{"id":30639,"date":"2024-02-03T06:15:00","date_gmt":"2024-02-03T06:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=30639"},"modified":"2024-02-03T13:11:51","modified_gmt":"2024-02-03T13:11:51","slug":"os-boemios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-boemios\/","title":{"rendered":"Os bo\u00eamios"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Deixem que eu lhes d\u00ea um bastidor antes de continuar com as perip\u00e9cias dos meus 50 anos de jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos idos da d\u00e9cada de 70 quando comecei, a profiss\u00e3o de jornalista era mal_e_mal reconhecida como categoria profissional. Verdade verdadeira. \u00c9ramos uns estropiados que viv\u00edamos enfurnados nas fumegantes reda\u00e7\u00f5es (quase todo mundo fumava enquanto batucava insanamente as ruidosas m\u00e1quinas de escrever) ou nas ruas atr\u00e1s da not\u00edcia nossa de cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Precariamente remunerados, a profiss\u00e3o n\u00e3o exibia qualquer verniz social. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Jornalista, em sua grande maioria, perambulava pelos jornais e revistas impressos, com hora para entrar e nunca para sair do trabalho que se estendia madrugada adentro.<\/p>\n\n\n\n<p>De quebra, lev\u00e1vamo a fama de bo\u00eamios, inconstantes e&#8230; pouco confi\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Veja l\u00e1 o que vai dizer. O cara \u00e9 jornalista.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o trampo era pesado &#8211; e, quase sempre, desvalorizado por tudo e por todos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um retrato verossimil da \u00e9poca \u00e9 o seriado <em>Plant\u00e3o de Pol\u00edcia<\/em> que a Globo levou ao ar em meados dos anos 80, com os saudosos Hugo Carvana e Marcos Paulo como protagonistas. <\/p>\n\n\n\n<p>Narrava &#8216;a hist\u00f3ria de Waldomiro Pena, o \u00faltimo dos rep\u00f3rteres policiais rom\u00e2nticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 coisa mais ou menos recente o profissional de Imprensa se tornar um pimp\u00e3o apresentador de programa ou um dileto comentarista, ostentando ternos bem cortados, com acesso \u00e0s altas rodas do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lamento, apenas registro o contraste para a devida contextualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto posto, volto \u00e0 minha saga.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu primeiro emprego, de carteira assinada, foi mesmo em <em>Gazeta do Ipiranga<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi mesmo um grande aprendizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Pude acompanhar (e entender) todo o processo da feitura de um jornal. Da discuss\u00e3o da pauta ao momento em que a p\u00e1gina riscada, diagramada e pronta \u00e9 encaminhada \u00e0s rotativas para ser impressa. <\/p>\n\n\n\n<p>Havia certo encantamento, para n\u00f3s, retirar os primeiros exemplares da edi\u00e7\u00e3o, cheirando \u00e0 tinta, na esteira da ruidosa m\u00e1quina. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei como \u201credator-estagi\u00e1rio\u201d e, quatro anos depois, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, passei a editor e diretor-respons\u00e1vel da <em>Gazetinha.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p>Tinha 27 para 28 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente colaborei em diversas publica\u00e7\u00f5es de \u00e2mbito nacional (<em>Ag\u00eancia Estado<\/em>,\u00a0<em>Jornal<\/em>\u00a0<em>da Tarde<\/em>\u00a0, revista<em>\u00a0Afinal, Shopping News, Gazeta FM<\/em>,<em> Jornal da Orla<\/em> e outros muitos). <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havia tempo ruim. <\/p>\n\n\n\n<p>Nas diversas reda\u00e7\u00f5es em que trabalhei, frilando, fazia o que pintasse: pautava, reportava, redigia, coppydeskava, diagramava, revisava, fazia secretaria gr\u00e1fica, o que pintasse. <\/p>\n\n\n\n<p>Tudo em troca de uns trocos que ajudasse a fechar as contas do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei inclusive a montar um jornal de bairro na Mooca. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando me perguntam, reconhe\u00e7o sempre: foi mesmo pelas plagas hist\u00f3ricas do Ipiranga que fundeei sonhos, expectativas, trabalhos mil, amizades, aprendizagem e a luminosa esperan\u00e7a em dias melhores, repito, para todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue o povo saia \u00e0s ruas\u2026 E tome para si o destino da Na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p> Foi esse o editorial do jornal (homenagem\/refer\u00eancia ao meu primeiro editor, jornalista Ant\u00f4nio de Oliveira Marques) que escrevi na edi\u00e7\u00e3o imediatamente anterior ao 15 de novembro de 1989.<\/p>\n\n\n\n<p> Volt\u00e1vamos \u00e0s urnas para escolher o presidente da Rep\u00fablica pelo voto direto e universal, ap\u00f3s 30 anos de arb\u00edtrio e autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Democracia se faz com cidadania e solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Ben - Waldomiro Pena (Salve Simpatia) [\u00c1udio Oficial]\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/84gvN9j6W1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>LEIAM TAMB\u00c9M:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/um-jornalista-as-margens-do-ipiranga\/\">Um jornalista \u00e0s margens do Ipiranga<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>por Leila Kiyomura\/ Jornal da USP<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Deixem que eu lhes d\u00ea um bastidor antes de continuar com as perip\u00e9cias dos meus 50 anos de jornalismo.<\/p>\n<p>Seguinte.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[538,2369,74,1903,44,283,3549,3551],"class_list":["post-30639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-50-anos","tag-anos-70","tag-imprensa","tag-jornais-e-revistas","tag-jornalismo","tag-memorias","tag-plantao-de-poliia","tag-waldomiro-pena"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30639"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30655,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30639\/revisions\/30655"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}