{"id":37593,"date":"2026-08-08T10:00:00","date_gmt":"2026-08-08T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37593"},"modified":"2026-08-10T13:38:45","modified_gmt":"2026-08-10T13:38:45","slug":"a-tal-globalizacao-e-o-tio-do-pave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-tal-globalizacao-e-o-tio-do-pave\/","title":{"rendered":"A tal globaliza\u00e7\u00e3o e o Tio do Pav\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Manifesta\u00e7\u00e3o nas ruas de Munique, Alemanha.\/Arquivo\/Blog do RCM<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos cham\u00e1-lo de Oleg\u00e1rio\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seria Id\u00e1rio ou simplesmente M\u00e1rio. Amaro, talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro, sim, que o citado cidad\u00e3o era o mais falante do grupo que se formou, digamos, involuntariamente para um prosaico City Tour pela agrad\u00e1vel cidade de Munique, na Baviera alem\u00e3, naquele antigo ano em que l\u00e1 estive.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem senhor era t\u00e3o desabrido e tagarela que bastou uma parada, na noite anterior, para conhecermos \u201ca maior cervejaria do mundo\u201d &#8211; Hofbr\u00e4uhaus am Platzl<strong> <\/strong>, com capacidade para cerca de 3 mil pessoas sentadas \u2013 para o Oleg\u00e1rio ou Id\u00e1rio ou M\u00e1rio (Amaro, talvez) ganhar o singelo apelido de \u201co Tio do Pav\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s viemos aqui para beber ou para conversar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele interrompeu toscamente o guia que nos explicava, em tr\u00f4pego portunhol, a hist\u00f3ria das cervejarias alem\u00e3s famosas, respons\u00e1veis pelo sucesso mundial da Orktoberfest.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fundada em 1589, esta \u00e9 a cervejaria mais famosa do mundo, muito tur\u00edstica, animada com m\u00fasica ao vivo e localizada no centro\u2026&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLegal, legal\u2026 Mas, n\u00f3s viemos aqui para beber ou para conversar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mereceu a alcunha, ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sei, e at\u00e9 entendo.<\/p>\n\n\n\n<p>A espontaneidade nos \u00e9 coisa natural quando viajamos e nos sentimos \u00e0 vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, h\u00e1 um certo limite, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Um tantinho mais al\u00e9m da t\u00eanue linha do oportuno, do respeitoso, e eu me ponho em sinal de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Alerta que, diga-se, soou forte quando n\u00e3o sei quem da organiza\u00e7\u00e3o do passeio ou da casa avisaram a chegada de um grupo de \u2018brasilianos\u2019 aos m\u00fasicos alem\u00e3es que animavam a noite. Bastou uns minutos e ouvimos a voz do vocalista tedesco a entoar o nosso manjado \u201cMas Que Nada\u201d num idioma que imagino ser intergal\u00e1ctico. <\/p>\n\n\n\n<p>Entendia-se bulhufas. S\u00f3 se distinguia o refr\u00e3o &#8220;oba-oba-ob\u00e1aa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplaudi a iniciativa e fiquei matutando comigo mesmo se houve alguma vez em que viajei para outros pa\u00edses que n\u00e3o tenha ouvido a can\u00e7\u00e3o do carioca Jorge Ben Jor em uma das mil e uma leituras que recebeu mundo afora, seja em bares, restaurantes, lojas e mesmo na esfor\u00e7ada interpreta\u00e7\u00e3o de um cantante gringo como ali aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos a tal globaliza\u00e7\u00e3o, disse o Tio do Pav\u00ea e eu apoiei a observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um momento \u00fanico de transi\u00e7\u00e3o que a gente verdadeiramente n\u00e3o sabe bem para onde vai \u2013 e se vai?<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto elucubrava minhas tolas reflex\u00f5es, vejo a figura de canec\u00e3o em punho, de p\u00e9 a entrecortar o samba-polca que ouv\u00edamos, com sonoros berros de\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToca Raul!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Maluco-beleza!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToca Raul!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Que cena, amigos&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Que cena constrangedora!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, continuamos o City Tour.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ruas da metr\u00f3pole b\u00e1vara, mesmo na primavera gelada (chegou a nevar horas antes), trope\u00e7amos com manifestantes que sa\u00edram \u00e0s ruas centrais e circulavam a pra\u00e7a central.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratava-se de uma mobiliza\u00e7\u00e3o genericamente pela paz, mas agregava outras causas \u2013 a legitima\u00e7\u00e3o dos direitos das minorias, a abertura das fronteiras para os refugiados, o risco iminente da bomba nuclear \u2013 que mal consigo distinguir nos cartazes escritos em ingl\u00eas e alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a globaliza\u00e7\u00e3o, amigo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Bem pr\u00f3ximo a mim, Oleg\u00e1rio ou Id\u00e1rio ou M\u00e1rio (Amaro, talvez) diz e acrescenta com ares professorais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale para a Alemanha. Vale para o nosso Brasil. Vale para o mundo todo!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriso troncho em muitos de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha tradu\u00e7\u00e3o para o sil\u00eancio c\u00famplice que se fez foi a seguinte: temos poucos dias de desfrute por aqui. Logo voltaremos para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida real nos espera, penso, mas n\u00e3o ouso dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Se um Tioz\u00e3o incomoda muita gente, dois tioz\u00f5es reclamudos incomodam muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Viajar \u00e9 sempre um drible de corpo que damos em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ponderemos amigos e futuros leitores, Munique \u00e9 uma cidade das mais agrad\u00e1veis. At\u00e9 com a tal manifesta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do que ainda estamos por visitar os aclamados arredores com castelos de contos de fadas, outras tantas cervejarias e os tais cen\u00e1rios de abundante verde\u2026 Ah, e ainda tem essa gente que anda pra l\u00e1 e pra c\u00e1 e, \u00e0 primeira vista, se mostra despreocupada e feliz. Como se, por aqui, problemas n\u00e3o os h\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso nos envolve e\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, melhor esquecer os problemas do mundo (ao menos, por esses dias) e saborear o tempo que nos resta por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso, mas quem disse que o apalermado Oleg\u00e1rio ou Id\u00e1rio ou M\u00e1rio (Amaro,talvez) pensa igual?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale pro nosso Brasil, certo? Do jeito que est\u00e1 n\u00e3o pode ficar. Certo?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Diz e olha cobrando a minha resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCerto?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Certo!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vou al\u00e9m disso, por\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase lhe respondo que a \u00fanica certeza que tive naquela hora foi a \u00f3bvia e ululante:<\/p>\n\n\n\n<p>Escolher melhor as companhias para o passeio de logo mais ao Castelo de Neuschwanstein.<\/p>\n\n\n\n<p>(Se \u00e9 que me entendem?)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>De um assunto pr&#8217;outro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Antecipo meu <strong>Feliz Dia dos Pais<\/strong> a todos e tamanhos!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E explico:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Amanh\u00e3, domigo, o papai aqui folga.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Volto na segunda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Deixo-lhes com uma can\u00e7\u00e3o a gosto do saudoso Velho Aldo, meu pai, apaixonado por boleros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Trio Los Panchos - Sabor a Mi\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qg_L54DW69U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Manifesta\u00e7\u00e3o nas ruas de Munique, Alemanha.\/Arquivo\/Blog do RCM<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Vamos cham\u00e1-lo de Oleg\u00e1rio\u2026<\/p>\n<p>Ou seria Id\u00e1rio ou simplesmente M\u00e1rio. 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