{"id":34000,"date":"2025-04-01T11:00:00","date_gmt":"2025-04-01T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=34000"},"modified":"2025-04-01T17:06:02","modified_gmt":"2025-04-01T17:06:02","slug":"adolescencia-a-minisserie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/adolescencia-a-minisserie\/","title":{"rendered":"Adolesc\u00eancia, a miniss\u00e9rie"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p> Bom amigo e leitor do Blog, tamb\u00e9m jornalista (\u00f4 sina!) &#8211; juro que n\u00e3o \u00e9 o Escova &#8211; faz a sugest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEscreve a\u00ed: Dez motivos para assistir \u00e0 s\u00e9rie <em>Adolesc\u00eancia<\/em>, da Netflix.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E conclui:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFaz a experi\u00eancia. Vai dar um mont\u00e3o de cliques\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o a sugest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho bem-vinda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ressalto, n\u00e3o sei se sei fazer as coisas assim, desse jeito. Assim moderninhas, como pede e manda a cartilha do internet\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou das antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>E o tom das minhas historietas \u00e9 bem outro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que me ocorreu ao assistir \u00e0 \u00e1spera miniss\u00e9rie (em quatro epis\u00f3dios, gravadas em sequ\u00eancias cont\u00ednuas) foi lembrar que, nos meus tempos de adolescente, houve situa\u00e7\u00e3o semelhante ao tr\u00e1gico entrecho que a trama de <em>Adolesc\u00eancia<\/em> nos traz em tom de alerta geral: um menino de 13 anos mata uma garota, colega da sua escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era garoto, vivi, digamos, indiretamente a triste realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aconteceu nas imedia\u00e7\u00f5es do campinho onde a molecada jogava futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Resumidamente, o que se soube \u00e0 \u00e9poca: um dos nossos foi exibir a arma do pai policial e deu-se a trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima, outro da nossa turma.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o estava naquela fat\u00eddica tarde. Soube a not\u00edcia da boca de outros garotos na sa\u00edda do col\u00e9gio. Um diz-que-diz danado. N\u00e3o acreditei.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois tive a confirma\u00e7\u00e3o, em casa, pela voz em tom de desespero da minha pr\u00f3pria m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma como\u00e7\u00e3o em todos aqueles quadrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ficamos semanas sem dar as caras na rua e no campinho \u2013 e o autor do tiro (acidental?) e a fam\u00edlia mudaram-se para lugar incerto e n\u00e3o sabido.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro a consterna\u00e7\u00e3o de todos \u2013 adultos, inclusive e sobretudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A solidariedade \u00e0 fam\u00edlia enlutada, o olhar penalizado \u00e0 outra fam\u00edlia, o sil\u00eancio e as conversas enviesadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida custou a voltar ao normal por aquelas bandas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou na mem\u00f3ria a observa\u00e7\u00e3o do Sr. Floriano, amigo do pai:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi o melhor que fizeram. Aqui, para eles e para o menino, seria muito dif\u00edcil para todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>In\u00edcio dos anos 60.<\/p>\n\n\n\n<p>O bom senso e a regra geral diziam:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se deve ter arma em casa. Menos ainda deix\u00e1-la ao alcance das crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Corto para a miniss\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 outro. Um vilarejo na Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tempos s\u00e3o outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A garotada, de uniforme vistoso, palet\u00f3 e gravata, \u00e9 igual, mas diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o cotidiano do bairro, do col\u00e9gio e especialmente de uma fam\u00edlia aparentemente normal, de porte m\u00e9dio, vem abaixo ap\u00f3s o filho mais novo, de 13 anos, ser preso acusado de assassinar brutalmente uma garota, colega de escola.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, a miniss\u00e9rie foca nas investiga\u00e7\u00f5es, no drama dos pais, na jovem irm\u00e3 (sempre com o celular na m\u00e3o) e mesmo nas nuances do casal que trabalha na elucida\u00e7\u00e3o das causas de tamanha viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diria que o espectador acompanha algo em choque (as cenas filmadas em sequ\u00eancias interligadas ditam o ritmo das a\u00e7\u00f5es) as duas realidades vigentes nos dias atuais \u2013 e que muitas e muitas vezes nos passam despercebidas:<\/p>\n\n\n\n<p>(1) A vida real, o cotiiano nosso de cada dia e<\/p>\n\n\n\n<p>(2) a implac\u00e1vel voracidade do universo digital onde se constr\u00f3i \u2013 e tamb\u00e9m se destr\u00f3i \u2013 as personalidades e os anseios dos jovens neste s\u00e9culo 21.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Minha impress\u00e3o: o \u201cnovo normal\u201d fica ao dom\u00ednio das m\u00faltiplas plataformas que \u00e9 envolto e sinais e, implac\u00e1vel, a todos contaminam.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais se veem impotentes, incr\u00e9dulos \u2013 \u201conde foi que erramos?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A vizinhan\u00e7a alimenta-se de um misto de curiosidade e morbidez.<\/p>\n\n\n\n<p>E a vida segue aos trancos das conex\u00f5es que priorizam o <em>bulling<\/em> e a gratuidade do \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Emo\u00e7\u00f5es e sentimentos desaparecem diante de arroubos e emojis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Chamo a aten\u00e7\u00e3o para um dos di\u00e1logos entre os pais e a irm\u00e3 do garoto. <\/p>\n\n\n\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o in\u00f3spita que vivem, a m\u00e3e cogita a mudan\u00e7a para outra cidade. O pai \u00e9 contra, fala em enfrentar a situa\u00e7\u00e3o. A filha d\u00e1 o inevit\u00e1vel veredito: n\u00e3o vai adiantar qualquer mudan\u00e7a, mais cedo ou mais tarde, as redes sociais ser\u00e3o implac\u00e1veis na repercuss\u00e3o do fato, do \u00f3dio e da coer\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dire\u00e7\u00e3o de Philip Barantini e escrito por Jack Thorne, <em>Adolesc\u00eancia<\/em> est\u00e1 na Netflix \u2013 e \u00e9 uma das s\u00e9ries mais vistas do streaming.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Adolesc\u00eancia | Trailer oficial | Netflix\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mh48KXaCSxM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p> Bom amigo e leitor do Blog, tamb\u00e9m jornalista (\u00f4 sina!) &#8211; juro que n\u00e3o \u00e9 o Escova &#8211; faz a sugest\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cEscreve a\u00ed: Dez motivos para assistir \u00e0 s\u00e9rie <em>Adolesc\u00eancia<\/em>,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4460,1122,2787,4407,3810,1445,4461,1002,4462],"class_list":["post-34000","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-adolescencia","tag-assassinato","tag-jovens","tag-minisserie","tag-netflix","tag-novo-normal","tag-policia","tag-redes-sociais","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34000"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34012,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34000\/revisions\/34012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}