{"id":30723,"date":"2024-02-23T00:00:00","date_gmt":"2024-02-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=30723"},"modified":"2024-02-23T17:28:20","modified_gmt":"2024-02-23T17:28:20","slug":"sobre-parar-de-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sobre-parar-de-escrever\/","title":{"rendered":"Sobre parar de escrever&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ilustra\u00e7\u00e3o enviada pelo amigo e sempre_vereador Almir Guimar\u00e3es. Uma dica para os meus desencantos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desconfio que sim, meu caro S\u00e9rgio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum momento, todos aqueles que vivem para escrever (e escrevem para viver) j\u00e1 pensaram em parar com essa estranha lida que o melhor de todos n\u00f3s, o venerando cronista Rubem Braga (1913\/1990), descreveu como &#8221; viver em voz alta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas reda\u00e7\u00f5es por onde andei (e mesmo fora delas), ouvi v\u00e1rios relatos neste sentido de amigos pr\u00f3ximos e distantes, tipo: <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Deu pra mim. Parei.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 contei todas as hist\u00f3rias que gostariam de contar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a viv\u00eancia desses 50 anos de estrada, imagino que hoje consiga entend\u00ea-los &#8211; e at\u00e9 os aplaudir pela coragem e decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns t\u00eam a s\u00eddrome de S\u00edlvio Caldas (1908\/1998), nosso not\u00e1vel seresteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O cantor popular era useiro e vezeiro em anunciar a despedida dos palcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dava um tempinho. E l\u00e1 estava ele a debulhar-se em &#8216;Ch\u00e3o de Estrelas&#8217;, &#8216;No Rancho Fundo&#8217;. &#8216;Casinha Pequenina&#8217;, &#8216;Eu Sonhei Que Tu Estava T\u00e3o Linda&#8217;, &#8216;Cabelos Brancos&#8217;, entre outros tantos sucessos inesquec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre parar de escrever, tomar a decis\u00e3o e ser fiel a ela, posso lhes citar um exemplo do nosso conv\u00edvio (pois, o figura \u00e9 constante em minhas cr\u00f4nicas): o Escova.<\/p>\n\n\n\n<p>Sensibil\u00edssimo rep\u00f3rter. Das antigas. <\/p>\n\n\n\n<p>Sabia perguntar, sabia ouvir, sabia interpretar, escrevia muito bem, direto e reto, N\u00e3o deixava pontas soltas. <\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria sa\u00eda redonda, nos trinques.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fui coppy-desk de seus textos por algum tempo. Mam\u00e3o com a\u00e7\u00facar. A reportagem vinha pronta. Um ou outro vacilo na datilografia (redig\u00edamos na m\u00e1quina de escrever, rapaziada), mas, de resto, era s\u00f3 contar o n\u00famero de linhas e toques, diagramar e mandar a p\u00e1gina para oficina.<\/p>\n\n\n\n<p>O gajo vivia atrasado. <\/p>\n\n\n\n<p>Era sempre o \u00faltimo a entregar o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um belo dia, o homem falou que pensava em se aposentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Embicava nos 60 \u00e0 \u00e9poca e se dizia &#8220;cansado de enxugar gelo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nada mudou. Nada vai mudar. N\u00e3o adianta. Escrever \u00e9 uma platitude, meus caros e preclaros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Oxi!<\/p>\n\n\n\n<p>Desconsideramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Escova, vale dizer, tinha l\u00e1 seus laivos dram\u00e1ticos no gestual e na vida. Gostava de uma cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Meses depois, anunciou que estava saindo do jornal.<\/p>\n\n\n\n<p>Arranjou outro emprego?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Deu pra mim. Parei.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalto que a decis\u00e3o do Escova \u00e9 anterior ao boom da Internet e ao dom\u00ednio cruel das tais redes sociais onde todos falam e poucos escutam &#8211; e, detalhe, quando escutam s\u00f3 levam a s\u00e9rio se o fato lhe conv\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim, amigo e leitor S\u00e9rgio, que acabou a trajet\u00f3ria do rep\u00f3rter Escova, o Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3, o Rei da Trampolinagem, como o cham\u00e1vamos naqueles idos, vividos e sinuosos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>De minha parte, lido com o dilema diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho uma tend\u00eancia a concordar com o Escova no atacado. <\/p>\n\n\n\n<p>Nada vai mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no varejo do dia a dia, ainda insisto no Blog e nos livros (mesmo que esses sejam mais espor\u00e1dicos).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sinceramente, n\u00e3o sei se vou parar de escrever um dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei apenas que sua mensagem\/pergunta salvou o texto de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Valeu!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cabelos Brancos c Silvio Caldas\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c1gvTCWqx-4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Ilustra\u00e7\u00e3o enviada pelo amigo e sempre_vereador Almir Guimar\u00e3es. Uma dica para os meus desencantos.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Desconfio que sim, meu caro S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>Em algum momento,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30726,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[455,1228,283,3568,3570,3569],"class_list":["post-30723","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-escova","tag-leitor","tag-memorias","tag-parar-de-escrever","tag-sergio","tag-silvio-caldas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30723"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30729,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30723\/revisions\/30729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}