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Título: Salve-se quem puder
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 28/01/2000
 

"Você não comanda o espaço e o tempo em que a chuva cai" (governador Mário Covas ao comentar os estragos da chuva de quarta, dia 26)

01. Por um desses desvãos do destino, lá estava eu na manhã de quarta-feira em plena via Anchieta a 150 metros do Ribeirão dos Meninos, que acabara de inundar as duas pistas (central e marginal) que ligam o ABC a São Paulo. Os homens (e agora também mulheres) da Polícia Rodoviária interditaram a passagem dos automóveis e, entre esbaforidos e resignados, restou aos motoristas duas alternativas: esperar candidamente que as águas baixassem ou arriscar-se por caminhos nunca dantes navegados, via Rudge Ramos, São Caetano ou, no meu caso, por onde fosse possível avistar a terra santa do Ipiranga.

02. A primeira alternativa, à luz do bom senso, me pareceu adequada. Mas, a pressa em chegar à Redação e à vida me fez seguir o comboio de carros que, após algumas manobras, enveredou rumo ao desconhecido encharcado das ruas e vielas que margeiam a Avenida Guido Aliberti, alagada em todo seu trajeto. Fracassaram nossas vãs tentativas de atravessar o Ribeirão na ponte da Estrada das Lágrimas, da Rua Any em Vila Cristália e alcançar a Almirante Delamare, através da avenida Goiás. Ali, no início da principal via de acesso a São Caetano, tomada pelas águas e absolutamente intransitável, paramos todos -- e imaginei que o melhor era ficar por ali mesmo. Fim de linha, mas não da esperança...

03. Um Civic preto, dirigido por um circunspecto senhor, subiu no canteiro e fez o retorno, imagino, sem saber para onde. No segundo seguinte, dois outros veículos realizavam a manobra; e depois outro e outro e também fui nessa... Não me pergunte como, sei que de repente estava na enxuta avenida Presidente Wílson (milagre dos milagres!), daí avenida Carioca e, minutos depois, a visão da torre da igreja Nossa Senhora Aparecida... Enfim, o Ipiranga dos nossos amores.

04. Pelos caminhos alagados, pude constatar in-loco as vicissitudes que a chuvarada da madrugada de quarta fez na região e acompanhar pelo rádio outra tragédia das águas na cidade e em algumas cidades do interior do Estado. Ouvi também as esfarrapadas desculpas das autoridades, isentando-se de qualquer responsabilidade. E lembrei que, duas colunas atrás, escrevi que para os homens do Poder, em última análise, São Pedro é sempre o culpado. E a gente que se prepare. Vai ser um salve-se quem puder. Há previsões de novas pancadas de chuvas para a estação...

05. Se vale um conselho depois dessa jornada de mais de duas horas, procure e permaneça em lugar seguro sempre que se vir em tal e qual situação. A sensação de ver uma tampa de bueiro ir pelos ares e a água jorrar a poucos metros do seu carro é literalmente assustadora, e de conseqüências sempre imprevisíveis. Depois do susto, vem à mente que aqueles que têm a obrigação de resolver o problema, quase sempre, nesta exata hora, estão no aconchego do seu Gabinete Oficial e posteriormente sobrevoam a área de helicóptero em busca de publicidade e voto para as próximas eleições...

 
 
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