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Título: A TV e os candidatos
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 11/08/2000
 

"Caminhando e cantando e seguindo a canção" (Geraldo Vandré)

01. A TV rouba a cena a partir da próxima semana. Começa na terça (dia 15) o horário gratuito que o TRE concede aos partidos políticos. Vamos, pois, preparar nossos ouvidos porque, obviamente, lá vem história e projetos que vão colocar a Cidade nos trilhos do futuro. É o que fatalmente todos vão prometer. Depois de eleitos, a coisa toda muda, e as desculpas são sempre maiores -- bem maiores -- que as realizações.

02. Convém, portanto, que fiquemos espertos na parada. A experiência de recentes embates eleitorais prova e comprova. A TV decide, sim. É claro que há toda uma proposta de marketing a nortear as andanças dos candidatos. Mas, a chancela final quem dá mesmo é o desempenho na telinha. Não há como negar, por exemplo, foi fundamental para a vitória do prefeito Celso Pitta aquela animação do que pretensamente seria o Fura-Fila. Os paulistanos encantaram-se com aquela mistura de bonde/ônibus e metrô a furar os congestionamentos e paradeiras da cidade, votaram no homem e deu no que deu...

03. Mas, não sejamos injustos. Pitta, Maluf e Cia não foram os únicos. O resultado das eleições presidenciais, de 89 para cá, consolidou-se a partir dos plim-plim da vida. Lembram-se do último debate entre Lula e Collor? Foi aquela troca de acusações modorrentas, sem sentido, que caracterizam esse tipo de encontro. Era noite de quinta-feira, e a eleição seria no domingo. Pois bem, o Jornal Nacional de sexta-feira leva ao ar uma edição do debate com os melhores momentos de Collor e, rigorosamente, os piores de Lula. Dizem que a ordem partiu do próprio Roberto Marinho ao assistir, no telejornal do meio-dia da própria emissora, uma versão mais equilibrada, e jornalística.

04. Com Fernando Henrique Cardoso, a coisa ficou em nível mais institucional. Desde o início se revelou o quindim da intelectualidade e dos meios de comunicação. Em nenhum momento, a nossa mídia mais poderosa deixou qualquer dúvida sobre quem era o mais capacitado para ser o novo presidente ou, como no pleito do ano passado, continuar a sê-lo. Sabe-se inclusive que as altas patentes televisivas foram chamadas a Brasília assim que o candidato Lula ousou empatar com FHC nas pesquisas. Foi no início de junho. E desde então o tucanato pôde dormir tranqüilo, pois a reeleição era favas contadas.

05. Em 1968, essa mesma Globo promoveu a fase brasileira do Festival Internacional da Canção e o público caiu de amores pela canção "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", de Geraldo Vandré. A canção tinha versos fortes e Vandré fez uma interpetação dramatizada, só voz e violão; perfeitamente identificada com aqueles que se opunham à ditadura vigente. A música alcançou projeção nacional e há quem afirme ainda hoje: a Globo foi orientada a não lhe dar a vitória. Não era, de bom tom, consagrar versos que questionavam
morrer pela Pátria e viver sem razão. Venceu "Sabiá", de Chico Buarque e Tom Jobim. Mas, por vias das dúvidas, dias depois, baixou-se o Ato Intitucional nº 5, que fechou o País de vez.

 
 
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