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Título: O presidente de gravata vermelha
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 30/03/1999
 

"O caráter de um homem é seu destino" (Heráclito)

01. O presidente Fernando Henrique Cardoso falou por hora e meia aos privilegiados espectadores do programa Roda Viva (TV Cultura - Ibope de 2 pontos), levado ao ar na noite de segunda-feira diretamente de Brasília. Envergava um impecável terno escuro (entre o preto e o marinho) com camisa social branca e, a contrastar com a sobriedade do conjunto, uma reluzente e inefável gravata vermelha. Belíssimo acessório que, certamente, recebeu a aprovação dos estilistas e marqueteiros da corte. Os primeiros, talvez, não sei, saudaram a figura emblemática do estadista que FHC imagina serem perfeita sintonia com os mais atuais figurinos internacionais. Os segundos, pelo oportunismo de incluir no vistoso traje o tom vermelho que bem podem sugerir as origens políticas nunca esquecidas pelo sociólogo-presidente às vésperas do Primeiro de Maio, que promete ser marcado pelas manifestações do Fórum Nacional de Luta...

02. A entrevista versou sobre vários temas, como de hábito. O presidente e os seletos jornalistas (previamente escolhidos) estavam bem à vontade num clima de cordialidade e muitos risos. FHC mostrou que é mesmo bom de conversa, entreteu a todos com explanações absolutamente convincentes no plano teórico. No dia seguinte, indagado por repórteres sobre a escolha de Francisco Lópes para a presidência do Banco Central, saiu-se airosamente. Eu tinha quem para escolher? Quem não tem cão caça com gato. Outra vez sou obrigado a usar o superlativo. Que raciocínio belíssimo, próprio de um mandatário da mais alta estirpe e responsabilidade para com seu povo. Não entendo como nós ainda reclamamos da vida. O presidente pensa e zela por nós. Que notável realidade nos expôs. Foi a impressão que tive ao término do programa. De que nos lamentamos?

03. Do desemprego. Ora, só porque é recorde na Grande São Paulo, com taxa de 19,9 por cento da população economicamente ativa. Bobagem. São apenas 1,726 milhão de pessoas que estão sem trabalho. O que significa isso? Nada de grave, simplesmente o mais alto índice registrado pelo Seade e Dieese desde 1985, ano em que foi realizada a primeira pesquisa. Claro que devemos entender o fenômeno como conseqüência do destrambelhamento da economia mundial -- nada a ver com um governo perdulário que gastou os quatro anos do primeiro mandato pensando unicamente em se reeleger e arrochar a economia nativa, passando como um rolo compressor sobre a pequena e média empresa.

04. Há quem critique a barafunda de escândalos, CPIs, negociatas e outras cositas mais que grassam pelo Cassino Brasil. Quanta incompreensão. E o socorro aos banqueiros, da ordem de 1,7 milhão (se não me engano), para os quais o Governo sempre esteve aberto e receptivo. Ele e os seus, diga-se de passagem, sem citar a hecatombe do caso Chico Lópes. Alguns exagerados chegam a falar que, em qualquer Nação civilizada, todo o governo estaria em xeque. Mas, tranqüilize, leitor, não é nosso caso que vivemos sob o manto e a sabedoria do tucanato. E ainda acreditamos que Deus é por nós.

05. Ademais, o vermelho da gravata do homem pode ser o sinal de que nem tudo está perdido. Mais dia, menos dia, tem uma recaída e volte aos bons tempos em que, enquanto sociólogo, professava, como prioridade, a justiça social e um Brasil de todos os brasileiros. Há certas verdades que não dá para esconder por muito tempo, nem de nós mesmos. Sob pena de transformarmos a própria vida numa grande mentira.

 
 
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