para um suposto audiovisual. <\/p>\n\n\n\n<p>Entrei em \u00eaxtase com a sua dileta &#8220;luta corporal com as palavras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se a receita lhe serve, car\u00edssimo leitor. <\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00e3o de gosto. Cada um, cada um. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, fica aqui a minha sugest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Busque l\u00e1 seus esteios sentimentais para segurar a onda nesses tempos descascados e opacos.<\/p>\n\n\n\n<p>E sigamos em frente sem perder o sorriso e a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A arte salva. Se n\u00e3o o mundo, pelo menos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Ben - Chove Chuva (\u00c1udio Oficial)\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ubol9NyLWZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/capa de livro<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>por<\/strong> <strong>M\u00e1rio Quintana<\/strong><\/p>\n<p><em>Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. 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