{"id":33489,"date":"2025-02-03T00:00:00","date_gmt":"2025-02-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=33489"},"modified":"2025-02-08T07:10:03","modified_gmt":"2025-02-08T07:10:03","slug":"a-lembrar-herzog-marcao-e-vas-utopias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lembrar-herzog-marcao-e-vas-utopias\/","title":{"rendered":"A lembrar Herzog, Marc\u00e3o e v\u00e3s utopias"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cVlado \u2013 30 anos depois\u201d. Ao meu lado, os jornalistas Mino Carta e George Duque Estrada\/ Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em>, 2015<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meus Deus, l\u00e1 se v\u00e3o 50 anos&#8230;&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Rememoro com aperto no cora\u00e7\u00e3o na sala escura do cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o resisti &#8211; e fui ver, outra vez, o filme <em>Ainda Estou Aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos do\u00eddos espantos que me causou o filme de Walter Salles foi ver, em meio \u00e0s cenas finais, ali \u00e0 minha frente, estampada na tela gigante, a foto do jornalista e professor Vladimir Herzog, brutalmente assassinado pelos trogloditas da ditadura militar, no DOI-CODI, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Herzog era professor de telejornalismo da minha turma da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo, em outubro de 1975, quando foi preso, torturado e &#8211; repito &#8211; brutalmente assassinado numa opera\u00e7\u00e3o clandestina e est\u00fapida, similar a que tirou a vida do ex-deputado Rubem Paiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais me corr\u00f3i, nessa dolorida lembran\u00e7a, \u00e9 constatar, impotente, que tal fato aconteceu &#8211; como disse &#8211; h\u00e1 quase 50 anos e o Brasil e o mundo ainda vivem \u00e0 sombra desses toscos aspirantes a tiranos, com ares segregacionistas a espumar \u00f3dios, trucul\u00eancias e insanidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8216;esperan\u00e7a equilibrista&#8217;, que diz a can\u00e7\u00e3o, permanece por um fio a caminhar sob o arame, sem rede de prote\u00e7\u00e3o..<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vivemos dias melhores, meus caros.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro que, em 2005, o jornalista Mino Carta veio a S\u00e3o Bernardo do Campo participar de encontro com estudantes do curso de jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Tema da palestra: exatamente os 30 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog nos por\u00f5es da ditadura..<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, Mino saudou os jovens e futuros jornalistas e os lembrou que, apesar de todos os pesares, viv\u00edamos ent\u00e3o um momento em que se ousava sonhar com um pa\u00eds mais justo, mais solid\u00e1rio, mais contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, destacou, a consolida\u00e7\u00e3o do estado democr\u00e1tico seria a pedra filosofal. A partir da\u00ed, se extirpariam todos os males sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Durou pouco o sonho sonhado, amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meu primeiro editor, o jornalista Ant\u00f4nio de Oliveira Marques, gostava de contar a hist\u00f3ria que viveu no dia do suic\u00eddio do presidente Get\u00falio Vargas, em agosto de 54. Marc\u00e3o e outros jovens militantes editaram um jornal de uma s\u00f3 folha e uma s\u00f3 not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>E sa\u00edram pelo centro de S\u00e3o Paulo a espalhar a convoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Que o Povo saia \u00e0s ruas e tome para si o destino da P\u00e1tria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Linda utopia que nos parece ainda e cada vez mais distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Que povo?<\/p>\n\n\n\n<p>Que p\u00e1tria?<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho certeza que, hoje, algu\u00e9m perguntaria, com ar sinistro e nenhum senso de fraternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Elis Regina O B\u00eabado e A Equilibrista\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6kVBqefGcf4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Marias e Clarices, nomes que enfeitam os primorosos versos de Aldir Blanc para a melodia de Jo\u00e3o Bosco, na eterna &#8220;O B\u00eabado e a Equilibrista&#8221;, pois estes, amigos, referem-se justamente \u00e0s esposas de Herzog e Manuel Fiel Filho, assassinados pelas for\u00e7as ditatoriais em S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>\u201cVlado \u2013 30 anos depois\u201d. 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