{"id":35149,"date":"2025-08-30T06:00:00","date_gmt":"2025-08-30T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35149"},"modified":"2025-08-30T14:56:06","modified_gmt":"2025-08-30T14:56:06","slug":"onde-anda-a-sra-mendonca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/onde-anda-a-sra-mendonca\/","title":{"rendered":"Onde anda a Sra. Mendon\u00e7a?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Trago-lhes, neste s\u00e1bado, uma das can\u00e7\u00f5es da magn\u00edfica parceria entre Toquinho e Vin\u00edcius de Moraes, na voz de um dos grandes e inesquec\u00edveis cantores de nossa m\u00fasica popular, N\u00e9lson Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>A can\u00e7\u00e3o \u201cOnde Anda Voc\u00ea\u201d, desde que surgiu, recebeu dezenas e dezenas de interpreta\u00e7\u00f5es. Mas, a meu gosto, nenhuma delas com o requinte que a grava\u00e7\u00e3o de N\u00e9lson lhe emprestou.<\/p>\n\n\n\n<p>Digamos que \u00e9 uma leitura com nuances mais dan\u00e7antes, bem ao estilo das grandes orquestras que, nos bailes dos anos 50, faziam a alegria dos casais enamorados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem levada, digamos, mais para o foxtrote, o ritmo de maior sucesso dos primeiros tempos do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa escolha n\u00e3o \u00e9 v\u00e3. Remete \u00e0 mem\u00f3ria do amigo Mendon\u00e7a que, vez ou outra, nos acompanhava nas insones noitadas nos idos tempos do ap\u00f3s o fim do expediente na Velha Reda\u00e7\u00e3o, de tantas recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa dessas madrugadas, a turma de bo\u00eamios, mal-ajambrados e afins terminou a \u00e9pica jornada noite adentro no bar tem\u00e1tico em homenagem ao saudoso N\u00e9lson Gon\u00e7alves (1919\/1998) que ainda hoje, creio, existe no bairro de Santa Cec\u00edlia, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Era novidade, ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi escolha do pr\u00f3prio Mendon\u00e7a, f\u00e3 incondicional do Frank Sinatra dos tr\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos das oficinas do jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> onde nosso seman\u00e1rio era impresso \u2013 e fomos encontr\u00e1-lo no endere\u00e7o que nos passou.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos por volta das duas da manh\u00e3, o bar estava quase vazio. Dois ou tr\u00eas casais, se tanto. Cada qual em suas mesas, a trocar segredinhos em voz baixa no embalo das sempres rom\u00e2nticas m\u00fasicas de N\u00e9lson Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>A um canto mais escondido, encontramos nosso amigo e anfitri\u00e3o, o Mendon\u00e7a, algo tr\u00eabado, a debulhar-se em incontidas l\u00e1grimas. Tentava sofregamente acompanhar, em dueto, portentosa interpreta\u00e7\u00e3o de N\u00e9lson nos do\u00eddos versos de Vin\u00edcius:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>E por falar em paix\u00e3o<br>Em raz\u00e3o de viver<br>Voc\u00ea bem que podia me aparecer<br>Nesses mesmos lugares<br>Na noite, nos bares<br>Onde anda voc\u00ea?<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Que cena, amigos!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei lhes descrever o misto de drama e com\u00e9dia que nos envolveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Chorar junto ou soltar o riso frouxo?<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrem-se sempre: \u00e9ramos jovens, inconsequentes, e algo insens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da complexidade da situa\u00e7\u00e3o, foi o chefe da comitiva, nosso colunista e guru Nasci, que nos revelou solenemente a ess\u00eancia da cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo esse pranto fazia pleno sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHouve uma vez uma Sra. Mendon\u00e7a. Era linda, muito linda e assim, como chegou, tamb\u00e9m se foi para total solid\u00e3o do nosso companheiro, o Mendon\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci, ainda em tom solene, foi o porta-voz da nossa solidariedade:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Chora, Mendon\u00e7a, chora. No seu lugar, acredite, todos n\u00f3s chorar\u00edamos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Onde Anda Voc\u00ea\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FIFAiDr0Bss?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p> &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Trago-lhes, neste s\u00e1bado, uma das can\u00e7\u00f5es da magn\u00edfica parceria entre Toquinho e Vin\u00edcius de Moraes, na voz de um dos grandes e inesquec\u00edveis cantores de nossa m\u00fasica popular,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21835,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4930,4935,402,4931,4934,4936,4932,132,4933],"class_list":["post-35149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-bar-tematico","tag-mendonca","tag-nelson-goncalves","tag-onde-anda-voce","tag-santa-cecilia","tag-sra-mendonca","tag-toquinho","tag-velha-redacao","tag-vinicius-de-moraes-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35149"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35156,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35149\/revisions\/35156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}