{"id":31821,"date":"2024-06-29T11:00:00","date_gmt":"2024-06-29T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=31821"},"modified":"2024-06-30T02:10:40","modified_gmt":"2024-06-30T02:10:40","slug":"dudu-eterno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dudu-eterno\/","title":{"rendered":"Dudu, eterno"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Palmeiras. Dudu, ao lado de seu busto no Allianz Parque&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto-me um privilegiado como torcedor de futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meninos e meninas, eu vi&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pel\u00e9 jogar.<\/p>\n\n\n\n<p>Gl\u00f3ria m\u00e1xima.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Grudado ao alambrado do saudoso Pacaembu, tamb\u00e9m vi&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Garrincha pintar o sete, defendendo o Botafogo ao lado de Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meus caros e preclaros.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi Jair da Rosa Pinto, depois de monumental carreira profissional, desfilar imponente pelos campos da v\u00e1rzea paulistana com o incr\u00edvel time de veteranos do Can-Can.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Formam o meu triunvirato dos craques maiores que vi jogar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi surgir a estoica dupla Dudu e Ademir no meu amado Verd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouso dizer o que ouvia ent\u00e3o da italianada, amigos do meu pai, no bar Astoria:<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos foram comprados com o dinheiro da venda do inesquec\u00edvel Chinesinho para um clube da It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>(Seria o Atalanta?)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Da Guia chegou primeiro. Disputou a posi\u00e7\u00e3o de titular com o &#8216;prata da casa&#8217; H\u00e9lio Burini.<\/p>\n\n\n\n<p>Dudu veio depois. Jogava na Ferrovi\u00e1ria de Araraquara e, no Palmeiras, esquentou banco por uns tempos. O pernambucano Zequinha era o titular desde o t\u00edtulo de supercampe\u00e3o paulista em 1959.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, a dupla se firmou no meio campo palestrino &#8211; e fez hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornou-se um dos pilares da primeira Academia sob a batuta de N\u00e9lson Filpo Nu\u00f1es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dudu, voc\u00ea corre muito. Deixe que o Ademir arme as jogadas. D\u00e1 um passinho pra tr\u00e1s e ajuda na marca\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foram exatamente essas as palavras. Mas, foi esse o pedido de Dom Filpo para Dudu e assim formatar e dar flu\u00eancia de jogo \u00e0quele time imbat\u00edvel. Que representou o Brasil na inaugura\u00e7\u00e3o do Est\u00e1dio do Mineir\u00e3o e sapecou 3&#215;0 na forte sele\u00e7\u00e3o do Uruguai em 7 de setembro de 1965.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Querem gl\u00f3ria maior para um moleque sonhador?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 adulto &#8211; e jornalista -, tomei conhecimento dessa historieta na voz rouca do pr\u00f3prio Dudu (Oleg\u00e1rio Tol\u00f3i de Oliveira) num bate-papo informal com v\u00e1rios rep\u00f3rteres durante encontro de confraterniza\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Cronistas Esportivos do Estado de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>Lembro que Dudu, normalmente de poucas palavras, estava bem \u00e0 vontade naquela ocasi\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Humilde, contou que gostava de jogar mais no ataque. Mas, entendeu a orienta\u00e7\u00e3o de Filpo e os conselhos dos zagueiros Djalma Dias e Valdemar Carabina sobre o posicionamento em campo. Daria mais   padr\u00e3o de jogo ao invenc\u00edvel Palmeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim Ademir da Guia, o Divino, ficaria mais solto para municiar os atacantes e, vez ou outra, fazer seus golzinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>E assim se fizeram \u00fanicos, inesquec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao redor de Dudu e Ademir construiu-se tamb\u00e9m a segunda Academia, sob o comando de Osvaldo Brand\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um time memor\u00e1vel que todo palmeirense sabe de cor: Le\u00e3o, Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca, DUDU e Ademir, Edu, Leivinha, C\u00e9sar e Nei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dudu pendurou o par de chuteiras em meados de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>Um anos depois, era o t\u00e9cnico campe\u00e3o paulista pelo Palmeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>No estreia, Oleg\u00e1rio Dudu mostrou ao que veio. Lan\u00e7ou o menino Pires no time titular para fazer dupla com Ademir da Guia. <\/p>\n\n\n\n<p>Deu certo!<\/p>\n\n\n\n<p>O ent\u00e3o veterano Ademir voltou a jogar como nos melhores momentos da carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, amigos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as doces lembran\u00e7as me ocorrem a partir da triste not\u00edcia que nos chegou, na noite de sexta-feira, durante a transmiss\u00e3o do jogo da sele\u00e7\u00e3o do Brasil, comandada por Dorival J\u00fanior, sobrinho do craque palmeirense.<\/p>\n\n\n\n<p>Dudu morreu aos 84 anos, ap\u00f3s 30 dias internado em um hospital em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um dos grandes que se vai&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Triste, muito triste.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meus caros&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o consigo dissociar o futebol dos inef\u00e1veis meandros de nossa mem\u00f3ria afetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que dizem hoje estar em voga a cientifica\u00e7\u00e3o do Planeta Bola como se tudo fosse racional e l\u00f3gico, fruto de estudos, tecnologia e prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, t\u00e9cnica e psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Desconfio &#8211; e s\u00f3 desconfio \u00e0 minha maneira &#8211; que n\u00e3o seja bem assim.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi e n\u00e3o ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Percebam!<\/p>\n\n\n\n<p>Aos olhos &#8211; e no cora\u00e7\u00e3o &#8211; do menino que se encantou com a dupla Dudu e Ademir em campo, o futebol vive um momento de inestim\u00e1vel perda e profundo luto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dudu ser\u00e1 eterno em nossos cora\u00e7\u00f5es, em nossas recorda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Que o Senhor o guarde e ilumine!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"RELEMBRE ENTREVISTA ESPECIAL COM DUDU\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8hqqvjPwy_o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Palmeiras. Dudu, ao lado de seu busto no Allianz Parque&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sinto-me um privilegiado como torcedor de futebol.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meninos e meninas,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2587,2192,3874,75,3875,198,135,52,2104],"class_list":["post-31821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-academia","tag-ademir-da-guia","tag-dudu","tag-futebol","tag-jogador","tag-luto","tag-memoria","tag-palmeiras","tag-verdao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31821"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31832,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31821\/revisions\/31832"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}