{"id":32751,"date":"2024-10-28T09:00:00","date_gmt":"2024-10-28T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=32751"},"modified":"2025-10-28T00:34:47","modified_gmt":"2025-10-28T00:34:47","slug":"lembrancas-do-dia-28-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/lembrancas-do-dia-28-de-outubro\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as do dia 28 de outubro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: igreja de S\u00e3o Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara\/SP. (Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>hoje \u00e9 28 de outubro, Dia de S\u00e3o Judas Tadeu, o santo das causas desesperadas,<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00e9 inevit\u00e1vel reviver a cena sempre que algu\u00e9m me lembra a data,<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li> a falta que o Nasci faz a todos n\u00f3s que trabalhamos na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Considerando que: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ainda curto uma, digamos, c\u00edvica-eleitoral ressaca com amea\u00e7adores resultados do pleito de ontem,<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ainda rumino cuidadosamente o que escrever sobre os rumos de um pa\u00eds cada vez mais sem rumo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Por tudo &#8211; e em tudo, tomo a liberdade de replicar no blog a cr\u00f4nica o<em> Segredo do Dia 28<\/em>, postada originalmente em 28.10.2006 e que tamb\u00e9m faz parte do meu livro <strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/livro-meus-caros-amigos\/\">\u201cMeus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es\u201d<\/a><\/strong>, lan\u00e7ado em dezembro de 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O SEGREDO DO DIA 28<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 fazia parte da escrita da Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 28 de cada m\u00eas, Nasci era o primeiro a chegar \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, n\u00e3o atinamos que a data se repetia. Apenas estranh\u00e1vamos e nos pergunt\u00e1vamos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que deu no Velho? Assim cedo por aqui?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que, ap\u00f3s a observa\u00e7\u00e3o feita \u00e0 boca pequena por n\u00f3s, as piadas de mau gosto eram inevit\u00e1veis \u2013 e eu me nego a reproduzi-las aqui; afinal este \u00e9 um blog-fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Deixe-me explicar. O Nasci era um cara tido, havido e vivido nos becos, bocas e bocados da vida. Sempre que podia \u2013 e podia sempre \u2013 gostava de esticar o fim do expediente com um happy-hour mais prolongado, num boteco malafamado entre a Bom Pastor e a Greenfeld. Ali, onde o Sacom\u00e3 torce o rabo, ele dividia o balc\u00e3o de m\u00e1rmore \u2013 antigo e desgastado por copos, garrafas e cotovelos \u2013 com p\u00e9s-de-cana, desvalidos, curiosos e afins.<\/p>\n\n\n\n<p>Vez ou outra, d\u00e1vamos a cara por ali. Mais para ouvir a conversa do Nasci, suas hist\u00f3rias e os amigos inesperados que apareciam como se fossem tr\u00f4pegos personagens dos livros do Jo\u00e3o Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>II.<\/p>\n\n\n\n<p>Produtor da TV Record nos tempos \u00e1ureos da emissora, dono de ag\u00eancia de publicidade, coordenador de campanhas pol\u00edticas, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga. O curr\u00edculo do homem era longo.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um cara inteligent\u00edssimo. Uma refer\u00eancia para todos da Reda\u00e7\u00e3o, onde assinava uma coluna com o codinome de Z\u00e9 Armando. Gost\u00e1vamos de provoc\u00e1-lo e principalmente de aprender com as bem-humoradas respostas. E, principalmente, imprevis\u00edveis conselhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nasci, a mo\u00e7a me deixou. Pegou seus trens e voltou pra Minas \u2013 disse o rep\u00f3rter abandonado desolado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ops. N\u00e3o se desespere, meu caro. Mulher, quando amea\u00e7a ir, j\u00e1 foi. Fique feliz, e aprenda. As mulheres mudam. E se esquecem de nos avisar. Erga as m\u00e3os para o c\u00e9u, rapaz. Voc\u00ea \u00e9 um homem livre.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era a resposta que o mo\u00e7o queria ouvir. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, pelo menos, acabava com o choramingar pelos cantos da Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>III.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00edamos vivendo e aprendendo com ele. <\/p>\n\n\n\n<p>De santo, imagin\u00e1vamos, o Nasci n\u00e3o tinha nada. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, todos nos surpreendemos com a revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do primeiro par\u00e1grafo. <\/p>\n\n\n\n<p>Qual o motivo que o homem invariavelmente madrugava na Reda\u00e7\u00e3o todo fim do m\u00eas, mais precisamente no dia 28? N\u00e3o era carteado. N\u00e3o era uma amante argentina. Nem havia virado a noite na esb\u00f3rnia. N\u00e3o era nada do que se esperava ou se supunha\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci vinha direto do Santu\u00e1rio de S\u00e3o Judas Tadeu, onde chegava l\u00e1 pelas 5 da matina. O malaco se transformava em devoto e agradecia ao \u2018Santo dos Desesperados\u2019 uma eventual gra\u00e7a \u2013 que nunca nos revelou \u2013 ou coisa que o valha\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Num 28 de outubro, dia consagrado ao santo, algu\u00e9m nos disse que viu o Nasci na igreja do Jabaquara. <\/p>\n\n\n\n<p>Um carola!!! \u2013 era o que nos faltava para \u2018cutucar\u2019 o Mestre. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando lhe contamos a descoberta em tom de grande feito, apenas sorriu como a nos dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que bobos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Uma baforada no indefect\u00edvel cachimbo encerrou a conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>IV.<\/p>\n\n\n\n<p>Curioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tantos anos depois, quando encontro um dos nossos, \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o. Papo vai, papo vem, descubro que h\u00e1 um pacto silencioso entre n\u00f3s. Mesmo distantes, quase nunca nos vemos, todo o dia 28, invocamos a prote\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Judas, rezamos pelos amigos. Saudamos a vida e, assim, amenizamos a enorme saudade que o Nasci deixou entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Som Imagin\u00e1rio* | Tarde (Milton Nascimento e Marcio Borges) | Instrumental SESC Brasil\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Wk0IosjHQJs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: igreja de S\u00e3o Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara\/SP. 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