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Título: Da euforia ao retrocesso...
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 30/08/1997
 

01. O presidente do Banco Central Gustavo Franco, ao tomar posse na quarta-feira, afirmou que as denominadas âncoras (fiscal, monetária e cambial) são permanentes. Deixou claro que, a despeito de qualquer oscilação para baixo no déficit comercial e mesmo que afete o desenvolvimento econômico (e social), serão mantidas as taxas de câmbio e juros. Na semana em que o governo se prepara para anunciar solenemente que agosto vai fechar com uma deflação, reluz a euforia dos planaltinos e marqueteiros de FHC. Todos sabem que a campanha para reeleger o presidente fica infinitamente mais simples se o Real continuar fornecendo números e dados que possam ser transformados em dividendos eleitorais. A semana, portanto, trouxe um certo regozijo aos homens do Governo...

02. Seria hiper interessante se essas, digamos, conquistas fossem repassadas àqueles que não tem o privilégio de pertencer ao staff tucano/pefelista. Ou seja, nós. Na verdade, não temos nada a comemorar, nem a nos entusiasmar. Veja a celeuma que os presidentes do Congresso, deputado Michael Temer e senador Antonio Carlos Magalhães, se envolveram nesta semana. Quem exorbita mais em termos de verba para o gabinete, deputado ou senador? Se houvesse um desses tais meios interativos capazes de captar a voz do povão, temo que a resposta revelaria um clamoroso empate técnico: os dois. Não importa se um (senador) tem direito a carro e o outro (deputado) não, se um pode isso e o outro aquilo. A verdade é que, 20 mil para cá, outros tantos para lá, noves fora, passa a régua, a conta quem paga somos nós.

03. Aí entra a desfaçatez do Governo que institui uma sobretaxa como a CPMF a título provisório -- e agora trabalha nos bastidores para ir além de 31 de dezembro. Alega que não há dinheiro para a Saúde Pública, o pesadelo nosso de cada dia. Sob a mesma alegação, não há verba para educação e moradia, para um programa de incentivo ao emprego e para a melhoria do aparato policial nos diversos estados brasileiros. Mas, os trens da alegria continuam a pleno vapor, seja na Câmara, seja no Senado.

04. Nossos lídimos parlamentares argumentam que precisam estar bem assessorados para melhor dar conta das múltiplas tarefas que lhes cabe. Sobra-nos a perplexidade de quem ouve mas não se convence. Desde o primeiro segundo do primeiro dia do Governo FHC, fala-se, cogita-se, discute-se as reformas constitucionais. Reformas que, se supõe, colocaria o País nos eixos para o Terceiro Milênio. Todas ainda permanecem nos escaninhos oficiais a espera de que sejam votadas. A única exceção foi a vitoriosa emenda da reeleição, de amplo interesse para o continuísmo do fernandismo.

05. Uma outra notícia que se espalhou pelos diversos noticiários fez aumentar ainda mais nossa aflição. Um deputado federal, Chico Brígido, licenciado desde 6 de maio, cobrava de seus funcionários a devolução de parte dos salários para a engorda dos próprios vencimentos. Brígido agora estava pressionando a suplente Adelaide Neri a lhe repassar parte da verba (12 mil reais) da convocação extraordinária de julho. Denunciado, foi lacônico ao receber a notificação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara: "Estou consciente do que fiz". Ele parece seguro de que não fez nada de errado. Ou que o corporativismo da Câmara vai lhe proteger...

06. Esse tal corporativismo, ávido em proteger os iguais nas mazelas, atropela a ética e a legalidade. E, seja em que segmento for, sempre que se manifestar será um verdadeiro retrocesso para os que sonham com um País melhor.

 
 
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