{"id":37886,"date":"2026-09-24T10:00:00","date_gmt":"2026-09-24T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=37886"},"modified":"2026-09-24T15:58:56","modified_gmt":"2026-09-24T15:58:56","slug":"a-foto-que-nos-faz-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-foto-que-nos-faz-pensar\/","title":{"rendered":"A foto que nos faz pensar&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Berlim, 1936.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O registro fotogr\u00e1fico de uma manifesta\u00e7\u00e3o da \u2018sauda\u00e7\u00e3o nazista\u2019, realizada em 16 de junho daquele ano. Milhares e milhares de alem\u00e3es estendem o bra\u00e7o em rever\u00eancia aos s\u00edmbolos nazistas e ao F\u00fchrer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em meio da multid\u00e3o, encontra-se um rapaz de bra\u00e7os cruzados em evidente postura de protesto a toda aquela pantomima.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O silencioso\u201cn\u00e3o\u201d ao nazismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Seu nome est\u00e1 na legenda da foto: August Landmesse.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltei de Berlim, mostrei a foto que fiz da famosa foto a um amigo pr\u00f3ximo que foi implac\u00e1vel no veredicto:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 O homem era um distra\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi o ch\u00e3o no momento em que ouvi a objetiva avalia\u00e7\u00e3o do amigo. <\/p>\n\n\n\n<p>A foto me impactou fortemente quando a vi em exposi\u00e7\u00e3o no Memorial \u201cTopografia do Terror\u201d, na capital da Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Como assim? &#8211; perguntei-me at\u00f4nito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>Que fosse!<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, assim entrou para a Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcou posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos as nossas escolhas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sou um areal de lembran\u00e7as, agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Permita-me um entreato, caro leitor.<\/p>\n\n\n\n<p>Anos 50.<\/p>\n\n\n\n<p>O garoto Tchinim brinca distra\u00eddo entre as mesas e cadeiras, de madeira escura, do Bar Astoria, na rua Lavap\u00e9s, ent\u00e3o movimentada rua do bairro oper\u00e1rio do Cambuci, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai e os amigos do pai, \u201ca italianada do barulho\u201d, dizia a v\u00f3 Ignez, se re\u00fane para jogar Patr\u00e3o e Sotto, bebericar cerveja e mais cerveja, falar de futebol e corrida de cavalos, lembrar as coisas da It\u00e1lia e, quando empolgavam-se, punham-se a cantar as can\u00e7onetas italianas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Catar\u00ec, Catar\u00ec, pech\u00e8 me dici<\/em><em>sti parole amare; pecch\u00e8 me parle <\/em><em>e o core me turmiente, Catar\u00ec?\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 os via triste, triste mesmo, de chorar em p\u00fablico, uns diante dos outros, quando um <em>sfortunato<\/em>  se punha a lembrar os dias do fascismo, as persegui\u00e7\u00f5es e, caspite!, a trag\u00e9dia da ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 em territ\u00f3rio italiano.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lhes coube escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um corte para hoje,<\/p>\n\n\n\n<p>(90 anos depois.)<\/p>\n\n\n\n<p>Setembro, 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos o mesmo impasse?<\/p>\n\n\n\n<p>Manh\u00e3 de quarta-feira, 24. Tempo inst\u00e1vel, c\u00e9u acinzentado. Sem nuvens. Menos frio que ontem, mas ainda frio. <\/p>\n\n\n\n<p>Talvez chova.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDia bom \u00e9 dia de sol\u201d, lembro a frase que ontem usei na modesta homenagem que fiz \u00e0 mem\u00f3ria de Zuenir Ventura \u2013 e lhe dou plena raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou assim do veraneio, diria. Mas sinto falta dos dias mais calorosos; digamos, iluminados.<\/p>\n\n\n\n<p>O sol h\u00e1 de voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Vale para o c\u00e9u da cidade onde vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale para o Brasil em tempos de elei\u00e7\u00f5es, polarizadas (?), voto a voto.., <\/p>\n\n\n\n<p>Quem vencer\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p>Vale para o mundo cada vez mais conectado e dependente &#8220;do bater de asas de uma borboleta&#8221; num ponto qualquer do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para sempre \u00e9 sempre por um triz, ensinou Chico Buarque na linda can\u00e7\u00e3o <em>Beatriz<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Diz quantos desastres t\u00eam na minha m\u00e3o<br>Diz se \u00e9 perigoso a gente ser feliz&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Cen\u00e1rio amea\u00e7ador tamb\u00e9m nas not\u00edcias que leio.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edderes das na\u00e7\u00f5es se re\u00fanem na c\u00fapula da ONU e vejo que a polariza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se d\u00e1 ali, em meio aos pronunciamentos, arranjos e conchavos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tom belicista se sobrep\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 os que amea\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a proclamar a pr\u00f3pria supremacia, o pr\u00f3prio dom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem aceite, aplauda e, pior&#8230; H\u00e1 quem se curve servilmente a tais interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 os que resistem.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o que lhes imp\u00f5e a dignidade, o senso fraterno e plural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre dif\u00edcil, \u00e1rido, falar em herois e vil\u00e3os, sem nos aprofundarmos nas nuances de tantas e tamanhas afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lembran\u00e7a, por\u00e9m, me move e inspira (ou desespera?).<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele dia em Berlim, mesmo estarrecido com a cena que a imagem me mostrava, estava certo, tranquilo at\u00e9, que a Humanidade aprendera e nunca mais se poria frente a frente a tamanho dilema, a t\u00e3o devastadora amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O que faria se&#8230; ?<\/p>\n\n\n\n<p>O que faremos?<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Somos as nossas escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Democracia sempre!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A CAN\u00c7\u00c3O&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Chico Buarque | Beatriz (\u00c1udio Oficial) | Que Tal Um Samba?\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q4Z14nh7RWs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Berlim, 1936.<\/em><\/p>\n<p><em>O registro fotogr\u00e1fico de uma manifesta\u00e7\u00e3o da \u2018sauda\u00e7\u00e3o nazista\u2019, realizada em 16 de junho daquele ano. 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