{"id":35040,"date":"2025-08-18T11:00:00","date_gmt":"2025-08-18T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35040"},"modified":"2025-08-18T15:44:45","modified_gmt":"2025-08-18T15:44:45","slug":"na-lanchonete-do-seu-oswaldo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/na-lanchonete-do-seu-oswaldo\/","title":{"rendered":"Na Lanchonete do Seu Oswaldo&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: o mais famoso hamb\u00farguer do Ipiranga\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Permitam-me uma quest\u00e3o de cunho, digamos, existencial:<\/p>\n\n\n\n<p>Os amigos e am\u00e1veis leitores j\u00e1 experimentaram um hamb\u00farguer com inequ\u00edvoco gosto de saudade?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Falarei sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte e tantos anos depois ou mais, topei o convite da fam\u00edlia para almo\u00e7ar na Lanchonete do Seu Oswaldo, conhecido pelo saboroso hamb\u00farguer, com molho especial\u00edssimo que o saudoso Oswaldinho inventou e faz enorme sucesso desde a d\u00e9cada de 60, quando a casa foi inaugurada na rua Bom Pastor, no bairro do Ipiranga em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabiam que a Lachonhete do Seu Oswaldo foi uma das pioneiras da metr\u00f3pole?<\/p>\n\n\n\n<p>Sou testemunha ocular dessa hist\u00f3ria,<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um tanto ampliada, com a abertura de uma outra ala, mas diria que permanece quase a mesma desde aqueles idos tempos quando, ainda deslumbrado pela novidade e contando meus parcos trocados, entrei pela primeira vez no lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde de ent\u00e3o, j\u00e1 se formavam longas filas de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde de s\u00e1bado, esperamos pouco mais de 30 minutos para nos chamarem \u00e0 mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tempo que inevitavelmente usei para me perder numa espiral de recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrei  e senti falta da antiga decora\u00e7\u00e3o da casa, com os grandes posters de artistas que ornamentaram por anos as paredes da lanchonete. Eram de Ursula Andrews (na cena em que a loira sai do mar, num dos filmes do 007), Raquel Welch (ou seria de Jane Fonda, numa cena do filme Barbarella? \u00d4 mem\u00f3ria!) e do ator Terence Stamp, como personagem do intrigante filme Teorema, de Pier Paolo Pasolini, que tanta pol\u00eamica gerou \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu devia ter uns 16 anos quando l\u00e1 estive pela primeira vez e provei o tal hamb\u00farguer \u2013 novidade em terras nativas. <\/p>\n\n\n\n<p>Era o pr\u00f3prio seo Osvaldo quem atendia no balc\u00e3o \u2013 e assim foi at\u00e9 meses antes do seu falecimento, em 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizia-se que o molho do seu lanche tinha um tempero \u00fanico, e o segredo da receita ele n\u00e3o revelava.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia a lenda de que ele pr\u00f3prio cuidava da feitura do moho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembran\u00e7as, lembran\u00e7as, lembran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas digo. Voltei in\u00fameras vezes \u00e0 lanchonete. <\/p>\n\n\n\n<p>Diria mesmo que, com o passar do tempo, fiquei amigo do Seu Oswaldo. <\/p>\n\n\n\n<p>Gostava de ouvir as hist\u00f3rias que ele contava sobre o Ipiranga de antigamente e, principalmente, sobre o tempo em que foi jogador do Juventus da Mooca.<\/p>\n\n\n\n<p>Era bom de bola o mo\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>Sentia-se orgulhoso quando algu\u00e9m da sua gera\u00e7\u00e3o confirmava, sem qualquer hesita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Oswaldinho foi um ponta-esquerda driblador, habilidoso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra alegria do Seu Oswaldo era exibir o depoimento, em revistas e jornais, de alguma celebridade sobre as qualidades dos seus hamb\u00fargueres. <\/p>\n\n\n\n<p>Ficava todo-todo e, antes mesmo do bom dia costumeiro, mostrava a revista j\u00e1 devidamente aberta na p\u00e1gina onde estava a not\u00edcia. <\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea leu?<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntava e sorria, orgulhoso da pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo, amigos, que Dona Saudade n\u00e3o tem dia certo, nem hora exata para aparecer. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o serei insincero, por\u00e9m, de lhes dizer que, antes mesmo da visita, eu j\u00e1 desconfiava de que a refei\u00e7\u00e3o seria envolta por uma bruma de recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ando nost\u00e1lgico por natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, a prop\u00f3sito, o x-salada continua \u00f3timo, com aquele gostinho \u00fanico e guardado a sete chaves.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto de saudade, por\u00e9m, esse fica por conta do fregu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Bee Gees - Words (Live in Las Vegas, 1997 - One Night Only)\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pkqwRC23HN8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; 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