{"id":37014,"date":"2026-05-26T11:59:00","date_gmt":"2026-05-26T11:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37014"},"modified":"2026-05-27T23:00:39","modified_gmt":"2026-05-27T23:00:39","slug":"o-atalho-e-o-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-atalho-e-o-caminho\/","title":{"rendered":"O atalho e o caminho&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Por alguns muitos anos, eu e o Escova teim\u00e1vamos em repetir o ritual da turma de malajmbrados \u2013 jornalistas e afins \u2013 que, naqueles idos e havidos tempos reunia-se no boteco chinfrim da esquina das ruas Bom Pastor com Greenfeld, onde hoje est\u00e1 a Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3 do Metr\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Era nosso ponto de encontro dia sim e outro tamb\u00e9m. <\/p>\n\n\n\n<p>Dali, malucosbelezas, jovens e inconsequentes, i\u00e7\u00e1vamos as velas das nossas mambembes embarca\u00e7\u00f5es para ganharmos os mares em mil e uma aventuras (que, talvez, e muito provavelmente, nunca tenham sido t\u00e3o venturosas como hoje as lembramos).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a vitalidade de outrora, ali por meados da segunda d\u00e9cada do novo s\u00e9culo, j\u00e1 na casa dos 50 e muitos, eu, o Escova e o Poeta (que, diga-se, n\u00e3o era daquele bando, mas juntou-se \u00e0 dupla por gosto e falta de coisa melhor pra cuidar), escolhemos  as manh\u00e3s de s\u00e1bado para revirarmos o ba\u00fa das nossas lembran\u00e7as num boteco qualquer sempre nas quebradas do antigo Ponto F\u00e1brica, no distrito do Sacom\u00e3, S\u00e3o Paulo, Brasil. CEP&#8230; (Fico devendo o CEP).<\/p>\n\n\n\n<p> Ali, beberic\u00e1vamos (mais o Escova e Poeta do que eu, sou sincero) em nome da saudade dos amigos que partiram antes do combinado e de outros ausentes por gosto e op\u00e7\u00e3o. Convers\u00e1vamos e convers\u00e1vamos  sobre os companheiros, o jornalismo e as generalidades da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 para dizer que, \u00e0 nossa maneira, pass\u00e1vamos a limpo nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a hist\u00f3ria do Brasil e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 para dizer tamb\u00e9m que, reconhe\u00e7a-se, era uma v\u00e3 tentativa de se ludibriar a saudade \u2013 e, de alguma forma, redimensionar o verso do ga\u00facho poeta Mario Quintana, referencial de sabedoria e sensibilidade para mim, para o Escova e o amigo Poeta que, apesar do apelido, n\u00e3o era do babado de versar:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAi de mim,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai de ti, \u00f3 velho mar profundo,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Eu venho \u00e0 tona de todos os naufr\u00e1gios!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, houve um s\u00e1bado que, assim que nos encontramos, deu para perceber que est\u00e1vamos injuriados. N\u00e3o sab\u00edamos o motivo da bronca que carreg\u00e1vamos no peito \u2013 e foi exatamente este o ponto inicial da nossa conversa. Esquecemos o futebol, as fofocas da semana, as quest\u00f5es da pol\u00edtica, as lembran\u00e7as e ambos dividimos numa lanchonete rec\u00e9m-inaugurada uma Coca Zero, o que, para mim, era normal; mas para o Escova era um duplo pecado mortal: trocar o boteco por uma casa de fast-food e, de quebra, beber refrigerante.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebi que est\u00e1vamos mal mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembro bem. Mas, foi agosto ou setembro de 2013. O Brasil claudicava nos rastro daquelas manifesta\u00e7\u00f5es fascitoides e ensandecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Estamos, outra vez, sem rumo e sem prumo. A coisa toda vai degringolar. \u00c9 quest\u00e3o de tempo. E n\u00e3o h\u00e1 nada que eu ou voc\u00ea ou Poeta possamos fazer, meu caro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a enigm\u00e1tica frase do Escova antes de nos despedirmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesou-nos o sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Achei que o amigo estava em del\u00edrio, dada a volunt\u00e1ria abstin\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 tristeza mesmo com a estupidez solta e incontrol\u00e1vel que leu no notici\u00e1rio do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tantos e tantos anos depois. <\/p>\n\n\n\n<p>Longe do Escova que se mudou para a Fran\u00e7a semanas depois do impeachment da Dilma, com a prof\u00e9tica frase: \u201cVai ser a barb\u00e1rie, meu caro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p> Longe do Escova e sem not\u00edcia do Poeta que escafedeu-se sei l\u00e1 para onde \u2013 rememoro aqueles idos e tenho que escrever. Mas, sinceramente, n\u00e3o tenho o que escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesa-me o sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem t\u00ea-los por perto para perola\u00e7\u00f5es e eventuais &#8216;viagens&#8217; sem sair do balc\u00e3o, busco nos portais a not\u00edcia do dia e pondero comigo mesmo: n\u00e3o tenho como reverberar (e comemorar, enfim) a boa nova que acabo de ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu hoje no Uol:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2026\/05\/26\/bolsa-familia-melhora-idh-onu-brasil.htm\">Regra do Bolsa Fam\u00edlia fez Brasil atingir maior IDH da hist\u00f3ria, aponta ONU<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que se entender a distin\u00e7\u00e3o entre &#8220;atalhos&#8217; e &#8220;caminhos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes, um e outro se fazem necess\u00e1rios num dado momento para corre\u00e7\u00e3o da rota.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual rota?<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela que se prop\u00f5e &#8220;a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil de todos os brasileiros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>(Express\u00e3o que ouvi do ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri numa noite luminosa que se perdeu nos desv\u00e3os do tempo&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed o que me dizem, os car\u00edssimos leitores?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Walter Franco - Lindo Blue (\u00c1udio Oficial)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OwpQ05ijzqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230; <\/p>\n<p>Por alguns muitos anos, eu e o Escova teim\u00e1vamos em repetir o ritual da turma de malajmbrados \u2013 jornalistas e afins \u2013 que,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5525,5529,5527,5526,455,3403,5528,213,514,795],"class_list":["post-37014","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-atalhos","tag-bolsa-familia","tag-brasil-de-todos-os-brasileiros","tag-caminhos","tag-escova","tag-guarnieri","tag-naufragios","tag-poeta","tag-quintana","tag-walter-franco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37014"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37014\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37032,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37014\/revisions\/37032"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}