{"id":31859,"date":"2024-07-05T14:00:00","date_gmt":"2024-07-05T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=31859"},"modified":"2024-07-05T21:13:21","modified_gmt":"2024-07-05T21:13:21","slug":"o-chapeu-que-nao-comprei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-chapeu-que-nao-comprei\/","title":{"rendered":"O chap\u00e9u que n\u00e3o comprei"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: centro de Bananal\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>De S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro a Bananal leva uns bons 50 minutos de carro pela rodovia dos Tropeiros. Uma viagem tranquila, com pouco movimento na estrada e as belas paisagens da Serra da Bocaina para se apreciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Digamos que tenho um apronto cartorial por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa oportunidade para rever a cidade onde estive h\u00e1 alguns tantos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Bananal \u00e9 a \u00faltima cidade paulista do Vale do Para\u00edba e faz divisa com o Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Viveu o auge com a introdu\u00e7\u00e3o da cultura do caf\u00e9 no Brasil ali por meados do s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o centro econ\u00f4mico de toda essa regi\u00e3o, recheada de pequenas cidades. Concentrava um n\u00famero razo\u00e1vel de grandes fazendas coloniais. Local para onde convergiam os diversos interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uns 20 anos, quando fiz uma grande reportagem para o <em>Jornal da Tarde<\/em> sobre a Serra da Bocaina, um professor que entrevistei me disse que todo o poderio desandou com o fim do Imp\u00e9rio e, sobretudo, com a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O caf\u00e9 migrou para outras \u00e1reas &#8211; centro do estado de S\u00e3o Paulo, interior de Minas e cidades do Paran\u00e1 &#8211; e a exuber\u00e2ncia que a cidade exibia n\u00e3o resistiu aos novos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um tanto da hist\u00f3ria de Bananal, na verdade, repete a cronologia dos fatos de outras cidades da regi\u00e3o &#8211; Cachoeira Paulista, Queluz, Areias, S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro e Arape\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas, \u00e9 comum se ouvir relatos de fazendas coloniais &#8211; que hoje sobrevivem da cultura leiteira e tamb\u00e9m do ecoturismo &#8211; onde D.Pedro I pernoitou em suas viagens entre o Rio e Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditei, desconfiando.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de ouvir essas historietas que a oralidade perpetua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desta feita, por absoluto acaso, soube de outra.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabia nada sobre Z\u00e9 Nego, um caboclo protetor dos bons, dos justos e dos caridosos. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Conto-lhes o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava perambulando pela centrinho da cidade &#8211; e me chamou aten\u00e7\u00e3o um belo exemplar de chap\u00e9u exposto na vitrine de uma loja. <\/p>\n\n\n\n<p>Estava na cabe\u00e7a do que julguei ser um manequim de cera.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Entrei no estabelecimento e, para espanto do lojista, perguntei o pre\u00e7o do adorno. <\/p>\n\n\n\n<p>Estava interessado em compr\u00e1-lo para proteger meu cucuruco da chuva e do sol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Que que \u00e9 isso, seu mo\u00e7o! N\u00e3o vendo, n\u00e3o&#8221; &#8211; me disse o rapazote, com olhar de indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Deixar o Z\u00e9 Nego sem chap\u00e9u \u00e9 um desrespeito. Onde j\u00e1 se viu? Sem a prote\u00e7\u00e3o dele a vida da gente desanda. Cruz credo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei um tanto desconfiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhei para o atendente. Depois olhei, mais demoradamente, para o sorridente manequim.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendi que aquele chap\u00e9u tinha dono.<\/p>\n\n\n\n<p>Resolvi desistir da aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, hein!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz o que tinha de fazer por ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltei rapidinho para Barreiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essas cren\u00e7as n\u00e3o se brinca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tocando em Frente, por Almir Sater\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SWtjTkixv5M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: centro de Bananal\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>De S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro a Bananal leva uns bons 50 minutos de carro pela rodovia dos Tropeiros. 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