{"id":37585,"date":"2026-08-07T08:30:00","date_gmt":"2026-08-07T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37585"},"modified":"2026-08-07T15:46:15","modified_gmt":"2026-08-07T15:46:15","slug":"amanhece-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/amanhece-na-cidade\/","title":{"rendered":"Amanhece na cidade"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vasculhei o que pude e o que n\u00e3o pude os livros de Fernando Sabino assim que voltei da semestral avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a qual tenho justo direito por for\u00e7a (ou aus\u00eancia de for\u00e7a) dos longos anos vividos \u2013 e, diria eu sem falsa mod\u00e9stia \u2013 atropeladamente bem-vividos.<\/p>\n\n\n\n<p>Explico (eu que n\u00e3o sou um sambista genu\u00edno) os atropelos que me s\u00e3o (ou foram) naturais com aquele verso famoso do igualmente famoso Zeca Pagodinho:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeixa a vida me levar\u2026 Vida leva eu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Em assim sendo \u2013 express\u00e3o que aprendi com meu saudoso cunhado Waltinho \u2013 acordei hoje, quase ontem, por volta das 5 da matina para a primeira consulta do dia no bendito hospital, longe pra ded\u00e9u de casa, do outro lado metr\u00f3pole paulistana. Vinte e tantos quil\u00f4metros, por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tempos n\u00e3o fa\u00e7o tamanha proeza. Acordar e o c\u00e9u ainda estar escuro, escuro\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ok. Dou plena raz\u00e3o ao amigo que fizer a inevit\u00e1vel pondera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Coisa de quem n\u00e3o \u00e9 mais o que um dia foi. Sem agenda. Sem compromisso com os prazos e o rel\u00f3gio do ponto. Inst\u00e2ncias que ficaram no passado que passou\u2026 (O lufa-lufa das aulas matutinas. Os prazos de fechamento da edi\u00e7\u00e3o nas reda\u00e7\u00f5es dos jornais onde andei. E outros corres que me eram habituais e cotidianos.)<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o clamo, nem sequer reclamo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7o a constata\u00e7\u00e3o \u2013 e lhes dou o mote de toda essa prosa solta:<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade me pareceu outra. Idem, as gentes, os carros de far\u00f3is ainda acesos, o movimento do novo dia enquanto a linha do horizonte lampejava os primeiros tons do clarear.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 aqui que eu volto ao escritor Fernando Sabino que citei no primeiro par\u00e1grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrei uma cr\u00f4nica antiga das milhares que Sabino escreveu. O texto discorria sobre um inveterado bo\u00eamio, senhor de s\u00f3lidos h\u00e1bitos noturnos, bom vivant e frequentador dos bares e boates de ent\u00e3o\u2026 Era essa a vida que levava \u2013 e assim imaginava ele, o bo\u00eamio, era a vida real para todos os seres viventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por algum motivo que n\u00e3o lembro qual, nosso distinto personagem demorou-se al\u00e9m das horas na gandaia \u2013 e, por descuido, aconteceu de ver a cidade amanhecer. Houve um estranhamento generalizado. Era assim, pois, que viviam os homens enquanto ele dormia o sono dos cultores de Hedones, a deusa grega dos prazeres.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou bo\u00eamio.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de mim imaginar-me um Fernando Sabino das letras.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 fui saber quem era Hedones, filha de Eros (amor) com Psiqu\u00ea (alma) j\u00e1 rapazola nas aulas de Literatura Comparada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, vivi hoje meus momentos de estranhamentos, como o personagem da cr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A bendita cr\u00f4nica que procurei nos livros e tanto gostaria de reler.<\/p>\n\n\n\n<p>Apelei at\u00e9 para a onipresente IA.<\/p>\n\n\n\n<p>Apelei, em v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Aldir Blanc | Vida noturna (Aldir Blanc e Jo\u00e3o Bosco) | \u00c1lbum &#039;Vida noturna&#039;\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oUqzV8cRcyY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Vasculhei o que pude e o que n\u00e3o pude os livros de Fernando Sabino assim que voltei da semestral avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a qual tenho justo direito por for\u00e7a (ou aus\u00eancia de for\u00e7a) dos longos anos vividos \u2013 e,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37586,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5713,482,5714,90,742],"class_list":["post-37585","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-amanhecer","tag-cidade","tag-cotidiano","tag-cronica","tag-fernando-sabino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37585"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37591,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37585\/revisions\/37591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}