{"id":32862,"date":"2024-11-08T06:00:00","date_gmt":"2024-11-08T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=32862"},"modified":"2024-11-08T13:45:23","modified_gmt":"2024-11-08T13:45:23","slug":"adeus-ao-rei-da-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/adeus-ao-rei-da-voz\/","title":{"rendered":"Adeus ao Rei da Voz"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Agnaldo Rayol\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Izabel (\u201ccom z, por obs\u00e9quio\u201d) faz a cobran\u00e7a pertinente.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitora quer saber \u201co real motivo\u201d que nada escrevi, aqui no Blog, sobre \u201co falecimento do eterno Rei da Voz, o Agnaldo Rayol\u201d que ocorreu, repentinamente, na manh\u00e3 da segunda, dia 3, ap\u00f3s uma queda no banheiro de seu apartamento na Zona Norte paulistana.<\/p>\n\n\n\n<p>O cantor tinha 86 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 da nossa gera\u00e7\u00e3o, lembra-me a leitora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMerece, pelo artista que foi, um obitu\u00e1rio de classe.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desvendou a charada, Dona Izabel, com z.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me considero \u00e0 altura para tanta e tamanha responsabilidade, \u201cum obitu\u00e1rio de classe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou um malajambrado escrevinhador, sem eira, nem beira, que se esfor\u00e7a \u2013 e l\u00e1 se v\u00e3o 50 anos &#8211; a enfileirar uma letrinha atr\u00e1s a outra, e da outra e da outra e da outra&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meu of\u00edcio. Minha sina.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m minhas muitas sismas, cara senhora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tentarei explicar, nunca justificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 de segunda, assim que terminei de publicar o relato de minhas andan\u00e7as por S\u00e3o Paulo &#8211; <a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/tarde-de-sabado-no-belas-artes\/\">Tarde de s\u00e1bado no Belas Artes<\/a> -, meia-hora depois, soube da morte do cantor, ator e apresentador Agnaldo Rayol.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei comigo \u201camanh\u00e3 escrevo\u201d &#8211; mas, confesso que fiquei um tanto abalado com o infausto acontecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um dos grandes artistas do s\u00e9culo 20 que se vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Mexe ou n\u00e3o mexe com dos que s\u00e3o \u201cda nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o \u00e9 Dona Izabel, com z?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Permita-me a leitora uma confid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou propriamente um f\u00e3 de carteirinha de Agnaldo Rayol. Quando ele despontou artisticamente nos anos 60, eu era um garoto jovemguardiano que amava os Beatles, os Rolling Stones, Roberto, Erasmo e Jorge Ben Jor, desde ent\u00e3o minha refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, e n\u00e3o indiferente a tudo e todos, acompanhava a trajet\u00f3ria do cantor gal\u00e3 de covinha no queixo e vozeir\u00e3o inigual\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>No auge dos musicais da TV Record (e ponha auge nisso) ele comandava o Corte Rayol Show nas noites de sextas-feiras, dividindo a cena com o humorista Renato Corte Real (1924\/1982).<\/p>\n\n\n\n<p>Era, digamos, a vertente rom\u00e2ntica da programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazia um sucesso danado em muitos lares brazucas, inclusive l\u00e1 em casa, com a Dona Yolanda, minha m\u00e3e, e, acreditem, o Velho Aldo, meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 que \u00e9 m\u00fasica\u201d &#8211; dizia minha m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem um vozeir\u00e3o daqueles. \u00c9 o Tito Schipa brasileiro\u201d &#8211; comentava o pai, imbat\u00edvel \u00e0s suas refer\u00eancias italianas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, ambos queriam mesmo espica\u00e7ar o gosto musical do filho ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me dividia entre a bossa-nova, o rock, a MPB e o suingue sincopado de Ben Jor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para eles, uma imperdo\u00e1vel heresia que vilipendiava e comprometia o bom gosto musical dos Martinos, Leones, Chisolinis e Avezanis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, leitora Dona Izabel com z, o mundo gira, a Lusitana roda (dizia-se, naqueles idos) e foi para belel\u00e9u a fase de ouro da Record, acabou a cumplicidade entre TV e m\u00fasica popular, eclodiu o Tropicalismo a propor que tudo era divino, era maravilhoso, a MPB virou um amplo e diversificado painel sonoro nos anos 70 \u2013 e o grande fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo Sebasti\u00e3o Rodrigues, vulgo Tim Maia, decretou: \u201cTudo \u00e9 tudo. E nada \u00e9 nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Avalio que aquele foi o momento de maior magnitude da carreira de Agnaldo Rayol.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive quando recebeu o t\u00edtulo de \u201co Rei da Voz do Brasil\u201d, nobreza vaga desde a morte de Chico Alves (1898\/1952).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo em outro contexto, mais conturbado, Agnaldo Rayol n\u00e3o perdeu a eleg\u00e2ncia e a bela voz.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca saiu de cartaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Reinventou-se como gal\u00e3 de novela (em \u201cAs Pupilas do Senhor Reitor\u201d). Fez-se apresentador de sucesso, ao lado de Branca Ribeiro, no Festa Bailes, embicou a carreira para o resgate das belas can\u00e7\u00f5es italianas, bombou em trilhas de novelas e perdeu-se neste Brasilz\u00e3o para shows e apresenta\u00e7\u00f5es que sempre lhes eram gra\u00e7a e miss\u00e3o de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Abrilhantou centenas e centenas de cerim\u00f4nias de casamento com sua voz \u00fanica e impec\u00e1vel a interpretar Ave-Maria de Gounod.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, car\u00edssima leitora, lamento. Mas, n\u00e3o entrevistei Agnaldo Rayol como rep\u00f3rter.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tive o privil\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, ainda hoje, acredite Dona Izabel com z, lamento muito a perda inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Concordo com o que diz:<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um dos grandes artistas do s\u00e9culo 20 que se vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mexe com a gente, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Valorizemos, pois, nosso pranto e a inevit\u00e1vel lembran\u00e7a que, mais dia, menos dia, se far\u00e1 imensa saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o a participa\u00e7\u00e3o no Blog, Izabel com z.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem toda raz\u00e3o foi imperdo\u00e1vel o atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficarei mais atento. Para assim, merecer sua preciosa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fraterno abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ass.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Rodolfo, com f.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por falar em saudades&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Agnaldo Rayol, Agnaldo Tim\u00f3teo, Cauby Peixoto e Em\u00edlio Santiago - Concei\u00e7\u00e3o (Legendado)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WuXxN6N_DrA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Agnaldo Rayol\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Dona Izabel (\u201ccom z, por obs\u00e9quio\u201d) faz a cobran\u00e7a pertinente.<\/p>\n<p>A leitora quer saber \u201co real motivo\u201d que nada escrevi,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32901,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4174,2542,4175,4178,4176,1334,135,97,4177],"class_list":["post-32862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-agnaldo-rayol","tag-agnaldo-timoteo","tag-caubi","tag-conceicao","tag-dona-izabel","tag-emilio-santiago","tag-memoria","tag-mpb","tag-o-rei-da-voz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32862"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32906,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32862\/revisions\/32906"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}