{"id":36161,"date":"2026-01-26T07:30:00","date_gmt":"2026-01-26T07:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=36161"},"modified":"2026-01-27T13:59:28","modified_gmt":"2026-01-27T13:59:28","slug":"escrever-oficio-e-circunstancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escrever-oficio-e-circunstancias\/","title":{"rendered":"Escrever. Of\u00edcio e circunst\u00e2ncias"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cada escritor vive suas circunst\u00e2ncias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A frase \u00e9 do professor Bernardo Kucisnki, com a experi\u00eancia de quem tem 88 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Kucisnki falou a Walter Porto, da <em>Folha de S. Paulo<\/em>, na primeira semana deste 2026 que se faz deafiador.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse mais:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O motivo para escrever vai mudando. E eu diria que hoje \u00e9 uma maneira de eu sobreviver. De me manter intelectualmente ativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem <strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/01\/bernardo-kucinski-escritor-tardio-de-ficcao-tira-ideias-de-seus-mais-de-100-cadernos.shtml\">Bernardo Kucisnki, autor tardio de fic\u00e7\u00e3o, diz escrever para sobreviver aos 88 anos<\/a><\/strong> foi publicada em 9 de janeiro &#8211; e me fez pensar nessa minha lida de escrevinha\u00e7\u00f5es e de tocar o Blog ainda que sem talento e sem qualquer pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dias atr\u00e1s, dia 20 para ser exato, ainda n\u00e3o havia retomado \u00e0 rotina das escrivinha\u00e7\u00f5es, topei com o artigo da professora e antrop\u00f3loga Mirian Godenberg na mesma Folha de S.Paulo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/miriangoldenberg\/2026\/01\/a-arte-de-escrever-para-nao-morrer.shtml\">A arte de escrever para n\u00e3o morrer<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela cita outra das minhas refer\u00eancias, o professor e escritor Rubem Alves (1933\/2014), em sua cr\u00f4nica <strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff0111201105.htm\">Despedida<\/a><\/strong>, a \u00faltima que fez para a se\u00e7\u00e3o Cotidiano do mesmo jornal. Foi publicada em 1\u00b0 de novembro de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Escreveu ent\u00e3o o mestre, e Goldenberg oportunamente transcreveu<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa cr\u00f4nica \u00e9 uma despedida. Resolvi, por decis\u00e3o pr\u00f3pria, parar de escrever&#8230; Devo ter perdido o ju\u00edzo&#8230;&nbsp;Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: \u2018Tenho d\u00f3 das estrelas luzindo h\u00e1 tanto tempo, tenho d\u00f3 delas&#8230;\u2019 E ele se pergunta se \u2018n\u00e3o haver\u00e1 um cansa\u00e7o das coisas, de todas as coisas&#8230;\u2019 Respondo: Sim. H\u00e1 um cansa\u00e7o. A velhice \u00e9 o tempo do cansa\u00e7o de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. J\u00e1 escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos est\u00e3o pesando. E como acontece com as estrelas, h\u00e1 sempre a obriga\u00e7\u00e3o de brilhar. A obriga\u00e7\u00e3o: \u00e9 isso o que pesa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas digo: as considera\u00e7\u00f5es da professora me fazem ainda mais contemplativo. Comigo mesmo e com as minhas convic\u00e7\u00f5es sobre o inexplic\u00e1vel of\u00edcio de enfileirar letrinhas, ap\u00f3s de letrinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>A quem ainda pode interessar as bobagens que escrevo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sou das antigas. &#8220;Um cronista de jornal sem jornal, pois j\u00e1 n\u00e3o os h\u00e1 como dantes&#8221; &#8211; definiu-me certa vez o amigo Escova quando, nos moldes de Arist\u00f3toles, caminh\u00e1vamos pelas ruas do Sacom\u00e3, discutindo o mundo e suas estranhezas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o, meus caros e raros&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem a coluna de domingo, do not\u00e1vel Ricardo Kotscho, deu o mote que eu precisava para o post\/cr\u00f4nica de hoje:<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante artigo <strong><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2026\/01\/25\/quando-chega-a-hora-de-comecar-a-pensar-em-parar-de-escrever.htm\">Quando chega a hora de come\u00e7ar a pensar em parar de escrever<\/a><\/strong>, ele confessa:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No meu caso, n\u00e3o se trata de uma escolha, mas de uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, literalmente: ainda n\u00e3o posso nem pensar em parar de escrever porque vivo disso desde os 16 anos, n\u00e3o sei fazer outra coisa e n\u00e3o tenho outra fonte de renda. A aposentadoria do INSS, ap\u00f3s 61 anos de trabalho como jornalista, n\u00e3o d\u00e1 para pagar nem o plano de sa\u00fade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vou lhes dizer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o agora completo 52 anos do meu primeiro registro, em carteira, como jornalista profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, com rar\u00edssimas pausas, me fiz rep\u00f3rter que entendo ser a ess\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o do jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo quando lecionava na Universidade &#8211; curso de Jornalismo &#8211; n\u00e3o abri m\u00e3o de colaborar para este ou aquele ve\u00edculo e\/ou cometer a ousadia de publicar livros e colet\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2006, veio o Blog e a hist\u00f3ria que os amigos leitores t\u00e3o bem conhecem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que n\u00e3o tenho &#8211; e nunca tive &#8211; a cintil\u00e2ncia estelar dos autores supracitados, mesmo assim posso lhes dizer, vez ou outra, assalta-me a d\u00favida:<\/p>\n\n\n\n<p>Por que insisto nesse toc_toc_toc sem fim?<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, de minha parte, lido com o dilema diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Escrevo por escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>E insisto por alguma raz\u00e3o que n\u00e3o sei bem explicar. Mas, que me parece ser algo pr\u00f3ximo ao sonho e ao acreditar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sugest\u00e3o do amigo e sempre_<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>vereador Almir Guimar\u00e3es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desconfio que um tantinho de romance sempre melhora as coisas<\/em>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Como Han Pasado Los A\u00f1os\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5U7S3kiWF_Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Cada escritor vive suas circunst\u00e2ncias.&#8221;<\/p>\n<p>A frase \u00e9 do professor Bernardo Kucisnki, com a experi\u00eancia de quem tem 88 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32726,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5268,44,135,5266,5267,2215,2267],"class_list":["post-36161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-bernardo-kucisnki","tag-jornalismo","tag-memoria","tag-mirian-goldenberg","tag-oficio-de-escrever","tag-ricardo-kotscho","tag-rubem-alves"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36161"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36172,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36161\/revisions\/36172"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}