{"id":37472,"date":"2026-07-23T09:00:00","date_gmt":"2026-07-23T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37472"},"modified":"2026-07-23T20:48:13","modified_gmt":"2026-07-23T20:48:13","slug":"dean-martin-o-primo-do-calabres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dean-martin-o-primo-do-calabres\/","title":{"rendered":"Dean Martin, o primo do Calabr\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/capa do livro &#8211; Dean Martin: King of the Road\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Permitam-me que continue hoje no embalo da postagem de ontem:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-linda-cancao-do-passado\/\">Uma linda can\u00e7\u00e3o do passado<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deixem que eu explico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como meus bons e fi\u00e9is leitores (ainda est\u00e3o a\u00ed?) sabem, escrevi o arrazoado de ontem depois de ouvir Dean Martin cantar uma bela can\u00e7\u00e3o (\u201cBy the Time I Get to Phoenix\u201d) dos meus tempos de jovenzinho \u2013 e que eu at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 conhecia na interpreta\u00e7\u00e3o de Johnny Rivers.<\/p>\n\n\n\n<p>Acabei por lhes falar mais de Rivers do que propriamente do ator e cantor americano que, desconfio, ainda que meio na base do inconsciente, era a motiva\u00e7\u00e3o da cr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho l\u00e1 grande controle de para onde as palavras me levam quando me ponho a batucar letrinhas, seja no velho <em>lap-top<\/em>, seja improvisadamente no teclado do celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Improvisadamente\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A vida, meus caros e raros, \u00e9 um grande improviso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ent\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Escapou-me ontem de dizer \u2013 e talvez fosse o principal que eu tinha a lhes dizer \u2013 que toda vez que ou\u00e7o ou leio algo a respeito de Dean Martin, inevit\u00e1l me \u00e9: lembro do meu pai, o Velho Aldo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois nasceram em 1917. O pai nasceu em maio; Dean, em junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o dessa tola coincid\u00eancia de datas \u2013 e tamb\u00e9m pelo sobrenome art\u00edstico de Dean, o Martin, o pai \u2013 Aldo Martino \u2013 deu de contar grandezas e espalhar que era primo \u201cem primeiro grau\u201d do ator \u00edtalo-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Meados dos anos 50, virada para os 60, talvez. Dean Martin fazia enorme sucesso nas telas dos cinemas na inesquec\u00edvel parceria com o not\u00e1vel Jerry Lewis.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai soltou a novidade na roda de amigos, numa das noitadas de \u201cPatr\u00e3o e Sotto\u201d no Bar Ast\u00f3ria, na rua Lavap\u00e9s, onde a italianada de amigos se reunia sempre que poss\u00edvel. Ou seja, quase sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se foi efeito da cerveja.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lhes garanto. Digo apenas que, como prova irrefut\u00e1vel do parentesco, acrescentou por conta e risco que o nome real da celebridade era Dino de Martino.<\/p>\n\n\n\n<p>(N\u00e3o havia Google \u00e0 \u00e9poca, nem IA, Wikip\u00e9dia, nem sequer qualquer outra engenhoca do tipo.)<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas insisto \u2013 e digo: seguiu-se \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, um sil\u00eancio maroto nos sal\u00e3o do fundo do Ast\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Italianos, oriundi e agregados desconfiaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Reza a tradi\u00e7\u00e3o da Velha Bota que, com essas coisas de fam\u00edlia (ou Famiglia), n\u00e3o se deve brincar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Calabr\u00eas (apelido do pai) estava dizendo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, o pai se empolgou com a papagaiada.<\/p>\n\n\n\n<p>Inventou que o irm\u00e3o mais velho do v\u00f4 Rodolfo (o pai do meu pai) n\u00e3o se adaptou ao Brasil. Muito calor. \u201cTerra estranha, sem neve e infestada de mosquitos\u201d. Por isso, foi morar nos Estados Unidos e l\u00e1, sim, \u201cfazer a Am\u00e9rica\u201d, sonho de todo e qualquer imigrante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A turma pareceu acreditar na balela.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, alguns minutos depois e outras tantas rodadas de cerveja, e todos na grande mesa saudarem o Velho Aldo e seus la\u00e7os familares.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem puxou o brinde foi o Sr. Gar\u00f3falo que era o cantor e uma esp\u00e9cie de porta-voz da turma.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse ele:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o Ardo \u00e9 primo do Dean Martin como diz, eu sou irm\u00e3o do Frank Sinatra, n\u00e3o se fala mais nisso!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed foi o Armando que tomou a palavra. Ajeitou os cabelos retintos de um acaju que n\u00e3o consta entre as cores do arco-\u00edris, discursou solene:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o Aldo \u00e9 primo do Dean Martin, se o nosso cantor Gar\u00f3falo \u00e9 irm\u00e3o do Sinatra, eu modestamente quero lhes dizer que sou afilhado do Humprey Bogart. Brindemos!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Patara, conhecido como \u2018p\u00e9-de-valsa\u2019, aproveitou a deixa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o Aldo \u00e9 primo do Dean Martin, se o Gar\u00f3falo \u00e9 irm\u00e3o do Sinatra e se o Armando Caju, afilhado do Bogart, ent\u00e3o, meus caros, eu sou o pr\u00f3prio Fred Astaire. Ou n\u00e3o? Perguntem \u00e0s dan\u00e7arinas do Avenida?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Um a uma os italianinhos do Cambuci foram se identificando com nomes famosos da \u00e9poca\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Uma farra de velhos garotos crescidos \u2013 e saudosos das coisas da It\u00e1lia, terra de origem de alguns ou dos pais de outros<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de lembrar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro deles como senhores de uma leveza d\u2019alma e senso de fraternidade, raridade das raridades em nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Termino esclarecendo o que \u00e9 preciso esclarecer:<\/p>\n\n\n\n<p>Correto dizer que Dean Martin nasceu em junho de 1917. Que \u00e9 \u00edtalo-americano e que tem como prenome Dino\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Dino Paul Crocetti.<\/p>\n\n\n\n<p>(E n\u00e3o se fala mais nisso.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Dean Martin - Everybody Loves Somebody (Official Audio)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z-2_OstpR5c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/capa do livro &#8211; Dean Martin: King of the Road\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permitam-me que continue hoje no embalo da postagem de ontem:<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-linda-cancao-do-passado\/\">Uma linda can\u00e7\u00e3o do passado<\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37473,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5677,748,264,35,747,3564,135,3096,279],"class_list":["post-37472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-amigos-do-pai","tag-bar-astoria","tag-cambuci","tag-dean-martin","tag-dino-de-martino","tag-italianada","tag-memoria","tag-meu-pai","tag-velho-aldo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37472"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37472\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37484,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37472\/revisions\/37484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}