{"id":36480,"date":"2026-03-03T11:00:00","date_gmt":"2026-03-03T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=36480"},"modified":"2026-03-03T18:30:07","modified_gmt":"2026-03-03T18:30:07","slug":"e-una-disgrazia-falava-meu-avo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/e-una-disgrazia-falava-meu-avo\/","title":{"rendered":"\u00c8 una disgrazia!, falava meu av\u00f4"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Teer\u00e3 28\/02\/2026. Ir\u00e3 sob ataque dos EUA e de Israel Fortes explos\u00f5es foram ouvidas em algumas partes de Teer\u00e3 na manh\u00e3 de hoje. foto RS\/via FotosPublicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se bem me lembro, foi o v\u00f4 Carlito quem, pela primeira vez, me falou sobre a estupidez de todas as guerras<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Meados dos anos 50. Ainda vivia-se o assombro dos estragos causados pela Segunda Grande Guerra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vez ou outra, as conversas entre a italianada, no bar do bairro, giravam em torno do sofrimento do povo italiano sob dom\u00ednio do nazifascismo, da invas\u00e3o das tropas alem\u00e3es e da corajosa resist\u00eancia de uma gente festeira habituada a sorrir e a cantar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>De uma hora para outra, se viram subjugados pelo inimigo, ref\u00e9ns dos bombardeios e das condi\u00e7\u00f5es subumanas que o conflito armado imp\u00f5e.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 \u00c8 una disgrazia!, falava meu av\u00f4.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Humilhados em sua pr\u00f3pria terra, sujeitos a todos os tipos de atrocidades impostas pelos dominadores, ou eles lutavam ou\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Ou morriam, v\u00f4?, perguntei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 As pessoas sofriam muito, respondeu.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por isso, sem alternativa, preferiam lutar e lutar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013<em> A vida \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o, um dom, conclu\u00eda meu av\u00f4.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O v\u00f4 Carlito acreditava piamente que os homens se envergonhavam de toda aquela trag\u00e9dia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E que eu e os da minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o viver\u00edamos atrocidades semelhantes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Imposs\u00edvel a Humanidade n\u00e3o ter aprendido a triste li\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Meados dos anos 50, como eu disse.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tudo levava a crer que o novo tempo seria pautado pela fraternidade e a esperan\u00e7a de dias melhores.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para todas as na\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Somos todos irm\u00e3os.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>J\u00e1 aposentado como chapeleiro, o v\u00f4 Carlito, da janela da casa humilde, acompanhava atento o tudo e o nada da exist\u00eancia humana. A vida em movimento, cigarro Fulgor no canto da boca e o copo de vinho ao alcance da m\u00e3o. Fala mansa a lembrar uma ou outra hist\u00f3ria dos pais napolitanos, a coragem dos&nbsp;scugnizzi&nbsp;na liberta\u00e7\u00e3o de N\u00e1poles dos comandos inimigos e a embalar o neto ca\u00e7ula com os versos cantados de&nbsp;Luar do Sert\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 A vida, meu neto, \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o, um dom\u2026 Para ser apreciada e, principalmente, vivida. Importante \u00e9  fazer por merec\u00ea-la<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Recupero hoje \u2013 e tristemente \u2013 o trecho do conto <em>O Alfaiate e o Chapeleiro<\/em> porque n\u00e3o lhes trago novidade alguma sobre o iminente colapso da Humanidade diante dos conflitos que a desfa\u00e7atez de rid\u00edculos tiranos, a gozo pr\u00f3prio, espalham mundo afora.<\/p>\n\n\n\n<p>O que sei est\u00e1 no notici\u00e1rio &#8211; e o que posso acrescentar \u00e9 o coment\u00e1rio que fez o v\u00f4 Carlito, quando eu ainda era meninote:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 \u00c8 una disgrazia!, falava meu av\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Como chegamos a este ponto, mesmo velhinho, n\u00e3o sei bem o que lhe acrescentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinceramente, cada vez mais, me conven\u00e7o que \u00e9 v\u00e3 qualquer tentiva neste sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhem o  dilema que derreia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem pensa como eu, nitidamente, \u00e9 algu\u00e9m bem parecido comigo e, um pouco ali, outro tanto aqui, sabe o que eu sei. Provavelmente leu os mesmos livros, bebeu das mesmas fontes de informa\u00e7\u00e3o, deplora as fake news, o autoritarismo, a vilania e se equilibra no respeito aos mesmos princ\u00edpios e valores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem n\u00e3o pensa como eu&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; admira o Senhor das Guerras e seus asseclas &#8211; e clama:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Help, my president Trump! Help.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meus caros e preclaros,<\/p>\n\n\n\n<p>n\u00e3o gostaria, nessa altura da minha longeva jornada, estar a escrever essas linhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Prefiro mil vezes mil continuar a lhes falar sobre o invent\u00e1rio musical que comecei a publicar, por aqui, no s\u00e1bado passado &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/viver-sem-musica-seria-um-equivoco\/\">\u201cViver sem m\u00fasica seria um equ\u00edvoco\u201d<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda resta-me a esperan\u00e7a de voltar a ele e \u00e0s minhas historietas proximamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, hoje, n\u00e3o tenho como fechar os olhos e o teclado para o ca\u00f3tico momento que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem a mo\u00e7a \u2013 ali, por volta dos 30 anos, rec\u00e9m-casada e que sonha ser m\u00e3e \u2013 identificou o jornalista e lhe fez as perguntas que o veterano rep\u00f3rter, acabrunhado, n\u00e3o soube responder:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje voc\u00ea n\u00e3o escreveu. Por que? \u00c9 verdade que a terceira guerra mundial j\u00e1 come\u00e7ou?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do meu balan\u00e7ar de ombros e constrangido sil\u00eancio no Blog e na vida, concluiu por conta e risco:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPuxa, o que o futuro nos reserva? \u00c9 muita responsabilidade p\u00f4r uma crian\u00e7a no mundo de hoje, n\u00e3o?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que querem\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Que abramos m\u00e3o dos nossos sonhos, mesmo os mais sagrados e belos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E mais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cliquem nos t\u00edtulos abaixo para ler a \u00edntegra do conto sobre o v\u00f4 Carlito e o v\u00f4 Rodolfo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/o-alfaiate-e-o-chapeleiro\/\">O<strong> alfaiate e o chapeleiro (*)<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/o-alfaiate-e-o-chapeleiro-2\/\"><strong>O alfaiate e o chapeleiro \u2013 2<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Reitero aqui o que digo e escrevo h\u00e1 algum tempo: <\/p>\n\n\n\n<p>Se o mundo n\u00e3o deu certo, n\u00e3o foi por falta de trilha sonora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sR1gC4GsFGM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>Teer\u00e3 28\/02\/2026. 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