{"id":31368,"date":"2024-05-14T09:00:00","date_gmt":"2024-05-14T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=31368"},"modified":"2024-05-15T16:28:44","modified_gmt":"2024-05-15T16:28:44","slug":"a-tabua-de-esmeralda-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-tabua-de-esmeralda-50-anos\/","title":{"rendered":"A T\u00e1bua de Esmeralda, 50 anos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O mais cultuado \u00e1lbum de Jorge Ben Jor &#8211; <em>A T\u00e1bua de Esmeralda<\/em> &#8211; completa 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi lan\u00e7ado em maio de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha 23 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ainda Jorge Ben, hoje sabemos, j\u00e1 batia na casa dos 35.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 pra dizer que foi o \u00e1pice criativo da sua long\u00ednqua carreira?<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que sim, com ressalvas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus primeiros discos &#8211; <em>Samba Esquema Novo<\/em> e <em>Sacundim Ben Samba<\/em> &#8211; datam de 1963 e causaram um rebuli\u00e7o na m\u00fasica popular brasileira. Misturaram influ\u00eancias africanas, com a levada do samba, do maracatu, da bossa nova e do rock.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos cr\u00edticos, pra variar, nada entenderam.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, hits como &#8216;Mas Que Nada&#8217;, &#8216;Por causa de Voc\u00ea Menina&#8217;, &#8216;Chove Chuva&#8217;, &#8216;Balan\u00e7a Pema&#8217;, entre outros est\u00e3o a\u00ed ainda hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nos anos 60, o Babulina gravou &#8216;Ben \u00c9 samba Bom&#8217; e &#8216;Big Ben&#8217;, com relativo \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu-se que em 1965, ele foi morar nos Estados Unidos por uma curta temporada.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado:<\/p>\n\n\n\n<p>Saiu da lista das mais mais que tocavam no r\u00e1dio e na TV.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o aconteceu por l\u00e1, embora &#8216;Mas Que Nada&#8217; alcan\u00e7asse sucesso com o m\u00fasico brazuca S\u00e9rgio Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge retornou ao Brasil a tempo de figurar, ainda que sem maior notoriedade, na \u00e1urea fase dos festivais.<\/p>\n\n\n\n<p>Flertou com a Jovem Guarda e o Tropicalismo para reconquistar o grande p\u00fablico a partir da ampla repercuss\u00e3o de &#8216;Pa\u00eds Tropical&#8217; &#8211; m\u00fasica\/hino da virada dos anos 70 por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o dessa fase, especialmente inspirada, outras memor\u00e1veis can\u00e7\u00f5es: &#8216;Que Pena&#8217;, &#8216;Minha Menina&#8217;, &#8216;Zazueira&#8217;, &#8216;Que Maravilha&#8217;, &#8216;Criola&#8217;, &#8216;Cad\u00ea Tereza&#8217;, &#8216;Charles Anjo 45&#8217;, &#8216;Bebete Vambora&#8217;, &#8216;Vendedor de Banana&#8217;, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sucesso estrondoso.<\/p>\n\n\n\n<p>O dito samba-rock bebe dessa fonte inesgot\u00e1vel para se consolidar como genero musical, especialmente dan\u00e7ante nas periferias de S\u00e3o Paulo e nas quebradas do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 70 vai revelar um autor, digamos, mais sofisticado e ousado.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge envereda por temas elaborados e uma sonoridade ritmica ainda mais incomum para os padr\u00f5es vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz \u00e1lbuns antol\u00f3gicos &#8211; <em>For\u00e7a Bruta<\/em> (1970), <em>Negro \u00c9 Lindo<\/em> (1971), <em>Dez Anos Depois<\/em> (1972) e <em>Ben<\/em> (1973) &#8211; at\u00e9 chegar no conceitual <em>A T\u00e1bua de Esmeralda <\/em>em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um del\u00edrio sonoro e ritmico&#8221; no parecer abalizado do jornalista e cr\u00edtico Maur\u00edcio Kubrusly, do lan\u00e7amento no <em>Jornal da Tarde<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ben inspirava-se nos escritos do fil\u00f3sofo e alquimista Nicolas Flamel (1330\/1418) e do m\u00e9dico e alquimista Paracelso (que faleceu em 1541) para formatar cl\u00e1ssicos incendi\u00e1rios como &#8216;Os Alquimistas Est\u00e3o Chegando os Alquimistas\u2019, \u2018O Homem da Gravata Florida\u2019, \u2018Magn\u00f3lia\u2019, \u2018Zumbi\u2019, \u2018O Namorado da Vi\u00fava&#8217;, &#8216;Errare Humanum Est&#8217;, &#8216;Eu Vou Torcer&#8217;. &#8216;Minha Teimosia \u00c9 Uma Arma Pra Te