{"id":30532,"date":"2023-12-18T03:15:00","date_gmt":"2023-12-18T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=30532"},"modified":"2023-12-17T16:21:02","modified_gmt":"2023-12-17T16:21:02","slug":"carlinhos-lira-e-o-letreiro-da-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/carlinhos-lira-e-o-letreiro-da-rua\/","title":{"rendered":"Carlinhos Lira e o Letreiro da Rua"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Para Carlinhos Lira (1933\/2023). Saudades.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais do que c\u00e9lebre a hist\u00f3ria de que Ant\u00f4nio Carlos Jobim morou por longos e longos anos na rua Nascimento Silva, no bairro de Ipanema. Tanto que Vinicius de Moraes e o parceiro Toquinho transformaram o endere\u00e7o do artista em verso da can\u00e7\u00e3o \u201cCarta Ao Tom\u201d, em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Rua Nascimento Silva 107<\/p>\n\n\n\n<p>O que poucos sabem \u00e9 que havia, ali, nas imedia\u00e7\u00f5es outro habitante ilustre, Carlinhos Lira, t\u00e3o compositor, t\u00e3o bossanovista e t\u00e3o parceiro de Vinicius quanto Tom.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Naqueles fins dos anos 50, em que era costume a entrega do leite e do p\u00e3o nas portas da casa, o Poetinha inaugurou, no m\u00ednimo, outro curioso delivery: o de letras de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, era chamado pelos amigos de &#8216;o Letreiro da Rua&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Era comum v\u00ea-lo, terno e gravata, \u00f3culos de grossa arma\u00e7\u00e3o, tocando a campainha da casa de um e de outro para esvaziar os bolsos do palet\u00f3 e lhes entregar amarfanhadas folhas arrancadas de cadernos, com os versos que seriam musicados em obras primas como \u201cGarota de Ipanema\u201d e \u201cMinha Namorada\u201d, &#8220;Primavera&#8221; entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A turma n\u00e3o dispunha de nenhum gravadorzinho port\u00e1til para facilitar a tarefa. <\/p>\n\n\n\n<p>Os compositores mal-e-mal passavam as harmonias para o amigo letrista que se viraria mais tarde, do jeito que desse e de mem\u00f3ria, na mesa de um bar em fim de noite ou mesmo na pr\u00f3pria casa n\u00e3o muito longe dali.<\/p>\n\n\n\n<p>Como todo sabemos, o Poetinha saiu-se extraordinariamente bem; salvo um ou outro engano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, foi o que aconteceu no dia em que entrou, com pressa, na casa de Lira e lhe entregou a encomenda. Ainda precisava passar na casa de Tom, pois no outro bolso estava a letra de uma nova can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, Lira pediu ao amigo que esperasse um minuto que fosse para ver se aqueles belos versos se encaixavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Pegou o viol\u00e3o \u2013 e se p\u00f4s cantarolar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOlha\u2026 que coisa\u2026 mais linda\u2026 Mais\u2026 cheia\u2026 de gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Parou de s\u00fabito, tomou coragem para dizer o que tinha a dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vinicius, tem algo errado aqui. Os versos s\u00e3o bonitos, sim. A ideia \u00e9 boa, mas n\u00e3o cabe na harmonia que eu lhe passei.<\/p>\n\n\n\n<p>O Poetinha fez cara de p\u00f4quer. <\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00f3 quebrou o sil\u00eancio depois de enfiar a m\u00e3o no outro bolso do palet\u00f3 e sacar outra folha de caderno e lhe entregar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Desculpe, parceirinho, errei a encomenda\u2026 \u00c9 uma musiquinha que estou fazendo com o Tonzinho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cmusiquinha\u201d, como voc\u00eas, meus caros e fi\u00e9is cinco ou seis leitores, j\u00e1 perceberam era \u201cGarota de Ipanema\u201d, a can\u00e7\u00e3o brasileira mais conhecida em todo o Planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Vinicius saiu, Carlinhos Lira ficou maravilhado com a letra que acabara de receber \u2013 e que era perfeita para a melodia que fizera. <\/p>\n\n\n\n<p>Tinha em m\u00e3os os versos encantados de \u201cMinha Namorada\u201d, outro cl\u00e1ssico da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O Letreiro da Rua  e Carlinhos Lira estavam inspirad\u00edssimos naquela semana.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Carlos Lyra - Minha Namorada\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/anh8gLm8hR0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>Para Carlinhos Lira (1933\/2023). Saudades.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 mais do que c\u00e9lebre a hist\u00f3ria de que Ant\u00f4nio Carlos Jobim morou por longos e longos anos na rua Nascimento Silva,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30533,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2978,3526,135,2695,97,3528,3527],"class_list":["post-30532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-bossa-nova-2","tag-carlos-lira","tag-memoria","tag-minha-namorada","tag-mpb","tag-tributo","tag-vinicius-de-moaraes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30532"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30534,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30532\/revisions\/30534"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}