{"id":33148,"date":"2024-12-12T11:00:00","date_gmt":"2024-12-12T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=33148"},"modified":"2024-12-12T18:06:13","modified_gmt":"2024-12-12T18:06:13","slug":"ainda-estou-aqui-o-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ainda-estou-aqui-o-filme\/","title":{"rendered":"Ainda Estou Aqui, o filme"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Alile Dara Onawale\/Sony Pictures<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Perd\u00e3o, rar\u00edssimo leitor, car\u00edssima leitora&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que, no embalo do texto de ontem (<strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/nao-da-para-esquecer\/\">\u201cN\u00e3o d\u00e1 para esquecer\u201d<\/a><\/strong>), criei v\u00e3s expectativas ao prometer que hoje lhes falaria sobre Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que segue em cartaz &#8211; e com bom p\u00fablico \u2013 nos cinemas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deveria alardear coisas que n\u00e3o sou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 agora quando me preparo para escrever a humilde cr\u00f4nica do dia me dou conta da bobagem que lhes prometi:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; dar minha opini\u00e3o sobre o filme propriamente dito.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou cr\u00edtico de cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>O que posso lhes dizer que j\u00e1 n\u00e3o foi dito?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhem meu dilema!<\/p>\n\n\n\n<p>Penso e repenso.<\/p>\n\n\n\n<p>E decido.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou lhes falar das minhas impress\u00f5es, ok?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Entro no cinema com o cora\u00e7\u00e3o apertado. Sei o que me espera a partir da hist\u00f3ria que conheco dos livros e do notici\u00e1rio. Inevit\u00e1vel o travo amargo e tenso por reviver um tempo dos mais agoniantes da nossa hist\u00f3ria recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, registro o primeiro destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>A sens\u00edvel \u2013 mas contundente \u2013 narrativa da trama logo me envolve e, de certa forma, abranda minhas latentes ang\u00fastias.<\/p>\n\n\n\n<p>Bate em mim um, digamos, terno al\u00edvio de, tanto naqueles dias nebulosos como hoje (quando ainda vivemos sujeitos a chuvas, rel\u00e2mpagos e trovoadas), estar do lado certo da Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei lhes explicar essa sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que permeou meus pensamentos em v\u00e1rios momentos do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentarei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma cena que me emocionou foi o momento em que Rubem Paiva \u00e9 preso e se encaminha para o ve\u00edculo que o levar\u00e1 para sabe-se l\u00e1 onde&#8230; No instante derradeiro, Rubem\/Selton olha ternamente para a fam\u00edlia que assiste \u00e0 cena e expressa a doce e v\u00e3 expectativa de logo voltar para a casa, voltar para os seus.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele talvez desconfie. Mas, n\u00f3s, do lado de c\u00e1 da tela, sabemos que n\u00e3o haver\u00e1 volta.<\/p>\n\n\n\n<p>E os dias n\u00e3o ser\u00e3o mais os mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Selton Mello e Fernanda Torres, ali\u00e1s, como todos j\u00e1 disseram, est\u00e3o absolutos ao intepretar os protagonistas Rubem e Eunice Paiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Preciosa interpreta\u00e7\u00e3o de ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro momento nos tornamos amigos e c\u00famplices do casal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra cena que me balan\u00e7ou al\u00e9m da conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Eunice est\u00e1 no cativeiro h\u00e1 dias. Tem consci\u00eancia do que est\u00e1 em jogo, mas n\u00e3o tem conhecimento do que a levou ali. Rubem Paiva nada lhe disse do apoio que dava aos perseguidos pelos ditadores de ent\u00e3o. Mant\u00e9m, mesmo assim, uma postura firme. N\u00e3o demonstra qualquer laivo de medo diante dos sabujos e dos horrores que vive.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa das vezes em que \u00e9 chamada a depor (pela en\u00e9sima vez), o soldado que a acompanha n\u00e3o cont\u00e9m sua admira\u00e7\u00e3o por aquela manifesta\u00e7\u00e3o de coragem e dignidade. Toca delicadamente em seu bra\u00e7o, e lhe diz baixinho: \u201cQuero dizer para a senhora que cumpro ordem, mas n\u00e3o concordo com nada do que est\u00e1 acontecendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um jovem recruta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca em que tudo aconteceu, eu estaria entre os 18 ou 19 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Me ocorreu uma inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu poderia estar no lugar do gajo.<\/p>\n\n\n\n<p>Deveria estar servindo ao Ex\u00e9rcito naquele per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cexcesso de contingente\u201d me salvou da presepada obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida tem seus desv\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra sequ\u00eancia que mexe comigo al\u00e9m da conta,<\/p>\n\n\n\n<p>Quando lhe devolvem a liberdade, Eunice\/Fernanda volta para a casa. O reencontro com os filhos. Est\u00e1 destro\u00e7ada pelas vicissitudes que viveu no c\u00e1rcere. H\u00e1 aquele primeiro reconhecimento com o olhar dda velha casa que n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo lar, o banho demorado para livrar-se das marcas, o sono reparador dos males do corpo, mas nunca d&#8217;alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, v\u00ea-se a nova Eunice em cena, Consciente dos desafios que ir\u00e1 enfrentar e lena da miss\u00e3o e que a vida lhe imp\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso dar um jeito, meus amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, sair do cinema \u2013 a sala ainda escura \u2013 ao som da velha can\u00e7\u00e3o do Erasmo, grande e saudoso Erasmo Carlos, \u00e9 algo que n\u00e3o sei descrever. Algo ainda inebriado, o que fiz quando de volta \u00e0 luz no corredor que dava para o sagu\u00e3o do cinema, foi disfar\u00e7ar e levar as duas m\u00e3os aos olhos como se um punhado da fina areia do tempo tivesse me emba\u00e7ado a vis\u00e3o e feito chorar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descansar n\u00e3o adianta<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a gente se levanta<\/p>\n\n\n\n<p>Tanta coisa aconteceu&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Erasmo Carlos - \u00c9 preciso dar um jeito meu amigo\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w7IRKnGiNLg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Alile Dara Onawale\/Sony Pictures<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Perd\u00e3o, rar\u00edssimo leitor, car\u00edssima leitora&#8230;<\/p>\n<p>Penso que, no embalo do texto de ontem (<strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/nao-da-para-esquecer\/\">\u201cN\u00e3o d\u00e1 para esquecer\u201d<\/a><\/strong>),<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33151,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4233,4235,158,4276,4277,283,4234],"class_list":["post-33148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-ainda-estou-aqui","tag-fernanda-torres","tag-filme","tag-globo-de-ouro","tag-julia","tag-memorias","tag-selton-mello"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33148"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33167,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33148\/revisions\/33167"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}