{"id":35749,"date":"2025-11-07T09:00:00","date_gmt":"2025-11-07T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35749"},"modified":"2025-11-07T16:36:26","modified_gmt":"2025-11-07T16:36:26","slug":"a-lembrar-verona-a-madonna-e-o-casaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lembrar-verona-a-madonna-e-o-casaco\/","title":{"rendered":"A lembrar Verona, a Madonna e o casaco"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o raras as lembran\u00e7as que guardo de Verona onde estive&#8230; e l\u00e1 se v\u00e3o quase 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas s\u00e3o as mais presentes \u2013 e por \u00f3bvio motivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Diria que est\u00e3o solenemente em exibi\u00e7\u00e3o no apartamento onde moro.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 o p\u00f4ster, devidamente emoldurado e pendurado na parede da sala, com a imagem da Madonna Della Quaglia, retratada por Pisanello, uma r\u00e9plica da tela famosa que vimos no Museu Castelvecchio na visita que ent\u00e3o fizemos e n\u00e3o me lembro chongas.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra \u00e9 a foto que est\u00e1 num porta-retrato. De autoria do amigo Wilson Luque e que ilustra o Blog hoje, a secular Arena de Verona. Fa\u00e7o figura\u00e7\u00e3o na cena por minha desavisada conta. Era inverno, fazia frio e eu (j\u00e1 entrado nos 40 quase 50) estava devidamente encapotado com um sobretudo do tempo do Arsene Lupin, o c\u00e9lebre personagem da literatura francesa que, registre-se, nada tem a ver com a cidade de Romeu e Julieta, com a It\u00e1lia, mas talvez apare\u00e7a na sequ\u00eancia da nossa historieta de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, amigos, n\u00e3o h\u00e1 como esquec\u00ea-las, mesmo que o turista distra\u00eddo aqui n\u00e3o tenha dado a devida e merecida aten\u00e7\u00e3o aos encantos da renomada Verona, ponto obrigat\u00f3rio de visita a quem viaja pelo Norte da It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Explico aquela estada.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, os meus, o Wilson e os deles est\u00e1vamos em andan\u00e7as pela Velha Bota num fim de ano que se perdeu no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos dois ou tr\u00eas dias ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que tenha uma vaga lembran\u00e7a da murada que margeia o rio Adige (confiram no Google, ok!) onde se vislumbra um bel\u00edssimo cen\u00e1rio, gostaria de avivar, com mais clareza minha mem\u00f3ria, daquela jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>Leio que \u201cum clima rom\u00e2ntico espalha-se por todas as vilas e ruas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E mais:<\/p>\n\n\n\n<p>A suposta e ilustre casa de Julieta Capuleto (a tr\u00e1gica hero\u00edna do romance de Shakespeare), o centro hist\u00f3rico, a atmosfera de mist\u00e9rio, as atra\u00e7\u00f5es todas que fazem Verona ser reconhecida como Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico da Humanidade \u2013 pois bem, essas preciosidades todas se apagaram da minha mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, eu lhes digo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dou-lhes o motivo de lhes fazer este pre\u00e2mbulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu uma lojinha de cacarecos na avenida, perto de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava passando por ali, dia desses, e resolvi entrar para xeretar a novidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma lojinha com ares descolados que mistura um tanto de brech\u00f3, outro tanto de antiguidades e muita quinquilharia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava por ali na bisbilhotice plena e desinteressada quando me chama aten\u00e7\u00e3o uma pequena gravura da dita Madona della Quaglia citada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"774\" src=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-35754\" style=\"width:300px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006.jpg 500w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006-194x300.jpg 194w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006-462x715.jpg 462w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006-323x500.jpg 323w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006-327x506.jpg 327w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08-09-2006_Pisanello_1395c_1455_Madonna_della_quaglia_-_Photo_Paolo_Villa_-_Castelvecchio_Verona_-_Pentax_K10D_SMC_-_Pentax-FA_35mm_F2_-_08-09-2006-170x263.jpg 170w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Me interessou. Era menor e melhor elaborada que a que tenho em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei comigo: essa, sim, \u00e9 uma r\u00e9plica, a minha \u00e9 apenas um cartaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Coloquei os \u00f3culos para ver melhor \u2013 e aproveitei para ler a placa com a descri\u00e7\u00e3o sob a imagem:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA Madona da Codorna \u00e9 uma pintura g\u00f3tica internacional geralmente atribu\u00edda a Pisanello. Data de 1420. Era parte do acervo do Museu Castelvecchio de Verona, norte da It\u00e1lia, at\u00e9 ser roubada em 2015.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quaglia ou Codorna?<\/p>\n\n\n\n<p>Como assim, atribu\u00edda a Pisanello?<\/p>\n\n\n\n<p>Roubada em 2015?<\/p>\n\n\n\n<p>(No ato me senti em um dos epis\u00f3dios da divertida s\u00e9rie sobre Lupin, o Ladr\u00e3o de Casaca, que a Netflix exibe, embora nas tr\u00eas temporadas que vi, o personagem redivivo s\u00f3 use capot\u00f5es longos a arrastar as barras pelo nobre ch\u00e3o das ruas parisienses.)<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Devo ter feito tamanha cara de espanto \u2013 ou coisa que o valha, pois n\u00e3o \u00e9 que o gentil Felipo, o atendente e poss\u00edvel dono do neg\u00f3cio, veio em meu socorro e, tal um mago das artes, decifrou os enigmas.<\/p>\n\n\n\n<p>A saber:<\/p>\n\n\n\n<p>Quaglia quer dizer codorna em italiano. E h\u00e1 uma codorna em primeiro plano da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>As vestes da Madonna t\u00eam tra\u00e7os da pintura caracter\u00edstica de outro artista, de nome Gentile Fabriano. Sabe-se que, \u00e0 \u00e9poca, Pisanello reunia em seu ateli\u00ea diversos outros pintores. Da\u00ed, a d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p>A tela foi roubada, sim, numa a\u00e7\u00e3o espetaculosa, cinematogr\u00e1fica, mas&#8230; um ano depois, em 2016, foi recuperada e voltou para Castelvelcchio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00f3 n\u00e3o sei se est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das visitas p\u00fablicas. Sabe como s\u00e3o essas coisas, n\u00e3o?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sinceramente, n\u00e3o sabia, n\u00e3o fazia ideia.<\/p>\n\n\n\n<p>Viajei sem sair da minha cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, fui para o meu sacrossanto caf\u00e9 na padaria, dando asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o de, um dia, quem sabe?, voltar a Verona e conferir tudo direitinho&#8230; Desta feita, por\u00e9m, desejaria ir no ver\u00e3o para n\u00e3o levar o casaco do Lupin que, depois de muito uso, aposentei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Musica Tema de romeu e julieta - 1968\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3WbHxlEZh6g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e3o raras as lembran\u00e7as que guardo de Verona onde estive&#8230; e l\u00e1 se v\u00e3o quase 20 anos.<\/p>\n<p>Duas s\u00e3o as mais presentes \u2013 e por \u00f3bvio motivo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5133,5132,5131,1131,235,135,3360,1471,5129,318],"class_list":["post-35749","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-arsene-lupin","tag-casaco","tag-castelvecchio","tag-italia","tag-madonna","tag-memoria","tag-tela","tag-turismo","tag-verona","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35749"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35768,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35749\/revisions\/35768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}