{"id":36502,"date":"2026-03-06T11:55:00","date_gmt":"2026-03-06T11:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=36502"},"modified":"2026-03-06T17:40:28","modified_gmt":"2026-03-06T17:40:28","slug":"minha-memoria-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/minha-memoria-musical\/","title":{"rendered":"Minha mem\u00f3ria musical"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cTudo \u00e9 tudo. E nada \u00e9 nada\u201d-  ensinou o sacolejante fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo Tim Maia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que tal hoje eu dar continuidade \u00e0 minha mem\u00f3ria musical que comecei no post de s\u00e1bado passado, dia 28 &#8211;<strong> <a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/viver-sem-musica-seria-um-equivoco\/\">Viver sem m\u00fasica seria um equ\u00edvoco<\/a><\/strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/viver-sem-musica-seria-um-equivoco\/\">?<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sigamos, ent\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00f4 Carlito, na vitrola ao lado do r\u00e1dio Capelinha, ouvia os tenores l\u00edricos Tito Schipa e Beniamino Giglia. Ele pr\u00f3prio, no entanto, a bordo de alguns copos de vinho preferia cantarolar as regional\u00edssimas \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d e \u201cDe Papo Pro Ar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai, o Velho Aldo, adorava boleros. \u201cBesame Mucho&#8221; era a can\u00e7\u00e3o favorita.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Yolanda, minha m\u00e3e, ouvia r\u00e1dio o dia todo. Comandava a programa\u00e7\u00e3o musical l\u00e1 de casa. Bem verdade que ela entremeava as melodias aos dramalh\u00f5es das novelas da R\u00e1dio S\u00e3o Paulo. Entre um cap\u00edtulo e outro, por\u00e9m, as vozes de Caubi Peixoto (\u201cConcei\u00e7\u00e3o\u201d), \u00c2ngela Maria (\u201cBabalu\u201d) e Dem\u00f4nios da Garoa (\u201cSaudosa Maloca\u201d e \u201cSamba do Arnesto\u201d) invadiam soberanas os aposentos da humilde moradia da rua Muniz de Souza 420.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Meu tio Nandinho era convicto na afirma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCantor de verdade \u00e9 o Vicente Celestino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O tio Toninho era mais da boemia rom\u00e2ntica. Gostava de N\u00e9lson Gon\u00e7alves e das can\u00e7\u00f5es de amores exasperados de Adelino Moreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Tio Neno tinha um gosto musical, digamos, ex\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Tocava castanholas enquanto ouvia m\u00fasica flamenca. Ol\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uns dez, onze anos mais velho que eu, meu cunhado Waltinho era f\u00e3 de Orlando Silva. Presenteou a mana Rosa com um vinil 78 rota\u00e7\u00f5es com as m\u00fasicas \u201cRosa\u201d e \u201cCarinhoso\u201d na voz poderosa do Cantor das Multid\u00f5es. Querem prova de amor maior?<\/p>\n\n\n\n<p>Waltinho era craque de bola \u2013 e tamb\u00e9m adorava sambas antigos. Com ele, aprendi a gostar de Ata\u00falfo Alves, Ismael Silva, Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Roberto Silva entre outros bambas.<\/p>\n\n\n\n<p>A mana Doroti, um dia, chegou em casa com um compacto simples de Ray Charles. Um baita sucesso nas r\u00e1dios. De um lado: \u201cGeorgia On My Mind\u201d. Do outro: \u201cI Cant Stop Loving You\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No meu imagin\u00e1rio, Elvis Presley, Neil Sedaka (que semana passada faleceu, aos 86 anos), Dolores Duran, Jo\u00e3o Gilberto e a bossa-nova s\u00e3o marcos da virada dos anos 50 para o 60.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOh, Carol&#8230;\u201d, \u201cA Noite do Meu Bem\u201d, \u201cChega de Saudade\u201d, a trilha sonora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sou da gera\u00e7\u00e3o do vinil.