Conquistar&#8217;, &#8216;Brother&#8217;, &#8216;Hermes Trimegisto e Sua Celeste T\u00e1bua de Esmeralda&#8217; e &#8216;Cinco Minutos&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>No livro \u201cPav\u00f5es Misteriosos\u201d, que relata os bastidores da m\u00fasica brasileira nos anos 70, o jornalista Andr\u00e9 Barcinski escreve que qualquer pessoa que entrasse numa loja de discos nesse per\u00edodo, tomaria um susto. &#8220;Tim Maia misturava cultura racional com disco voador, Secos e Molhados trazia toda aquela expressividade sexual que encantava crian\u00e7as e musicava poemas inteiros de brasileiros e portugueses, enquanto Raul Seixas e Paulo Coelho mergulhavam na sociedade alternativa, no ocultismo e na contracultura com &#8216;Gita&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescente-se ao contexto: Jorge Ben Jor em sua exuberante alquimia musical a reverenciar enigmas e figuras medievais. <\/p>\n\n\n\n<p>Era o suprassumo do pop Made in Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha 23 anos quando entrei na pequena loja de discos do amigo \u00c1lvaro Soares para comprar o meu novo disco do Ben Jor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que me veio o natural espanto &#8211; e um incontrol\u00e1vel encantamento com essa incr\u00f3vel viagem sonora.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguramente um dos \u00e1lbuns que mais ouvi na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 pelas anos 80\/90 tive a oportunidade de entrevistar Ben Jor para <em>City\/Shopping News<\/em>, jornal semanal paulistano. O artista iria se aprensentar em S\u00e3o Paulo. A fase m\u00edstica havia passado. Eram novos tempos. &#8216;W\/Brasil&#8217;, o sucesso da vez. Um funk sacudido, pioneiro, que bem ao seu estilo o fez retornar \u00e0s paradas de sucesso e assim cativar uma nova gera\u00e7\u00e3o de f\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A pauta, portanto, era outra. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, n\u00e3o resisti &#8211; e lhe perguntei sobre o \u00e1lbum inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Segue a resposta:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Minha fase m\u00edstica foi basicamente nos discos <em>A<\/em> <em>T\u00e1bua de Esmeralda<\/em> e <em>Solta o Pav\u00e3o<\/em> (1975). Isso foi no inicio dos anos 70 e agora estou vendo muita gente nessa trilha. Acho um barato o sucesso dos livros do Paulo Coelho. Agora tem que ter seriedade para falar dessas coisas. Quando falei dos alquimistas fiz um trabalho s\u00e9rio. Sou um cara ligado no espiritual, meio rosacruz, um alquimista musical. Meu av\u00f4 me deixou muitos ensinamentos. Ele era mu\u00e7ulmano e rosacruz. Deixou muita sabedoria, deixou livros. S\u00e3o esses ensinamentos que, \u00e0s vezes, sempre que posso, repasso em minhas letras. Aprendi com ele a bondade, a generosidade, a respeitar a verdade de cada um.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim falou Jorge Ben Jor:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A verdade sem mentira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Certo muito verdadeiro&#8217;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Ben Jor - Os alquimistas est\u00e3o chegando\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0y1kGcMi_l8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>*Ainda nos anos 70 Jorge Ben Jor gravou dois discos hist\u00f3ricos \u00c1frica-Brasil (1976) e Gil Jorge (1976) que inevitavelmente ser\u00e3o assuntos para posts futuros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Clique <strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/ben-jor-a-magia-do-alquimista-dos-sons\/\">AQUI<\/a><\/strong> para ler a entrevista que fiz em julho de 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O mais cultuado \u00e1lbum de Jorge Ben Jor &#8211; <em>A T\u00e1bua de Esmeralda<\/em> &#8211; completa 50 anos.<\/p>\n<p>Foi lan\u00e7ado em maio de 1974.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31376,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[538,3751,3753,3752,94,3755,3754],"class_list":["post-31368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-50-anos","tag-a-tabua-de-esmeralda","tag-alquimistas","tag-esoterismo","tag-jorge-ben-jor","tag-nicola-flamel","tag-paracelsos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31368"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31380,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31368\/revisions\/31380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}