{"id":36055,"date":"2025-12-14T01:00:00","date_gmt":"2025-12-14T01:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=36055"},"modified":"2025-12-14T13:05:44","modified_gmt":"2025-12-14T13:05:44","slug":"ao-amigo-cesar-das-utopias-que-clareiam-o-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ao-amigo-cesar-das-utopias-que-clareiam-o-amanha\/","title":{"rendered":"Ao amigo Cesar, das utopias que clareiam o amanh\u00e3"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Cesar e a deputada federal Luiza Erundina em ato p\u00fablico em S\u00e3o Paulo\/Foto: Instagram\/Erundina<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, amigos, manh\u00e3 de domingo, se faz inevit\u00e1vel que eu lembre Rolando Boldrin na tela da TV a comandar o programa \u2018Sr. Brasil\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Era momento \u00fanico de m\u00fasica, poesia e prosa. Muita conversa boa.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia ali uma admir\u00e1vel comunh\u00e3o entre as pessoas. Creio que era bem isso o que Boldrin e seus convidados nos propunham em nome de uma afetividade bem nossa, bem brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Diria que artistas e plateia faziam-se amigos cordiais, fraternos.<\/p>\n\n\n\n<p>Doce realidade de um Brasil de todos os brasileiros que \u2013 vamos l\u00e1, gente boa \u2013 tanto almejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acompanhava Dona Yolanda, minha saudosa m\u00e3e, nessas pl\u00e1cidas manh\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela j\u00e1 havia entrado nos 80 e tralal\u00e1, tinha grave problema de vis\u00e3o (s\u00f3 enxergava vultos e imagens esmaecidas); mas, aos domingos logo cedo se punha a postos diante do aparelho de TV. Assistia \u00e0 missa do Padre Marcelo, embalava no programa \u2018Viola, Minha Viola\u2019 de Inezita Barroso e terminava a sess\u00e3o com o \u2018Sr. Brasil\u2019, Boldrin e sua trupe.<\/p>\n\n\n\n<p>A bem da verdade, Dona Yolanda mais ouvia do que via as atra\u00e7\u00f5es. Eu me punha ali, no sof\u00e1 da sala de casa, como parceiro e eventual int\u00e9rprete de suas d\u00favidas. Chegava em meio ao programa da Inezita e, confesso, me deleitava com os causos picarescos que o Boldrin t\u00e3o bem contava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um bord\u00e3o de Boldrin me chamava aten\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando comentava sobre algum amigo que havia falecido n\u00e3o importava quando e onde, ele sapecava a seguinte express\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFulano partiu fora do combinado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSicrano se foi fora do combinado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Yolanda, minha m\u00e3e, quase sempre reagia a essa fala com brev\u00edssimo sorriso e a observa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue jeito carinhoso de falar dos amigos que morreram!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o, meus caros e raros leitores&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje estou ao embara\u00e7o deste tal sentimento ao qual chamamos de &#8220;pr\u00e9via saudade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sei se deveria escrever, mas&#8230; \u00e9 do of\u00edcio, escrevo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Yolanda, Boldrin, Inezita j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Partiram \u201cfora do combinado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesta semana ofuscou-me a infausta not\u00edcia:<\/p>\n\n\n\n<p>O (quase) primo e amigo querido Luiz Cesar Gomes dos Reis se foi, tamb\u00e9m ele, \u201cfora do combinado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Que perda repentina, e imensur\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O que posso lhes dizer de Cesar?<\/p>\n\n\n\n<p>Era uma doce presen\u00e7a sempre que surgia em cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Diria que, tal e qual ao clima que citei no in\u00edcio da cr\u00f4nica\/homenagem, a ele bastava estar ali para natural e suavemente propor a comunh\u00e3o entre as pessoas e os arredores.<\/p>\n\n\n\n<p>Era cordial, e amorosamente fraterno.<\/p>\n\n\n\n<p>Trazia sempre um sorriso (ainda que breve) no rosto, um gesto, uma fala ou mesmo um sil\u00eancio a consagrar a terna celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 amizade, \u00e0 vida e \u00e0s utopias que nos clareiam o amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que, em meio ao funeral realizado na manh\u00e3 de ontem, os amigos \u2013 entre eles, a deputada federal Luiza Erundina \u2013 e os familiares, ainda que tocados pela imensa perda, entoaram consternados a can\u00e7\u00e3o do Gonzaguinha que diz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cViver e n\u00e3o ter a vergonha de ser feliz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Manh\u00e3 de domingo, de um dezembro de forrtes ventos e conting\u00eancias inesperadas.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 se vai o amigo Cesar que partiu \u201cfora do combinado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E hoje se faz ternura e saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha 70 anos, era arquiteto, atuante em movimentos sociais e sonhava o sonho que, juntos, os de boa f\u00e9 sonham.<\/p>\n\n\n\n<p>Um amigo que, seja onde for, deixa-nos o sentimento que seguir\u00e1 aquela outra jornada de Luz e Gl\u00f3ria e na Paz de quem soube honrar os passos e o caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em nome do legado do Cesar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O que \u00e9, o que \u00e9 (GONZAGUINHA) - Ver\u00f4nica Ferriani e Gian Correa (Ao Vivo)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nSvyoWKNna4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; 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