{"id":32912,"date":"2024-11-11T08:00:00","date_gmt":"2024-11-11T08:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=32912"},"modified":"2024-11-14T18:10:21","modified_gmt":"2024-11-14T18:10:21","slug":"visita-ao-castelo-de-sao-martino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/visita-ao-castelo-de-sao-martino\/","title":{"rendered":"Visita ao castelo de S\u00e3o Martino*"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Hoje, 11 de novembro, a Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana reverencia a mem\u00f3ria de S\u00e3o Martino (397\/478), o dono do manto que cobriu Jesus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Visitei o Castelo de S\u00e3o Martino, em Napoli, naquele inverno de 2007.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Permitam-me, amigos, contar-lhes a lembran\u00e7a que tenho daquela jornada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O CASTELO DE S\u00c3O MARTINO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olhamos o mapa da cidade e o castelo de San Martino, onde existe um museu e uma igreja, ficava a dois dedos de dist\u00e2ncia do hotel. Um al\u00edvio.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia anterior, hav\u00edamos caminhado \u00e0 exaust\u00e3o para conhecer atra\u00e7\u00f5es, becos e bocas de Napoli.<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto cansado era indisfar\u00e7\u00e1vel em mim, e em cada um de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, vamos l\u00e1\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ao primeiro desafio do dia. Uma passada no cal\u00e7ad\u00e3o \u00e0 beira mar. Mais uma vez, olhar o porto onde meus av\u00f3s, l\u00e1 nos confins do tempo, partiram para tentar a vida no Brasil e \u201cperna pra quem te quer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00faltima conferida no mapa para nos orientar e a surpresa que me deixou um pouco triste e outro tanto feliz. Triste porque bastou erguer os olhos, do mapa para o real cen\u00e1rio da cidade, e divisarmos uma fortaleza, l\u00e1 distante, no alto de uma montanha \u2013 uns 650 metros de altura, por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00fabito protesto, meu corpo cansado despencou desalentado no primeiro banco de pra\u00e7a que apareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conseguiria.<\/p>\n\n\n\n<p>Napoli \u00e9 um labirinto de ruas estreitas e tortuosas, vielas, escadarias, cantos \u2013 tudo devidamente ornamentado pelas roupas estendidas nos varais e expostas aos olhares de quem passar. D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos sempre no mesmo lugar. Imposs\u00edvel o acesso.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed veio o motivo da felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por consenso, decidimos: iremos de \u00f4nibus.<\/p>\n\n\n\n<p>Me pus de p\u00e9 de pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos!\u201d, dei voz de comando \u00e0 tropa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas, qual \u00e9 o autobus?\u201d, algu\u00e9m lembrou.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1-lhe de andar \u00e0s tontas pela cidade. Paro diante da vitrine de uma loja da Armani \u2013 e \u00e9 um entra sai de gente sem nada comprar, \u00f3bvio -, um \u201csaldi\u201d imperd\u00edvel na Piazza It\u00e1lia \u2013 e tome outra excurs\u00e3o dentro da nossa quase excurs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 sempre quem queira parar para tomar um caf\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm caf\u00e9 s\u00f3, gente!\u201d e invadimos a cafeteria. Resultado: duas horas depois, \u00e9 hora de almo\u00e7ar que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Fomos descobrir o roteiro mesmo s\u00f3 l\u00e1 pelo meio da tarde, mais do que cansados, a carregar pacotes e casacos \u2013 pois, o tal do rigoroso inverno europeu n\u00e3o deu \u00e0s caras \u2013 e eu a arrastar um fastio, uma sonol\u00eancia gerada pela generosa por\u00e7\u00e3o de tortellini que derrubei na refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah!, o biquieri de vinho rosso tamb\u00e9m ajudou minha alma a clamar, baixinho, para os bot\u00f5es do meu sobretudo a lamber estoicamente aquele ch\u00e3o hist\u00f3rico:<br>\u2014 Meu reino por uma cama. Meu reino por uma cama.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cap\u00edtulo 2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe.<br><br>N\u00e3o era um simples autobus que nos levaria ao destino que planejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter\u00edamos que tomar o <em>funiculare<\/em>, uma esp\u00e9cie de \u201ctatuz\u00e3o\u201d em forma de bondinho que leva penca de turistas e moradores montanha acima, por dentro da pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que a Esta\u00e7\u00e3o Chiaia \u2013 jamais esquecerei esse belo nome \u2013 n\u00e3o estava funcionando naquele dia. Chiusa!