{"id":33591,"date":"2025-02-12T09:00:00","date_gmt":"2025-02-12T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=33591"},"modified":"2025-02-13T13:55:57","modified_gmt":"2025-02-13T13:55:57","slug":"jovem-guarda-60-anos-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jovem-guarda-60-anos-4\/","title":{"rendered":"Jovem Guarda, 60 anos (4)"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Jovem Guarda\/TV Record\/Acervo MIS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes um breve contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9cada de 60.  <\/p>\n\n\n\n<p>Nem tudo era festa  pelo mundo e por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o entre os 15 e 20 anos que n\u00e3o viveu as tribula\u00e7\u00f5es da trag\u00e9dia planet\u00e1ria que foi a Segunda Grande Guerra. Talvez por isso mostra-se, via de regra mais inquieta em busca de caminhos pr\u00f3prios e \u00e1vida por se despregar do etigma de ser &#8216;um mini adulto&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Revela-se assim na vida, arte e, v\u00e1 l\u00e1!, nos amores.<\/p>\n\n\n\n<p>Eclode o que genericamente se denominou &#8216;o conflito de gera\u00e7\u00f5es&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro agora o professor do curso secund\u00e1rio, o professor Cassimiro, a nos dizer \u00e0 \u00e9poca:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O jovem de hoje n\u00e3o sabe o que quer, mas sabe exatamente o que n\u00e3o quer. Fa\u00e7o gosto que procure e encontre&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo entrado nos 60, o prof. Cassimiro era dos nossos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cham\u00e1va-nos de &#8216;rebeldes sem causa&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Diria que proclam\u00e1vamos, talvez ingenuamente, a ruptura com os tais padr\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diria mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00edamos um lusco-fusco de situa\u00e7\u00f5es. Um per\u00edodo marcado por inquieta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (a Guerra Fria, os golpes militares na Am\u00e9rica Latina, regimes ditatoriais despontando aqui e ali, inclusive no Brasil), culturais (especialmente na m\u00fasica popular, com o aparecimento dos Beatles; mas n\u00e3o s\u00f3) e sociais (o feminismo, a luta antirrascista, as causas identit\u00e1rias, os movimentos populares, as manifesta\u00e7\u00f5es pelos direitos dos trabalhadores, a pauta da reforma agr\u00e1ria entre outras tantas propostas libert\u00e1rias).<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente no Brasil, a ren\u00fancia do ent\u00e3o presidente J\u00e2nio Quadros (agosto de 1961) empurrou o pa\u00eds para uma grande convuls\u00e3o social que deu origem ao malfadado Golpe de mar\u00e7o\/abril de 1964 e uma tr\u00e1gica ditadura que durou 21 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Deixemos o sociologu\u00eas de lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o social, via-se a lenta &#8211; mas definitiva &#8211; sucess\u00e3o da influ\u00eancia do r\u00e1dio para a TV como instrumento de alcance nacional junto \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A TV Record, intuitivamente ou n\u00e3o, entendeu bem o fen\u00f4meno e o momento. Desenvolveu, com \u00eaxito, toda uma grade de programas com base na m\u00fasica popular. Implantou a chamada Era dos Festivais e, a partir da\u00ed, uma gama de musicais para todos os gostos.<\/p>\n\n\n\n<p>A saber:<\/p>\n\n\n\n<p>O<em> Fino da Bossa<\/em> (comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, voltado pela MPB), o <em>Corte Rayol Show<\/em> (para os adeptos da m\u00fasica rom\u00e2ntica, com Agnaldo Rayol e Renato Corte Leal), <em>Show em Symonal<\/em> (para os descolados da turma da pilantragem), <em>Bossaudade<\/em> (com Elizeth Cardoso e Ciro Monteiro e os nomes da Velha Guarda), <em>Astros dos Discos <\/em>(a parada de sucessos semanal), <em>Esta Noite Se Improsiva <\/em>( um quiz musical comandado por Blota J\u00fanior e juntando renomados artistas do fabuloso cast da Record) e a nossa <em>Jovem Guarda <\/em>que, sem d\u00favida, era o de maior popularidade entre todas as atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A Record passou a ser incontest\u00e1vel l\u00edder de audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A<em> <\/em>Jovem Guarda<em> <\/em>era o carro-chefe.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Toda fama, queiramos ou n\u00e3o, atrai o reverso da gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p> Havia setores que faziam severas cr\u00edticas ao &#8216;rufi\u00f5es da Jovem Guarda&#8217;. <\/p>\n\n\n\n<p>Diziam que os caras eram alienados e n\u00e3o estavam nem a\u00ed para a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Pa\u00eds (como disse, viv\u00edamos um regime ditatorial). Que importavam usos, costumes e guitarras de culturas alien\u00edgenas e n\u00e3o passavam de um bando de cabeludos e desordeiros, trajando roupas extravagantes e vulgares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pegavam pesado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem ouvia MPB \u2013 e muitos dos pr\u00f3prios artistas \u2013 n\u00e3o suportava a <em>Jovem Guarda<\/em> e sua m\u00fasica \u201cde baix\u00edssima qualidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os filhos da bossa-nova, os garot\u00f5es cabeludos e as mo\u00e7oilas de minissaia formavam um bando de suburbanos e chinfrins.<\/p>\n\n\n\n<p>Era assim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que um belo dia Maria Beth\u00e2nia disse para Caetano \u201couvir aquela can\u00e7\u00e3o de Roberto\u201d \u2013 e veio o Festival de 67, &#8220;Alegria, Alegria&#8221;, &#8220;Domingo no Parque&#8221;, o Tropicalismo e tudo mudou\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Jovem Guarda virou cult. <\/p>\n\n\n\n<p>Continuou a ser \u201cuma festa de arromba\u201d e a influenciar a febre do rock tupiniquim nos anos 80 e outras tantas ondas musicais que se sucederam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Numa das vezes que entrevistei Erasmo Carlos, ele me disse, sem m\u00e1goas, que os cr\u00edticos afirmavam, com todas as letras, que o sucesso da Jovem Guarda n\u00e3o duraria seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Erraram feio.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1 estamos a reverenciar os 60 anos do movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Parece que foi ontem, diz o amigo Escova, t\u00e3o jovemguardiano como eu.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;]\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a irrever\u00eancia t\u00edpica dos jovens do s\u00e9culo 21, o Skank cantou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Skank - \u00c9 Proibido Fumar (Multishow Ao Vivo no Mineir\u00e3o)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rW4wkgfirIk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Jovem Guarda\/TV Record\/Acervo MIS<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Dou-lhes um breve contexto.<\/p>\n<p>D\u00e9cada de 60.  <\/p>\n<p>Nem tudo era festa  pelo mundo e por aqui.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33612,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4368,1983,4363,1466,135,4362,1839,1651,4367],"class_list":["post-33591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-contexto","tag-erasmo-carlos","tag-ie-ieie","tag-jovem-guarda","tag-memoria","tag-musica-jovem","tag-roberto-carlos","tag-tv-record","tag-wanderlea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33591"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33621,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33591\/revisions\/33621"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}