{"id":37412,"date":"2026-07-19T06:00:00","date_gmt":"2026-07-19T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37412"},"modified":"2026-07-19T15:21:59","modified_gmt":"2026-07-19T15:21:59","slug":"no-dia-em-que-fomos-mais-felizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-dia-em-que-fomos-mais-felizes\/","title":{"rendered":"No dia em que fomos mais felizes&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Garoto a enfeitar a rua para o jogo da sele\u00e7\u00e3o\/Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Escrevi uns 20 e tantos posts no decorrer desta Copa do Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havia me dado conta da longa sequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foram tantas as emo\u00e7\u00f5es&#8221; &#8211; diria Roberto Carlos, o cantor.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi divertido, eu lhes digo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O futebol \u00e9 o \u00f3pio do povo&#8221; &#8211; exagerava o pessoal da Resist\u00eancia nos idos de 70, quando os indesej\u00e1veis ditadores de plant\u00e3o faziam uso da sele\u00e7\u00e3o para que o pov\u00e3o esquecesse as mazelas do autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por favor, amigo leitor, senta que l\u00e1 vem hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembran\u00e7as, lembran\u00e7as&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pode ter sido um sonho sonhado, desses que se sonha juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonho sonhado e prazerosamente vivido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pois saiba quem me honra com a leitura deste post\/cr\u00f4nica na manh\u00e3 deste domingo da grande final da Copa do Mundo de 2026 que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; no dia em que fomos mais felizes, era tamb\u00e9m um domingo, 21 de junho de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Concientemente iludidos ou n\u00e3o, a verdade \u00fanica e verdadeira \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>Aquele time de Pel\u00e9, Tost\u00e3o, Rivelino, Jairzinho &amp; Cia fez a Na\u00e7\u00e3o encantar-se , independente de ideologias e, num momento em que, mesmo com todos os pesarosos pesares, pod\u00edamos ousar o sonho de um dia ser mesmo uma verdadeira Na\u00e7\u00e3o, dessas em que se escreve com a letra N em caixa_alta para identificar o sentimento uno e indivis\u00edvel de uma socidedade fraterna e justa que, digamos, imagina e cr\u00ea no sonho coletivo do Bem Comum.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele fim de tarde de domingo,<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; sa\u00edmos ent\u00e3o \u00e0s ruas, em caudalosas multid\u00f5es, a cantar a marchinha ufanista (&#8220;Todos juntos\/Vamos\/Salve a Sele\u00e7\u00e3o&#8221;), mas n\u00e3o s\u00f3. Del\u00edrio coletivo. Outros sambas explodiram na boca do pov\u00e3o. O mais popular deles era o de Paulinho da Viola, o transcendental &#8220;Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazia enorme sucesso \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tinha 19 para 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui no embalo da turma &#8211; e, das ruas do Ipiranga, levado n\u00e3o sei bem como, nem por quem (pode ser de carona num jipe antigo, sem capota?), acabamos, eu e os meus, no meio da turba dos contentes que inundava de felicidades pela Avenida Paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9ramos tricampe\u00f5es do mundo!<\/p>\n\n\n\n<p>Imbat\u00edveis, e insuper\u00e1veis. Simples assim.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o a cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Os batuqueiros de alguma escola de samba da cidade &#8216;puxavam&#8217; o euf\u00f3rico baticum e arrastavam muitos e tantos, milhares talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim as pessoas se sacolejavam como podiam e seguiam num passo mi\u00fado, cadenciado, algo tr\u00f4pego para onde a vida e a alegria daquela conquista nos levasse. <\/p>\n\n\n\n<p>Sem rumo, sem prumo (que muitos j\u00e1 estavam bem calibrados), sem qualquer orienta\u00e7\u00e3o, na base do vamos-que-vamos, encampamos a rua Augusta em nosso trajeto improvisado e mambembe.<\/p>\n\n\n\n<p> O tr\u00e2nsito parou no espanto, o tal do &#8216;leito carro\u00e7\u00e1vel&#8221; era dos sacudidos das quebradas dos mundar\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, pelo Baixo Augusta, nas imedia\u00e7\u00f5es da Pra\u00e7a Roosevelt, me pareceu ver o dramaturgo Pl\u00ednio Marcos em frente a um boteco.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhei porque algu\u00e9m gritou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Olha l\u00e1 o Pl\u00ednio Marcos, Ali, ali!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhei&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Sinceramente, n\u00e3o tenho certeza de que era ele mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Certeza, certeza, mesmo&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Foi o encontro com o Darci, amigo de inf\u00e2ncia, l\u00e1 dos tempos em que morei no Cambuci.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um dos batuqueiros. Fazia o &#8216;gurugudum&#8217; do contrassurdo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorria feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem ali n\u00e3o estava em estado de gra\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntei por perguntar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E a\u00ed&#8230; De onde saiu esse batuque?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Da Liberdade, Carlinho (no Cambuci, me chamavam meu segundo nome, Carlos. Como havia um goleiro no time do Jo\u00e3o Bicudo que tamb\u00e9m se chamava Carlos. Eu, um esfor\u00e7ado beque direito, passei a ser o Carlinho).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Do bairro da Liberdade?&#8221;, repeti.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele, todo prosa:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Somos a Escola de Samba Gr\u00eamio Recreativo Cultural Caprichosos da Liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Eita que nome mais lindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eita lembran\u00e7a que n\u00e3o se apaga!<\/p>\n\n\n\n<p>Caprichar na liberdade de ser feliz. Sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>(Apesar de todos os pesares. E de olho grande na final Espanha e Argentina.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Paulinho Da Viola - Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DFBBy0RY8p0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota do Blogueiro:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falei, falei, falei tanto no post de ontem &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/placar-bailarino-6-x-4-inglaterra-em-3\/\">Placar bailarino: 6 x 4. Inglaterra em 3\u00b0<\/a><\/strong> &#8211; e esqueci de dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro lugar que a Inglaterra ontem conquistou foi a melhor coloca\u00e7\u00e3o dos ingleses desde 1966 quando foram campe\u00f5es do mundo pela primeira e \u00fanica vez.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 60 anos!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Garoto a enfeitar a rua para o jogo da sele\u00e7\u00e3o\/Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Escrevi uns 20 e tantos posts no decorrer desta Copa do Mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37282,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[151,5670,1772,3901,5671,924,5669],"class_list":["post-37412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-brasil","tag-caprichosos-da-liberdade","tag-comemoracao","tag-copa-de-70","tag-darci","tag-plinio-marcos","tag-tricampeoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37412"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37448,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37412\/revisions\/37448"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}