{"id":33932,"date":"2025-03-25T08:00:00","date_gmt":"2025-03-25T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=33932"},"modified":"2025-03-25T13:35:58","modified_gmt":"2025-03-25T13:35:58","slug":"a-lembrar-lourenco-diaferia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lembrar-lourenco-diaferia\/","title":{"rendered":"A lembrar Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Vez por outra acontece. A gente acorda com um sentimento estranho, uma sensa\u00e7\u00e3o de que o dia ser\u00e1 ingrato, opaco, pesaroso. Um sentimento de amea\u00e7a, de que nada ir\u00e1 dar certo. Atrav\u00e9s da veneziana o dia acorda seu alvorecer. Mesmo sem abrir as folhas da janela sei que os pr\u00e9dios me esperam com seu corpo hirto de concreto, espreitando na n\u00e9voa densa da manh\u00e3 minha rea\u00e7\u00e3o de desencanto. Ainda n\u00e3o h\u00e1 azul no c\u00e9u, e nem sei se haver\u00e1. O Sol, atr\u00e1s das nuvens, \u00e9 um mist\u00e9rio pessoal da estrela. H\u00e1 um rumor surdo de avi\u00e3o atr\u00e1s da bruma, no alto, viajando. Como seria f\u00e1cil se pud\u00e9ssemos voar acima de nossas preocupa\u00e7\u00f5es corriqueiras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que inveja dos pilotos e dos bal\u00f5es de papel de seda.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>*Trecho da cr\u00f4nica <strong>A Flor da minha cidade<\/strong>, escrita por <strong>Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria<\/strong>, publicada pela <strong>Folha de S.Paulo <\/strong>em 25\/08\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria (1933\/2008), o cronista dos becos e das ruas da cidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 outra das refer\u00eancias deste humilde Blog prestes a completar 5 mil postagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o post de n\u00famero 4998.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9ramos jovens estudantes de jornalismo. <\/p>\n\n\n\n<p>Marc\u00e3o me dava carona, em seu fusca-bala, na volta da Universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Destino: o tradicional bairro do Ipiranga. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu morava por ali, num apartamento alugado na rua Agostinho Gomes e, desconfio, j\u00e1 trabalhava na<em> Gazeta do Ipiranga<\/em>. Marc\u00e3o vinha filar a boia na casa dos pais da namorada que tamb\u00e9m residiam naquelas imedia\u00e7\u00f5es junto ao Museu do ipiranga e, depois, seguia para a Folha, onde era um promissor rep\u00f3rter da editoria de Esportes.<\/p>\n\n\n\n<p>Convers\u00e1vamos sobre as coisas do nosso cotidiano. Futebol, principalmente. Marc\u00e3o era (e \u00e9) corinthiano (&#8220;com h, por favor&#8221;) e eu, por \u00f3bvio, palmeirense com origem e proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00ednhamos uma conviv\u00eancia tranquila, nem poderia ser diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos outros, meus caros e raros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu gostava quando fal\u00e1vamos de jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialmente quando Marc\u00e3o me descrevia o encantamento que a todos envolvia quando o cronista Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria batucava sua colabra\u00e7\u00e3o para o jornal numa velha m\u00e1quina de escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>De que parte da alma, do cora\u00e7\u00e3o e da mente, o homem concebia aquelas imagens magn\u00edficas e t\u00e3o singelas que compunham a cr\u00f4nica do jornal? <\/p>\n\n\n\n<p>No meio daquele fusu\u00ea todo que era o fechamento das edi\u00e7\u00f5es di\u00e1rias do jornal, Diaf\u00e9ria parecia viver em outra dimens\u00e3o t\u00e3o extraordin\u00e1ria quanto comum a n\u00f3s e ao homem comum &#8211; inapelavelmente o objetio final, sen\u00e3o \u00fanico, dos seus escritos irretoc\u00e1veis..<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem dia que ele diz estar sem assunto. Vai at\u00e9 a padoca, toma um caf\u00e9 com uns caras que est\u00e3o por ali e volta com a hist\u00f3ria pronta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As palavras do amigo sobre Diaf\u00e9ria ressoavam magia, alquimia, dom. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu, igualmente encantado, balan\u00e7ava a cabe\u00e7a a imaginar um dia escrever como Diaf\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Diaf\u00e9ria pertence \u00e0 nobre linhagem dos imortais Rubem Braga, Drummond, Paulo Mendes Campos, S\u00e9rgio Porto, Aldir Blanc, Manoel Maria, Vin\u00edcius, Fernando Sabino, Pl\u00ednio Marcos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E eu , como os bons amigos sabem, um sem no\u00e7\u00e3o que insiste lida na v\u00e3 ilus\u00e3o de dias melhores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Vide Verso Meu Endere\u00e7o\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wVL4NFeXfzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Vez por outra acontece. 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