{"id":35983,"date":"2025-12-05T06:00:00","date_gmt":"2025-12-05T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35983"},"modified":"2025-12-05T12:47:02","modified_gmt":"2025-12-05T12:47:02","slug":"naquele-memoravel-sabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/naquele-memoravel-sabado\/","title":{"rendered":"Naquele memor\u00e1vel s\u00e1bado&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 de dezembro de 2010 \u2013 <\/strong>Uma lembran\u00e7a que o OneDrive me envia e, sem querer querendo, me faz sussurrar para mim mesmo\u2013 e ningu\u00e9m mais ouvir\u2013 os versos definitivos daquela can\u00e7\u00e3o maravilhosa que quase ningu\u00e9m conhece:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O Tempo n\u00e3o para no porto,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>n\u00e3o apita na curva,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>n\u00e3o espera ningu\u00e9m&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Na imagem, apare\u00e7o, todo pimp\u00e3o, ladeado por amigos que integravam a derradeira safra dos bons tempos da Velha Reda\u00e7\u00e3o, palco e cen\u00e1rio de tantas hist\u00f3rias e estripulias vividas \u2013 e, diria, bem vividas, ao longo de quase 30 anos de jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditam?<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei ao jornal garot\u00e3o cabeludo, bolsa a tiracolo de couro cru e tal e cousa e lousa. Tinha 23 anos, o hiponga. Mar\u00e7o de 1974. Fui contratado, carteira assinada e tudo, como redator_estagi\u00e1rio (existia tal fun\u00e7\u00e3o) e sa\u00ed em junho ou julho de 2003, j\u00e1 um senhorzinho, como diretor de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve choro, nem velas, menos ainda fita amarela, gravada com o nome dela \u2013 e, sim, e apenas a demanda pela indeniza\u00e7\u00e3o acordada, depois de alguns rodeios, pelas partes diante de um Juiz num tribunal trabalhista nas imedia\u00e7\u00f5es da rua da Mooca.<\/p>\n\n\n\n<p>Olaia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00e9 a vida\u2026 <\/p>\n\n\n\n<p>Assim s\u00e3o os amores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia a gente chega, n\u2019outro vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Engra\u00e7ada a nossa mem\u00f3ria. Lembro bem quando cheguei \u00e0 sede do jornal, ainda na rua Lino Coutinho, Lembro o primeiro texto. A pauta: 8 de mar\u00e7o. Dia da Mulher. Entrevistei uma mo\u00e7a, cobradora de \u00f4nibus e desquitada. S\u00f3 a palavra \u2018desquitada\u2019 causou algum diz que diz na reda\u00e7\u00e3o. No fim, a reportagem saiu numa boa \u2013 e ganhei at\u00e9 uns elogios do Marques, o mestre e guru da turma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outra, lhes digo: n\u00e3o me recordo nada, nadinha, de como se deu a minha sa\u00edda. Qual foi o \u00faltimo texto publicado, se escrevi pensando que seria o \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1 entender!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tento lhes dar uma razo\u00e1vel explica\u00e7\u00e3o. Talvez fosse porque minha cabe\u00e7a j\u00e1 andava a mil pelo campus da universidade onde comecei a trabalhar como professor de jornalismo e assim a vida seguiu quase que por encanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Inevit\u00e1veis as lembran\u00e7as que a imagem me causou e hoje me faz escrever sobre tais devaneios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou mesmo um grande e incorrig\u00edvel nost\u00e1lgico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos ao momento da foto.<\/p>\n\n\n\n<p>Anos depois, cada qual em sua rota, est\u00e1vamos ali reunidos, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, a celebrar o lan\u00e7amento do meu segundo livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/livro-meus-caros-amigos\/\">Meus Caros Amigos &#8211; Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi bacana, gosto de rememorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, quase havia esquecido, n\u00e3o fosse o OneDrive.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o livro, trata-se de uma colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas e contos que escrevi inspirado na epopeia que ali, na reda\u00e7\u00e3o, de um jeito ou outro se viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7o melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Dou um recorta_e_cola na apresenta\u00e7\u00e3o que escrevi e consta na p\u00e1gina 7 da referida obra:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEste livro \u00e9 um livro-homenagem&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Naci,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Marques<\/em>,<\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Z\u00e9 Jofre,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao AC,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Clamic,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Ismael,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ao Made,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>amigos que j\u00e1 partiram, e com os quais pude compartilhar tempos inesquec\u00edveis, de sonhos e utopia.<\/em> \u00c9 <em>tamb\u00e9m um modesto tributo aos meus 35 anos de jornalismo e a outros camaradas da mesma estirpe, com os quais pude conviver nesse tempo de estrada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma boa parcela desses e daqueles aparece como personagens das hist\u00f3rias que o livro re\u00fane, tendo como palco a velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado ou o Sujinho, onde nos encontr\u00e1vamos antes, durante ou depois do expediente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Um adendo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nem todos surgem com os nomes verdadeiros. Por motivos \u00f3bvios, e tamb\u00e9m porque s\u00e3o meus amigos e deduragem, entre n\u00f3s, \u00e9 vacilo que nunca se perdoou\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Gente, naquele memor\u00e1vel s\u00e1bado, junto aos amigos e familiares, eu completei 60 anos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi mesmo uma celebra\u00e7\u00e3o. Um viva aos bons tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Engana-se, por\u00e9m, quem espera que agora eu diga: \u201cparece que foi ontem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o digo e lhe dou um bom motivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem, acreditem, senhores e senhoras de pouca f\u00e9, eu completei 75 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, meus caros e preclaros, tenho tempo de estrada suficiente para lhes dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tempo \u00e9 areia que escapa at\u00e9 entre os dedos do amor&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos, pois, queridos e queridas, sem perder a poesia e a ternura.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado por estar aqui&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O Tempo  -  Reginaldo Bessa\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WrGO2txX4LY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>4 de dezembro de 2010 \u2013 <\/strong>Uma lembran\u00e7a que o OneDrive me envia e, sem querer querendo, me faz sussurrar para mim mesmo\u2013 e ningu\u00e9m mais ouvir\u2013 os versos definitivos daquela can\u00e7\u00e3o maravilhosa que quase ningu\u00e9m conhece:<\/p>\n<p><em>&#8220;O Tempo n\u00e3o para no porto,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35972,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[43,528,5205,458,135,442,443,5206,132],"class_list":["post-35983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cronicas","tag-jornalistas","tag-livraria-cultura","tag-livro","tag-memoria","tag-o-tempo","tag-reginaldo-bessa","tag-shopping-villa-lobos-2","tag-velha-redacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35983"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35988,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35983\/revisions\/35988"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}