{"id":35055,"date":"2025-08-21T06:00:00","date_gmt":"2025-08-21T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35055"},"modified":"2025-08-22T13:58:29","modified_gmt":"2025-08-22T13:58:29","slug":"entre-uma-e-outra-estacao-do-metro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/entre-uma-e-outra-estacao-do-metro\/","title":{"rendered":"Entre uma e outra esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pensata assim \u00e0 toa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os antigos \u2013 e qui\u00e7a verdadeiros \u2013 cronistas usavam o transporte p\u00fablico para aferir os humores da opini\u00e3o p\u00fablica. Eles pr\u00f3prios usu\u00e1rios do bonde, do \u00f4nibus ou do lota\u00e7\u00e3o alinhavavam seus textos quase sempre a partir da sintonia com o pensamento que recolhiam do que chamavam de \u2018pov\u00e3o\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejam l\u00e1 nos escritos do grande Rubem Braga, do Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria, do Jo\u00e3o Ant\u00f4nio e ir\u00e3o encontrar boas passagens do Brasil de distintas \u00e9pocas em que o cronista, al\u00e9m de ilustre e an\u00f4nimo passageiro, \u00e9 tamb\u00e9m um bom observador e atento ouvinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos personagens e das conversas ao redor, muitas vezes, surgiam deliciosos enredos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes, amigos leitores, um por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma cr\u00f4nica inesquecivel &#8211; <em>Lembran\u00e7as de um bra\u00e7o direito<\/em> &#8211; em que o admir\u00e1vel Rubem Braga (1913\/1990) narra, com delicadeza \u00fanica, as destemperan\u00e7as de um voo entre o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Clique <strong><a href=\"https:\/\/cronicabrasileira.org.br\/cronicas\/13074\/lembranca-de-um-braco-direito\">AQUI<\/a><\/strong> para ler.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos, pois, com a pauta do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias atr\u00e1s, numa ida a S\u00e3o Paulo, precisei utilizar o metr\u00f4 para um curto deslocamento de duas ou tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es. Foi nesses minutos vadios que me veio a lembran\u00e7a \u2013 e a dura constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o not\u00e1vel cronista precisasse deste recurso hoje para cavar algum assunto, estaria no osso do caro\u00e7o, como dizia o divertido Valtinho Cazuza nos meus tempos de garoto no Cambuci.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes a prova  a partir do que vejo no vag\u00e3o em que me encontro.<\/p>\n\n\n\n<p>O carro n\u00e3o est\u00e1 lotado de todo. O entre-e-sai a cada parada nas esta\u00e7\u00f5es \u00e9 constante. Mas, reina o sil\u00eancio entre os passageiros. Ningu\u00e9m conversa com ningu\u00e9m, nem os que entram juntos e se conhecem. Ali\u00e1s, s\u00e3o os primeiros a pegar o celular e tentar uma conex\u00e3o com a pr\u00f3pria rede social. H\u00e1 os que se embalam ao som da trilha sonora favorita a bordo de seus vistosos fones de ouvidos. E, creiam, um imp\u00e1vido senhor, de mochila e ares de descolado, com um exemplar de, pasmem!, um livro impresso a ler entretido a p\u00e1gina aberta a um palmo do seu nariz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os amigos leitores sabem que sou dado a imaginar coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tantas not\u00edcias ruins, a tantos descalabros no \u00e2mbito pol\u00edtico e social, imaginei colher, nas minhas andan\u00e7as, uma hist\u00f3ria, diria, mais singela para entreter os am\u00e1veis leitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi a pose e o foco quando me dei conta de que talvez o sil\u00eancio pesado que paira entre as pessoas no vag\u00e3o seja a marca do nosso tempo, cada vez mais individualista, \u00e0 merc\u00ea de rid\u00edculos tiranos.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria o retrato da nossa indiferen\u00e7a? Da nossa desesperan\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou todos nos habituamos a andar solitariamente no autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Moon over Bourbon street-Sting\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5i_0PkOqLKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>(*) A partir de texto original &#8220;No osso do caro\u00e7o&#8230;&#8221;, publicado em 25 de agosto de 2016.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma pensata assim \u00e0 toa.<\/p>\n<p>Os antigos \u2013 e qui\u00e7a verdadeiros \u2013 cronistas usavam o transporte p\u00fablico para aferir os humores da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[776,3068,4891,4892,4450,664,4889,4890,885],"class_list":["post-35055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-celular","tag-cronistas","tag-fones-de-ouvidos","tag-individualismo","tag-lourenco-diaferia","tag-metro","tag-metro-de-sao-paulo","tag-osso-do-caroco","tag-rubem-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35055"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35082,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35055\/revisions\/35082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}