{"id":32711,"date":"2024-10-25T10:00:00","date_gmt":"2024-10-25T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=32711"},"modified":"2024-10-25T15:44:41","modified_gmt":"2024-10-25T15:44:41","slug":"bobagens-e-bandeirolas-ao-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bobagens-e-bandeirolas-ao-vento\/","title":{"rendered":"Bobagens e bandeirolas ao vento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Estava pensando, c\u00e1 comigo: o que escrever na manh\u00e3 de uma sexta cinza e abafada a ouvir a cantoria de um vento vadio que devaneia, sem danos, pelo bairro onde moro?<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez chova no decorrer do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, h\u00e1 tamb\u00e9m \u2013 vejo atrav\u00e9s da janela do apartamento no 19\u00b0 andar \u2013 um presun\u00e7oso brilhareco do sol querendo se impor \u00e0 faina do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui, e por instantes, distraio-me a ver pessoas e carros ao r\u00e9s do ch\u00e3o. Min\u00fasculos. T\u00eam o tamanho de uma formiga e, como tais, ouso intuir, n\u00e3o sabem de onde vem e para onde v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que lhes falei do vento vadio, preciso incluir na descri\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio as dezenas de esvoa\u00e7antes e mambembes bandeirolas que, enfileiradas uma ap\u00f3s a outra, anunciam ao distinto eleitorado as promessas e o sorriso <em>Colgate<\/em> dos dois candidatos que disputam o segundo turno para o cargo de prefeito deste grande formigueiro, com a alcunha de Bern\u00f4 City.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fico imaginando se ainda existem, como nos meu tempos de garoto, aqueles galp\u00f5es de ferros-velhos que reuniam, empilhado aos montes, tudo o que era tranqueira e sucata.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha primeira bicicleta, uma Monark, breque de p\u00e9, veio de um deles. Tinha ferrugem no guid\u00e3o e nos aros das rodas, mas me \u00e9 uma lembran\u00e7a inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodei o Cambuci, de cima a baixo, na possante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vida longa aos FVs!<\/p>\n\n\n\n<p>Deve haver algum por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagino que, na manh\u00e3 de segunda, os tais ser\u00e3o os deposit\u00e1rios naturais dos cani\u00e7os, suportes de pl\u00e1sticos e tecidos coloridos que deram vida ao mais usado dos adere\u00e7os publicit\u00e1rios dessa jornada c\u00edvica eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Ideia de algum nobre marqueteiro, copiada pelos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ixi.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou confi\u00e1vel mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de julho, pouco antes talvez, quando o corre do pleito municipal come\u00e7ou pra valer, jurei pra mim: nada escreverei sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 porque ando desesperan\u00e7ado do Brasil e dos brasileiros, mas tamb\u00e9m, e principalmente, porque \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou lhes dizer algo que n\u00e3o gostaria sequer de pensar, quanto mais dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Aspas para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou cada vez mais convencido de que, via de regra, adoramos cultuar um picareta, falastr\u00e3o que ostente a panca e a pose de <em>self made man<\/em>. Ou como preferia a turma da Velha Reda\u00e7\u00e3o, o Fod\u00e3o do Bairro Peixoto, aquele que manda prender e manda soltar&#8230; em benef\u00edcio pr\u00f3prio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(Apesar do palavr\u00e3o, a express\u00e3o me parece mais adequado.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim.<\/p>\n\n\n\n<p>Virei, mexi. Olhei para o lado de fora da janela \u2013 e c\u00e1 estou a repetir a mesma cantilena nessa antev\u00e9spera de elei\u00e7\u00f5es, uma manh\u00e3 de sexta cinza e abafada a ouvir a cantoria de um vento vadio que devaneia, sem danos, pelo bairro onde moro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Perdoe-me as idiossincrasias deste cronista mulambo.<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, e para dar alguma serventia \u00e0s bobagens de hoje, ressalto que <em>Vento Vadio<\/em> \u00e9 t\u00edtulo de um bel\u00edssimo livro de cr\u00f4nicas do \u00f3timo Ant\u00f4nio Maria (1921\/1964), lan\u00e7ado pela Editora Todavia e organizado pelo escritor e pesquisador Guilherme Tauli.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica a\u00ed uma dica de leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Maria era tamb\u00e9m compositor e autor da bel\u00edssima O Amor e a Rosa:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Faf\u00e1 de Bel\u00e9m - O amor e a rosa\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4lKj38x37lg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Estava pensando, c\u00e1 comigo: o que escrever na manh\u00e3 de uma sexta cinza e abafada a ouvir a cantoria de um vento vadio que devaneia,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1810,4135,4134,1702,4132,4136,268,4133],"class_list":["post-32711","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-antonio-maria","tag-bandeirolas","tag-digressoes","tag-eleicoes","tag-manha-de-sextta-feira","tag-monark","tag-reflexoes","tag-vento-vadio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32711"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32723,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32711\/revisions\/32723"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}