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Título: Tempo de reflexão e esperança
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/10/1999
 

"O Tempo não transforma o homem. A Vida não transforma o homem. Só uma coisa transforma o homem: o Amor."

01. Chegamos a outubro. Ou seja, entramos na reta final do ano santo de 1999 quando inevitavelmente se começa a pensar no que fez e, principalmente, no que se deixou de fazer nesse tempo que já se perdeu... Quem andou, quem ficou para trás. O que se perdeu pelo caminho. Conquistas, fracassos. Esperanças. Ainda que tênues, frágeis, remotas, as esperanças sempre persistem...

02. Consulto o bloco de anotações, e vejo meus rabiscos sobre Ciro Gomes, candidatíssimo a presidente da República e a bola da vez da mídia. Confiro as anotações sobre o descalabro da Febem a revelar as entranhas de uma sociedade a cada dia mais miserável, mais perversa e, paradoxalmente, desafiadora. Não me pareceu que fossem notícias realmente novas. Ou pelo menos que demonstrassem um comportamento novo e que merecessem mais do que o registro e nossa total desaprovação...

03. Prefiro falar deste outubro que chega. Apesar de todas as contrariedades -- e até das ausências consideráveis de setembro --, não quero perder a esperança de vista, menos ainda repetir o ano que passou. Sei que é praxe do brasileiro ausentar-se do bom combate sempre que se apresentam a hora e o conflito. Aliás, são freqüentes aos nossos ouvidos expressões tipo liguei o automático, agora dane-se, deixa estar para ver como é que fica, tô levando, entreguei a Deus...

04. Não tenho procuração lá dos Céus, mas posso garantir aos interessados que não é bem essa a entrega que Deus espera de nós. Talvez seja mais sensato acreditar que o sonho de cada um seja possível, inclusive o nosso. Por que não? E, de resto, não dá para apostar no amanhã se não o construirmos hoje... (Veja o belo exemplo do cabeleireiro César que trabalhou durante um dia inteiro, com renda voltada para Associação Conviver que trabalha com jovens especiais)

05. Ainda nesta semana, ouvi de uma pessoa especial o comentário sobre nossa capacidade de se acomodar ao sofrimento. E persistir nesta situação até que a dor se amolde à nossa alma. Que resistência! Parece que ficamos mais à vontade sem precisar enfrentar as verdades que nos chegam em forma de escolhas. Evitamos o conflito. Evitamos o sim. Evitamos a vida... E transformamos sonhos em ponteagudos estiletes a dilacerar nossos silêncios.

06. Não sei se falava sobre o notável exemplo de Ciro Gomes e sua cruzada rumo à Presidência ou sobre o desafio da Febem que Governo nenhum ousa enfrentar com um santo remédio chamado Educação. Não sei se estava se referindo a ela própria e ao seu quinhão de dúvidas existenciais. Talvez falasse de mim.

07. Pode ser. É bem provável. Ando saudoso do tempo em que a esperança era um dom natural, o futuro era ali adiante e todos, ao menos me parecia, acreditavam que, claro, era possível mudar. Ando saudoso de nós, é verdade. Ando saudoso dos tempos em que você, caro leitor, acreditava que o sonho era pra hoje. E, olha, mesmo lutando para não perder a esperança, ando mesmo é saudoso de mim.

 
 
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