<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, outra caminhada pela via Toledo para enfim, j\u00e1 na esta\u00e7\u00e3o, errarmos a linha do tal \u201cmetr\u00f4zinho\u201d e irmos parar do outro lado da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos ao ponto de partida.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por fim, tomamos o caminho do castelo que anunciei, aos quatro cantos desde a chegada \u00e0 It\u00e1lia, era de posse da fam\u00edlia Martino.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegarmos, a compensa\u00e7\u00e3o de todos os \u201cais\u201d: a tocante vis\u00e3o da ba\u00eda que se tem da pequena pra\u00e7a em frente \u00e0 fortaleza.<\/p>\n\n\n\n<p>Um encantar-se sem fim.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cap\u00edtulo 3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pequena porta d\u00e1 acesso ao claustro, projetado por Dosio no s\u00e9culo 16, e \u00e0s diversas alas do castelo, todas no melhor estilo do barroco napolitano.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre me deslumbro diante desses monumentos seculares e suas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai a\u00ed uma sensa\u00e7\u00e3o do ef\u00eamero da vida \u2013 a funda\u00e7\u00e3o do que chamam de \u2018certoza\u2019 \u00e9 do s\u00e9culo 14. Do quanto somos nada e da obra que deixamos ou deixaremos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O nobre Martino (desculpe a\u00ed, em plebeus) era um homem de f\u00e9 e \u00edntegro. Generoso com os pobres, \u00e9 celebre o seu gesto de cortar o manto com a pr\u00f3pria espada e dividi-lo com quem encontrasse passando frio.<\/p>\n\n\n\n<p>(\u00c9 bem verdade que n\u00e3o entendi porque o pr\u00edncipe n\u00e3o oferecia o manto todo. Bom, hist\u00f3ria \u00e9 hist\u00f3ria e h\u00e1 um quadro famoso que perpetua o gesto.)<\/p>\n\n\n\n<p>Certa noite, reza os sacros escritos, Jesus apareceu-lhe em sonho. Usava a metade do manto doado por Martino e disse aos anjos que o rodeava:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste aqui \u00e9 Martinho, o soldado romano n\u00e3o batizado: ele me cobriu com seu manto\u201d .<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ando pra c\u00e1, ando pra l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Descubro um terra\u00e7o com outra vis\u00e3o linda sobre o bairro hist\u00f3rico de Santa Lucia. Um jardim; atr\u00e1s do jardim, um pomar com \u00e1rvores repletas de laranjas. Volto e entro por uma ala desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7o uma voz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Signore, signore. Chiuso. Capisce? Chiuso, signore.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meu paciente filho faz a tradu\u00e7\u00e3o, com um sorriso diante da minha cara de espanto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pai, a\u00ed n\u00e3o pode entrar. Est\u00e1 chiuso. Fechado, entendeu?<\/p>\n\n\n\n<p>Levei t\u00e3o a s\u00e9rio a hist\u00f3ria de estar numa propriedade da fam\u00edlia que, sinceramente, n\u00e3o estranharia se algu\u00e9m me viesse entregar a chave do castelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, no m\u00ednimo, de parte dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o perco a pose.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a temperatura ambiente, visto o sobretudo com a nobreza de um leg\u00edtimo Martino. Me desculpo com o atento funcion\u00e1rio e dou por encerrada a visita.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, por\u00e9m, fa\u00e7o a ressalva:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Por essa vez passa, filh\u00e3o. Mas, da outra vez, tiro o passaporte, mostro o sobrenome e digo ao lacaio o que pode, o que n\u00e3o pode e quem manda nessa birosca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Skank - Andar Com F\u00e9\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XwzvFtVOMPc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>*Texto originalmente publicado em janeiro de 2007<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;<\/p>\n<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Hoje, 11 de novembro, a Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana reverencia a mem\u00f3ria de S\u00e3o Martino (397\/478), o dono do manto que cobriu Jesus.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32914,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4180,4182,2076,462,4181,135,1475,4179,318],"class_list":["post-32912","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-11-de-novembro","tag-castelo","tag-fe","tag-igreja","tag-manto","tag-memoria","tag-napoli","tag-sao-martino","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32912"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32943,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32912\/revisions\/32943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}