{"id":30177,"date":"2023-11-07T06:15:00","date_gmt":"2023-11-07T06:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=30177"},"modified":"2023-11-07T19:06:31","modified_gmt":"2023-11-07T19:06:31","slug":"lembrancas-de-um-velho-reporter-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/lembrancas-de-um-velho-reporter-2\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as de um velho rep\u00f3rter *"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto: An\u00edsio Assun\u00e7\u00e3o (in memorian)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>A t\u00edtulo de curiosidade (talvez mais minha do que dos pr\u00f3prios leitores), procurei nos meus alfarrabios reportagem que fiz sobre as vicissitudes das enchentes paulistanas que fiz em meus anos de jornalismo. Foram v\u00e1rias. Selecionei uma delas para o nosso Blog. N\u00e3o \u00e9 das mais antigas. Foi publicada por Gazeta do Ipiranga na sexta-feira, 28 de abril de 2000. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 quase 24 anos, portanto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se me derem a honra de ler e compartilhar, fiquem \u00e0 vontade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desconfio que pouca coisa (ou quase nada) mudou daquele meu relato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Confiram!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>SALVE-SE QUEM PUDER<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o comanda o espa\u00e7o e o tempo em que a chuva cai&#8221; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>01. Por um desses desv\u00e3os do destino, l\u00e1 estava eu na manh\u00e3 de quarta-feira em plena via Anchieta a 150 metros do Ribeir\u00e3o dos Meninos, que acabara de transbordar e inundar as duas pistas (central e marginal) que ligam o ABC a S\u00e3o Paulo. Os homens (e agora tamb\u00e9m mulheres) da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria interditaram a passagem dos autom\u00f3veis e, entre esbaforidos e resignados, restou aos motoristas duas alternativas: esperar candidamente que as \u00e1guas baixassem ou arriscar-se por caminhos nunca dantes navegados, via Rudge Ramos, S\u00e3o Caetano ou, no meu caso, por onde fosse poss\u00edvel avistar a terra santa do Ipiranga.<\/p>\n\n\n\n<p>02. A primeira alternativa, \u00e0 luz do bom senso, me pareceu adequada. Mas, a pressa em chegar \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida me fez seguir o comboio de carros que, ap\u00f3s algumas manobras, enveredou rumo ao desconhecido encharcado das ruas e vielas que margeiam a Avenida Guido Aliberti, alagada em todo seu trajeto. Fracassaram nossas v\u00e3s tentativas de atravessar o Ribeir\u00e3o na ponte da Estrada das L\u00e1grimas, da Rua Any em Vila Crist\u00e1lia e alcan\u00e7ar a Almirante Delamare, atrav\u00e9s da avenida Goi\u00e1s. Ali, no in\u00edcio da principal via de acesso a S\u00e3o Caetano, tomada pelas \u00e1guas e absolutamente intransit\u00e1vel, paramos todos \u2014 e imaginei que o melhor era ficar por ali mesmo. Fim de linha, mas n\u00e3o da esperan\u00e7a\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>03. Um Civic preto, dirigido por um circunspecto senhor, subiu no canteiro e fez o retorno, imagino, sem saber para onde. No segundo seguinte, dois outros ve\u00edculos realizavam a manobra; e depois outro e outro e tamb\u00e9m fui nessa. N\u00e3o me pergunte como, sei que de repente estava na enxuta avenida Presidente W\u00edlson (milagre dos milagres!), da\u00ed avenida Carioca e, minutos depois, a vis\u00e3o da torre da igreja Nossa Senhora Aparecida\u2026 Enfim, o Ipiranga dos nossos amores.<\/p>\n\n\n\n<p>04. Pelos caminhos alagados, pude constatar in-loco as vicissitudes que a chuvarada da madrugada de quarta fez na regi\u00e3o e acompanhar pelo r\u00e1dio outra trag\u00e9dia das \u00e1guas na cidade e em algumas cidades do interior do Estado. Ouvi tamb\u00e9m as esfarrapadas desculpas das autoridades, isentando-se de qualquer responsabilidade. E lembrei que, duas colunas atr\u00e1s, escrevi que para os homens do Poder, em \u00faltima an\u00e1lise, S\u00e3o Pedro \u00e9 sempre o culpado. E a gente que se prepare. Vai ser um salve-se quem puder. H\u00e1 previs\u00f5es de novas pancadas de chuvas para a esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>05. Se vale um conselho depois dessa jornada de mais de duas horas, procure e permane\u00e7a em lugar seguro sempre que se vir em tal e qual situa\u00e7\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o de ver uma tampa de bueiro ir pelos ares e a \u00e1gua jorrar a poucos metros do seu carro \u00e9 literalmente assustadora e de conseq\u00fc\u00eancias sempre imprevis\u00edveis. Depois do susto, vem \u00e0 mente que aqueles que t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de resolver o problema, quase sempre, nesta exata hora, est\u00e3o no aconchego do seu Gabinete Oficial e posteriormente sobrevoam a \u00e1rea de helic\u00f3ptero em busca de publicidade e voto para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: An\u00edsio Assun\u00e7\u00e3o (in memorian)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>*<em>A t\u00edtulo de curiosidade (talvez mais minha do que dos pr\u00f3prios leitores), procurei nos meus alfarrabios reportagem que fiz sobre as vicissitudes das enchentes paulistanas que fiz em meus anos de jornalismo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1046,482,1045,301,435,3418],"class_list":["post-30177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-chuvas","tag-cidade","tag-enchentes","tag-reporter","tag-sao-paulo","tag-transito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30177"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30183,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30177\/revisions\/30183"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}