{"id":35180,"date":"2025-09-03T06:00:00","date_gmt":"2025-09-03T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35180"},"modified":"2025-09-02T22:46:53","modified_gmt":"2025-09-02T22:46:53","slug":"mino-carta-o-genoves-que-revitalizou-o-jornalismo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/mino-carta-o-genoves-que-revitalizou-o-jornalismo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Mino Carta, o genov\u00eas que revitalizou o jornalismo brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Mino Carta\/Revista CartaCapital<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cFundador e diretor de reda\u00e7\u00e3o de CartaCapital, o jornalista Mino Carta morreu nesta ter\u00e7a-feira (2), aos 91 anos. H\u00e1 um ano, Mino lutava contra os problemas de sa\u00fade, em idas-e-vindas do hospital. Na \u00faltima passagem, estava havia duas semanas na UTI do S\u00edrio-Liban\u00eas, em S\u00e3o Paulo.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Leia a \u00edntegra da reportagem em <strong><a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/carta-capital\/memoria\/morre-mino-carta-o-jornalista-que-desafiou-o-poder-e-transformou-a-imprensa-brasileira\/\">CartaCapital<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Considero Mino Carta o mais importante jornalista brasileiro da segunda metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o reconhe\u00e7o outro do mesmo quilate desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancia maior, na Imprensa nativa, desde os meus tempos de estudante na gradua\u00e7\u00e3o da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes um breve resumo da trajet\u00f3ria do insigne jornalista.<br><br>O genov\u00eas Demetrio Carta come\u00e7ou sua carreira, por acaso, como correspondente de um jornal italiano, na Copa de 1950, realizada aqui no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pr\u00f3prio explicou a mim e ao amigo e jornalista Cl\u00f3vis Naconecy em entrevista que nos concedeu nos idos de 1978 por ocasi\u00e3o da nova empreitada de Mino: a cria\u00e7\u00e3o e o lan\u00e7amento da revista <em>Isto \u00c9<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu pai (Giannino Carta) era jornalista, e eu comecei logo a ouvir a conversa em torno de jornalismo. Naturalmente porque os jornalistas costumam muito conversar sobre a atividade, talvez mais do que outros profissionais. Eu comecei desde menino a ouvir falar de jornalismo, fato este ali\u00e1s que me levou inicialmente a pensar que eu jamais seria jornalista, eu n\u00e3o queria ser jornalista. De mais a mais, impressionado pelas brigas que caracterizavam a vida familiar, nas quais a minha m\u00e3e recriminava o meu pai pelos hor\u00e1rios malucos que tinha, voltas para casa de madrugada, etc, etc, etc. E eu no fundo, no fundo, teria desejado uma vida mais mansa do que a do meu pai, de tal sorte que o meu come\u00e7o \u00e9 realmente de pensamentos voltados para outra atividade que n\u00e3o o jornalismo (as artes pl\u00e1sticas). Depois, por volta de 1950, quando eu tinha 15 anos, aconteceu no Brasil o campeonato mundial de futebol, e eu tive a chance de entrar numa equipe que ia cobrir este campeonato. Entrei nela fascinado pela perspectiva de ganhar algum dinheiro. Ai, logo surgiram possibilidades de colabora\u00e7\u00e3o em alguns jornais e revistas, sempre em fun\u00e7\u00e3o da perspectiva de ganhar algum dinheiro, sendo que eu, afoito e infeliz, evidentemente pretendia casar-me cedo (ideias malucas t\u00edpicas da juventude de vinte ou trinta anos atr\u00e1s) a\u00ed eu comecei a topar essas colabora\u00e7\u00f5es e coisa e tal. Aos poucos, eu fui deslizando para a profiss\u00e3o. L\u00e1 pelos 18, 19 anos j\u00e1 estava trabalhando com jornalismo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o \u2013 e depois de um brev\u00edssimo per\u00edodo na It\u00e1lia \u2013 comandou algumas das reda\u00e7\u00f5es que transformaram a hist\u00f3ria do jornalismo brasileiro: a pioneira <em>Quatro Rodas<\/em>, Suplemento de Esportes de <em>O Estado de S. Paulo<\/em> (embri\u00e3o para o ent\u00e3o revolucion\u00e1rio <em>Jornal da Tarde<\/em>, que tamb\u00e9m teve Mino como editor-chefe), a fase mais combativa de <em>Veja<\/em> (que corajosamente enfrentou os ditames ditatoriais), <em>Isto\u00c9 <\/em>(que fundou e dirigiu em duas ocasi\u00e7\u00f5es), <em>Jornal da Rep\u00fablica<\/em> (ao lado de outro igualmente grande,<br>Cl\u00e1udio Abramo), <em>Senhor<\/em>, <em>Isto \u00c9\/Senhor<\/em> e a independente <em>CartaCapital<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>De <em>Isto\u00c9<\/em> em diante, Mino precisou criar os pr\u00f3prios ve\u00edculos para continuar a saga de um jornalista de indel\u00e9vel conduta junto aos leitores e comprometido com os pilares da profiss\u00e3o: o respeito \u00e0 verdade factual e o car\u00e1ter cr\u00edtico e fiscalizador da fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que outros jornalistas n\u00e3o trilhassem \u2013 e trilhem \u2013 o bom caminho. Combatem o bom combate em nome da democracia e da constru\u00e7\u00e3o de um Brasil de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, os h\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o esp\u00e9cies raras e, eu diria, tristemente em extin\u00e7\u00e3o. Mas, existem &#8211; e a\u00ed est\u00e3o a nos informar e formar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no meu entender, nenhum deles o fez de forma t\u00e3o marcante, t\u00e3o perempt\u00f3ria a dignificar a hist\u00f3ria da imprensa brasileira e a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria como na\u00e7\u00e3o livre, soberana, socialmente justa e solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mem\u00f3ria a Mino Carta, sejamos todos n\u00f3s, jornalistas e cidad\u00e3os, merecedores de t\u00e3o corajosa jornada que nos representou por mais de 70 anos!<br>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Mino Carta, leiam ainda neste Blog:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/a-despedida\/\">A Despedida<\/a><\/strong>, em fevereiro de 2009<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/mino-carta-e-o-brasil\/\">Mino Carta e O Brasil<\/a><\/strong>, agosto de 2013<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lembrar-herzog-marcao-e-vas-utopias\/\">A lembrar Herzog, Marc\u00e3o e v\u00e3s utopias<\/a><\/strong>, fevereiro de 2025<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/voce-ja-leu-este-homem\/\">Voc\u00ea j\u00e1 leu este homem<\/a><\/strong>, janeiro de 1978<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/voce-ja-leu-este-homem-parte-2\/\">Voc\u00ea j\u00e1 leu este homem &#8211; Parte 2<\/a><\/strong>, fevereiro de 1978<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Mino Carta\/Revista CartaCapital<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>\u201cFundador e diretor de reda\u00e7\u00e3o de CartaCapital, o jornalista Mino Carta morreu nesta ter\u00e7a-feira (2), aos 91 anos. 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