{"id":35456,"date":"2025-10-17T10:00:00","date_gmt":"2025-10-17T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35456"},"modified":"2025-10-19T15:02:37","modified_gmt":"2025-10-19T15:02:37","slug":"camisetas-frases-e-bordoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/camisetas-frases-e-bordoes\/","title":{"rendered":"Camisetas, frases e bord\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Adoniran Barbosa que personificou o Charutinho no r\u00e1dio dos anos 50\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meus caros e preclaros,<\/p>\n\n\n\n<p>DEMOCRACIA SEMPRE!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Pois vejam o que me ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Plena sexta-feira a sugerir o almejado, ensolarado e primaveril final de semana, e eu a rememorar o Charutinho, personagem criado por Osvaldo Moles para o humor\u00edstico \u201cHist\u00f3rias das Malocas\u201d, a quem o admir\u00e1vel Adoniran Barbosa deu voz e vida no r\u00e1dio brasileiro dos anos 50.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um sucesso \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus bord\u00f5es se faziam populares \u2013 e donos de verdades absolutas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Adepois qu<\/em><em>i<\/em><em> n\u00f3is vai, <\/em><em>adepois qui <\/em><em>n\u00f3is vorta&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outro deles, se bem me lembro, era:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;A inguinoranssa \u00e9 que astravanca o porgresso<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrei por lembrar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Nostalgia dos tempos de moleque de rua no bairro oper\u00e1rio do Cambuci.<\/p>\n\n\n\n<p>Era poss\u00edvel \u2013 acreditem \u2013 o sonhar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Explico a recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aconteceu, eu diria, por um caso do acaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Achei divertida a frase estampada na camiseta de um rapazote que passou por mim nesta manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava escrito, ao lado de um emoji dos mais sorridentes:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cMuita calma nessa hora\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desconfio que seja o bord\u00e3o de um tipo qualquer de uma novela antiga.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei como o Charutinho entrou nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ando assim-assim com as coisas que est\u00e3o no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ando c\u00e9tico demais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas dessa tal de Humanidade que, a meu ver, se p\u00f5e a caminhar \u201ccom passos de formiga e sem qualquer vontade\u201d de ser e se fazer mais solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja por esses e outros tantos insond\u00e1veis motivos que eu assimilei o recado da camiseta do garoto como um bom conselho, desses que a gente ganha de gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Como me pareceu \u201cin\u00fatil dormir que a dor n\u00e3o passa\u201d, tamb\u00e9m porque estava em plena pra\u00e7a p\u00fablica, continuei minha caminhada a recapitular aqueles idos a partir das aventuras do personagem do incr\u00edvel Adoniran (1910\/1982). Bom lembrar o r\u00e1dio na cozinha de casa, a m\u00e3e atarefada com o almo\u00e7o, a inf\u00e2ncia no Cambuci, minha turma de moleques da Muniz de Souza \u2013 Claudinho Zeola, o Bet\u00e3o, o Nestor, o italiano Giuseppe \u2013, as nossas presepadas pelas ruas do bairro, as matin\u00eas no Cine Riviera, enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Posso lhes assegurar:<\/p>\n\n\n\n<p>Meu humor melhorou consideravelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ao me dispor narrar essa hist\u00f3ria no Blog e compartilhar com os amigos a inspiradora experi\u00eancia (vai que andam de farol baixo, como eu estava \u2013 e n\u00e3o vale a pena), s\u00f3 ent\u00e3o me dei conta que tamb\u00e9m tenho uma <em>t-shirt<\/em> que, tal e qual um pequeno outdoor ambulante, traz a seguinte frase:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o penses, velho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Segue o teu rumo e aceite o que vier\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muita hora nessa calma, explico a autoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem a escreveu foi o transcendental Ernest Hemingway (1899\/1961) e foi pin\u00e7ada do cl\u00e1ssico romance \u201cO Velho e o Mar\u201d (escrito em Cuba, 1951).<\/p>\n\n\n\n<p>Li o livro faz um temp\u00e3o, gostei, achei algo angustiante \u2013 e n\u00e3o me achava, \u00e0 \u00e9poca, o velho da hist\u00f3ria. Imaginem agora?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, esclare\u00e7o sobre a minha camiseta: eu a comprei, pela internet, assim que me deparei com o irresist\u00edvel an\u00fancio sobre \u201clindas camisetas liter\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que n\u00e3o comprar? Por que comprar? Comprei.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um impulso bobo para a aproveitar a \u201cimperd\u00edvel oferta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Devia estar a ruminar a mesma baixa autoestima de hoje \u2013 e, pior, n\u00e3o me salvou nenhum recado otimista a circular pelo corpanzil alheio e sequer me lembrei dos divertidos bord\u00f5es do parlapat\u00e3o Charutinho, aquele bom malandro que morava no Morro do Piolho e se dizia \u201ccansado de chorar\u201d, pois sua Gerarda fugiu de casa \u201ccom um soldado de bombarda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lan\u00e7ada em 1959, a marchinha &#8216;Aqui Gerarda&#8217;, de Adoiran Barbosa\/Charutinho chegou a ser censurada por &#8220;atentar aos bons costumes&#8221;.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Adoniran Barbosa - Aqui Gerarda! (marcha de Adoniran Barbosa, Moreno e Jo\u00e7a m\u00fasica censurada )\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2UF7FHtlrlg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Adoniran Barbosa que personificou o Charutinho no r\u00e1dio dos anos 50\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meus caros e preclaros,<\/p>\n<p>DEMOCRACIA SEMPRE!<\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p>Pois vejam o que me ocorreu.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5070,3400,5073,2154,281,5071,3110,2554],"class_list":["post-35456","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-adoniran-barbosa","tag-bordoes","tag-camisetas","tag-ernest-hemingway","tag-frases","tag-historias-das-malocas","tag-o-velho-e-o-mar","tag-oswaldo-montenegro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35456"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35456\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35565,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35456\/revisions\/35565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}