{"id":34499,"date":"2025-06-03T09:00:00","date_gmt":"2025-06-03T09:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=34499"},"modified":"2025-06-09T14:42:22","modified_gmt":"2025-06-09T14:42:22","slug":"gil-e-chico-buarque-a-historia-rediviva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/gil-e-chico-buarque-a-historia-rediviva\/","title":{"rendered":"Gil e Chico Buarque. A Hist\u00f3ria rediviva"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Reprdu\u00e7\u00e3o do Facebook de Gilberto Gil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vamos ao que pode\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A voz do cantor e compositor Chico Buarque de Holanda ecoou pelo Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi, durante uma iniciativa da ent\u00e3o gravadora Phonogran de reeditar os gloriosos tempos dos festivais. O evento chamou-se Phono 73 e, por iniciativa do superintendente executivo, o mago Andr\u00e9 Midani, reuniu todo o milion\u00e1rio elenco da gravadora \u2013 al\u00e9m de Chico, Caetano, Gil, Elis, Vinicius, Nara Le\u00e3o, Beth\u00e2nia, Gal, Jair Rodrigues, Raul Seixas entre outros. <\/p>\n\n\n\n<p>Os artistas se apresentaram em duplas \u2013 por vezes, exc\u00eantricas como Caetano Veloso e Odair Jos\u00e9, outras por afinidade como Ivan Lins e MPB-4, mas todos, todos mesmo com a proposta de surpreender a plateia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A ent\u00e3o MPB j\u00e1 n\u00e3o contava com a cumplicidade da televis\u00e3o para catapultar os grandes nomes \u00e0 popularidade que alcan\u00e7aram nos fe\u00e9ricos anos 60. Por isso, Midani quis reviver ainda que, num breve fim de semana, os tempos idos e febris. Reviver, mas n\u00e3o s\u00f3 reviver. Pois o que se havia feito na Record e, posteriormente, na Globo trazia em si uma forma desgastada. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, ele tentou inovar e criou a hist\u00f3ria das duplas inusitadas, impens\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa proposta, coube a Chico Buarque cantar a in\u00e9dita \u201cC\u00e1lice\u201d com o at\u00e9 ent\u00e3o suposto \u2018desafeto\u2019 Gilberto Gil numa apresenta\u00e7\u00e3o mais do que esperada. <\/p>\n\n\n\n<p>Por dois motivos. <\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; Ainda havia resqu\u00edcios da hist\u00f3ria do Festival da Record de 68. Gil estaria na plateia do Teatro Record a comandar (ou simplesmente c\u00famplice do coro de vaias a Chico e MPB-4 que interpretavam a bem-comportada \u2018Bem-Vinda\u2019. Gil e Caetano participaram com a can\u00e7\u00e3o \u201c\u00c9 Proibido Proibir\u201d, defendida pela explosiva Gal Costa. <\/p>\n\n\n\n<p>(No livro \u201cVerdade Tropical\u201d, Caetano Veloso desfez esse equ\u00edvoco. Mas, \u00e0quela \u00e9poca, a vers\u00e3o era de que Chico e os tropicalistas n\u00e3o se topavam.)<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211;  A apresenta\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o in\u00e9dita \u201cC\u00e1lice\u201d, m\u00fasica que, segundo coment\u00e1rios, n\u00e3o havia escapado \u00e0 sanha dos brutamontes da censura federal. Mesmo assim, os autores prometiam apresentar unicamente a melodia no palco do Anhembi. Um desafio \u00e0s ordens postas pelos Senhores do Poder. Em todos os presentes, havia o frisson de testemunhar a mais esse ato de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Chico cantou \u201cBaioque\u201d e, logo a seguir, chamou Gil ao palco. <\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00fablico prendeu a respira\u00e7\u00e3o. Com ar de aparente tranquilidade, os m\u00fasicos trocaram algumas palavras entre si \u2013 o que deu a entender era uma prepara\u00e7\u00e3o especial para a can\u00e7\u00e3o da noite. Come\u00e7aram os primeiros acordes, e os cantores a acompanhar a can\u00e7\u00e3o, mas inventando ali, na hora, uma letra de express\u00f5es irreconhec\u00edveis, desconexas. Um certo espanto. <\/p>\n\n\n\n<p>E, de repente, o teatro ficou parcialmente \u00e0s escuras e os artistas sem som nos microfones.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Era inevit\u00e1vel a a\u00e7\u00e3o dos censores que se fez presente, abrupta e insana, a revelar o momento de obscurantismo que ent\u00e3o viv\u00edamos. O s\u00fabito corte da rede el\u00e9trica deixou a plateia apreensiva. <\/p>\n\n\n\n<p>E agora o que viria?<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da indigna\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos e para evitar o pior, Chico preferiu contemporizar. <\/p>\n\n\n\n<p>A voz do int\u00e9rprete se fez ouvir, mesmo sem a amplitude das caixas de som.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vamos ao que pode. Ao que pode\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Luzes acesas. Microfones ligados.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele cantou a rom\u00e2ntica \u201cNoites dos Mascarados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem \u00e9 voc\u00ea\u2026 Adivinha se gosta de mim\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Maio de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha pouco mais de 20 anos \u2013 22 para ser exato \u2013, cursava a faculdade de jornalismo e trazia meu alforje repleto de sonhos e vontades. Mas, tamb\u00e9m havia espa\u00e7o para d\u00favidas e incertezas. Ang\u00fastias. Sentimentos pr\u00f3prios a quem prepara-se para enfrentar uma realidade que n\u00e3o conhece e lhe \u00e9 imprevis\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Creio que, mesmo neste ponto, n\u00e3o devo ter sido t\u00e3o diferente dos jovens de hoje. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Junho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 52 anos e alguns dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os octogen\u00e1rios Gilberto Gil e Chico Buarque re\u00fanem-se no palco. \u00c9 o \u00e1pice do show\/celebra\u00e7\u00e3o &#8216;Tempo Rei&#8217; que tem o baiano como protagonista e Chico como convidado para, de certa forma, refazer a can\u00e7\u00e3o em pleno s\u00e9culo 21. Redimensionar aquele momento hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um momento tocante, dif\u00edcil defini\u00e7\u00e3o para os da minha gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>(\u00c0s vezes, me dou conta de que andamos, andamos e voltamos ao mesmo e amea\u00e7ador lugar.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, estar ali no Anhembi me deu a pertubadora certeza do que seguiria vida afora. <\/p>\n\n\n\n<p>Ser jornalista era a seta. <\/p>\n\n\n\n<p>O alvo:<\/p>\n\n\n\n<p>Dar voz e vez aos injusti\u00e7ados, aos desvalidos, aos que se prop\u00f5e construir um Brasil para todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Fant\u00e1stico: Gilberto Gil e Chico Buarque vivem momento hist\u00f3rico no Rio de Janeiro\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HPFsLrZpbV0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Texto original:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vamos ao que se pode&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p>25.10.2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprdu\u00e7\u00e3o do Facebook de Gilberto Gil<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Vamos ao que pode\u2026<\/p>\n<p>A voz do cantor e compositor Chico Buarque de Holanda ecoou pelo Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34500,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[376,3103,168,192,54,571,97,2636,2318,4632],"class_list":["post-34499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-andre-midani","tag-calice","tag-censura","tag-chico-buarque","tag-gilberto-gil","tag-historia","tag-mpb","tag-phono-73","tag-tempo-rei","tag-vamos-ao-que-pode"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34499"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34546,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34499\/revisions\/34546"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}