<\/p>\n\n\n\n<p>Explico.<\/p>\n\n\n\n<p>Digo sempre \u2013 e com certa ostenta\u00e7\u00e3o \u2013 que sou da gera\u00e7\u00e3o dos Beatles e dos Rolling Stones.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade, mas n\u00e3o inteiramente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um amigo dos tempos do gin\u00e1sio, Francisco de Paula Brand\u00e3o Bisneto, o saudoso ator Chiquinho Brand\u00e3o (lembram do Prof. Por\u00f3p\u00f3p\u00f3, do Bambalal\u00e3o na TV Cultura?), tocava viol\u00e3o (um Di Giorgio de fazer inveja ao meu modesto Giannini) e cantava as m\u00fasicas de Tom Jobim, Newton Mendon\u00e7a, Menescal, Carlinhos Lyra, Marcos e Paulo S\u00e9rgio Valle.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lhe assistia maravilhado a transitar pelas harmonias e disson\u00e2ncias da bossa-nova.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conseguia acompanh\u00e1-lo para o dueto que nunca existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Virei f\u00e3 \u2013 e j\u00e1 estava de bom tamanho para o meu talento zero.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Verdadeiramente, por\u00e9m, posso lhes afirmar que o disco que mudou a minha vida foi \u201cSamba Esquema Novo\u201d (1963) de um tal de Jorge Ben. Aquele que tem as eternas \u201cMas Que Nada\u201d, \u201cChove Chuva\u201d, \u201cPor Causa de Voc\u00ea, Menina\u201d, \u201cBalan\u00e7a Pema\u201d, entre outros hits (assim que cham\u00e1vamos as can\u00e7\u00f5es de sucesso).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era samba, mas era. N\u00e3o era bossa-nova, mas era. N\u00e3o era rock, mas a todos sacudia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed, veio a cumplicidade da m\u00fasica com a TV. Pirei com a Jovem Guarda (Roberto, Erasmo &amp; Cia) e a Era dos Festivais \u2013 Chico, Elis, Caetano, Gil, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Jair Rodrigues, Milton Nascimento&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A tal da MPB.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o se engajar? Como resistir?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o Tropicalismo de Gil, Caetano, Tomz\u00e9, Nara, Rog\u00e9rio Duprat, J\u00falio Medalha e os Mutantes aprendi que a m\u00fasica transcende.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale o que se sente, o que nos embala e o que nos acarinha fortemente naquela misteriosa sensa\u00e7\u00e3o que, inesperadamente, vai se aninhar entre o cora\u00e7\u00e3o e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esqueci de citar acima, meu outro cunhado &#8211; o Z\u00e9 Mango. Pacientemente tentou me ensinar os primeiros acordes no viol\u00e3o, pois era m\u00fasico. Orgulhoso mostrava uma foto em que aparecia como componente de um trio de violonistas e cantantes nos moldes do ent\u00e3o famoso Trio Irakitam. Ele aparecia na imagem jovenzinho de tudo, com um viol\u00e3o maior do que os demais. Era respons\u00e1vel por fazer o contra-baixo nas harmoniza\u00e7\u00f5es das guar\u00e2nias, boleros e sambas-can\u00e7\u00f5es. Mesmo com toda a paci\u00eancia do Mango, n\u00e3o consegui avan\u00e7ar muita coisa no dedilhar do viol\u00e3o, mas uma dolente e bem interpretada can\u00e7\u00e3o de amor, confesso, me tira o ch\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Trio Irakitan - Eu nunca mais vou te esquecer (Moacyr Franco)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tFuo2euwXz8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota do Autor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o prometo quando. Mas, ainda voltarei ao tema. Preciso lhes falar das m\u00fasicas italianas, da gera\u00e7\u00e3o de briga da MPB, do Clube da Esquina e de outros roqueiros e afins.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>\u201cTudo \u00e9 tudo. 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