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Título: Em nome da paz
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 14/06/2002
 

"Somente o justo desfruta de paz de espírito" (Epícuro)

01. O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo realiza hoje, a partir do meio-dia, um ato de protesto contra a morte do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, assassinado no Rio de Janeiro. Lopes fazia uma reportagem investigativa sobre o tráfico de drogas, quando foi surpreendido com uma mini-câmera. Ele foi torturado e morto com golpes de espadas. Seu corpo foi parcialmente queimado, segundo testemunhas do Morro da Vila Cruzeiro, local onde o jornalista foi visto pela última vez. A cerimônia será no vão livre do Museu de Arte de São Paulo, na avenida Paulista. Mais do que reverenciar a memória do colega morto, no exercício da profissão, o Sindicato dos Jornalistas pretende manifestar sua indignação contra a violência urbana -- sem qualquer controle por parte dos governantes -- que cresce dia-a-dia e é hoje o grande flagelo da sociedade brasileira.

02. Organismos internacionais, como a Cruz Vermelha, já acionaram o sinal vermelho para a questão dos direitos humanos no Brasil. Entendamos claramente direitos humanos como aquela obrigação do Estado -- que não é apenas recolher impostos e meter a mão no bolso do contribuinte fomentando multas de trânsito, aumentando pedágios e quetais -- em preservar a qualidade de vida da população civil. Questões básicas como educação, moradia, saúde, saneamento e segurança são atribuições inadiáveis e necessitam de uma ação firme de quem está no Poder.

03. Pois bem. Para essas instituições, o Brasil vive índices de violência igual ou -- em alguns lugares -- superior a um país em estado de guerra declarada. Cientistas sociais brasileiros reforçam essa tese e acrescentam que, em muitos locais, a ausência (leia-se incompetência) do Estado faz com que o tráfico assuma essas funções junto às classes menos favorecidas. Recentemente, numa dessas noites insones à espera do futebol das 3 e 30 da madruga, vi numa emissora de TV a cabo o depoimento de um marginal -- com a identidade preservada -- que reiterava esse verdadeiro buraco-negro social. O homem dizia que é comum os moradores daquela determinada localidade procurarem por ele para pedir algum tipo de favor: dinheiro para ir ao médico, pagar uma prestação em atraso ou um "bico" para fazer e arranjar uns trocados.

04. Também não faz tanto tempo assim, ouvi o relato de um repórter que sobrevoou a Serra do Mar, aqui próximo à represa Billings. A proposta da pauta era uma reportagem sobre o meio-ambiente: preservação, ecologia e coisas do gênero. Quando voltou à terra, revelou-se estarrecido com o que viu. A degradação ambiental é grande? -- perguntei. E ele respondeu. Também. Mas, o pior é a degradação humana. Do alto dá para ver o teor de nitroglicerina que recende em toda a periferia da Grande São Paulo. Temos alguns Vietnãs prontos a explodir e invadir e arrasar nossas cidades -- concluiu.

05. Lamentavelmente, a morte de Tim Lopes não é um caso isolado. É o soar de alerta para uma situação emergencial. Outras tantas mortes de anônimos cidadãos, com os mesmos requintes de crueldade e perversão, acontecem diariamente nas quebradas escuras deste país chamado Brasil. E não ganham as manchetes dos jornais, nem manifestações de protestos. Esta vergonha precisa ter fim -- e, mais do que a sociedade que vive na pele essa situação, nossos governantes precisam entender o problema e enfrentá-lo como prioridade. A paz é, antes de mais nada, uma questão de justiça social. Lutemos pela Paz. Lutemos por um Brasil de todos os brasileiros.

 
 
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