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Título: O desalento do poeta e a ousadia de ser feliz
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 16/04/1999
 

"Ah! como é dificil essa vida de artista. Depois de perder Rosinha para São Paulo, perdi Maria Helena para o dentista " (Ednardo)

01. O cantor/compositor cearense, autor de "Pavão Mysterioso", sempre foi um sensível observador dos sentimentos da gente brasileira. Uma de suas canções (cujo nome não consigo lembrar agora), feita nos idos dos anos 70, terminava com os versos acima citados.Versos que retratam, com absoluta espontaneidade, todo o desalento do poeta diante dos descaminhos e da instabilidade de uma manifestação de vida chamada amor. Entende-se, pois, que de nada adiantaram o encanto, as palavras, o lirismo, a emoção e o tal Planeta Sonho, a utopia que cada um de nós planeja habitar. O artista se viu triste, sem forças para mudar as regras do jogo social e vergou diante do peso de um modo de ser burocrático de deixar tudo como está. É assim porque sempre foi assim. Mesmo que o mundo destrambelhe ladeira abaixo, não há como mudar. Não há como apostar na aventura de ser plenamente feliz...

02. Ouvi a canção na manhã de ontem, quando vinha para a Redação. Troquei o bombardeio dos noticiários matutinos ("Otan mata dezenas de refugiados", "Gasolina deve subir 6,5%", "CPI ordena bloqueio no caso Marka", "Impeachment de Pitta", "Nepotismo no Judiciário" e outros tererês do gênero) por um pouco de música. Afinal, ninguém é de ferro e o "fechamento" de GI me aguardava, com sua turbulência semanal. Há tempos não ouvia Ednardo e o bom-humor do trecho final da canção lembrou-me, de imediato, o desalento do brasileiro diante dos governos e governantes. Sempre que há uma eleição, lá vamos nós com nossos sonhos e esperanças e depositamos na urna muito mais do que simplesmente o voto, mas os anseios de um belo futuro. Depois de um tempo, só resta, como consolo, a imensurável vocação para a alegria (que é diferente de ser feliz).

03. Como nos quase-romances, acreditamos piamente que tal candidato é a única alternativa viável que temos. Mesmo que lá nos escaninhos da alma resida a intermitente dúvida de que vamos nos enrascar ainda mais, insistimos no óbvio, no burocrático até que este nos transforme em burrocráticos. Mudar, pra que? "Você vai se arrebentar". Haverá sempre alguém (quando não, nós mesmo acovardados) disposto a lembrar casos de ousadias que não deram certo. Como se mesmice e meias-soluções fossem a receita da felicidade... Ou no mínimo um anteparo para sofrimentos mais contundentes.

04. Quem nunca ouviu dizer, em épocas de eleição, que seria uma catástrofe ocupar o Planalto um governo verdadeiramente comprometido com o novo? "Um trabalhador no Poder? Vai tudo para o buraco..." Aposto que na hora do voto uma boa parcela dos eleitores levaram em conta o argumento dos conservadores e do preconceito.

05. Vale o recado do poeta que não deixou de cantar mesmo depois de ver Rosinha migrar para o equívoco do sulmaravilha e Maria Helena optar pelo comum da vida. Como todos os sonhadores, preferiu não confundir o desencanto com a verdade. Tanto para o amor como para a política de todos nós é regra vital: ousar ser feliz e se fazer presente. Alguém já escreveu e nunca é demais repetir: "A vida é, sempre foi e será aquilo que nós a tornamos..."

 
 
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