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Título: Um rei no Ypiranga
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 02/06/1978
 

Foram inúteis todas as tentativas do operador de som da Magic Discotheque em animar as quase 4 mil pessoas que, na noite de domingo, lotaram as dependências do Ginásio do Clube Atlético Ypiranga. Dançar era o que menos importava. Poucos se aventuravam a deixar seu lugar. Nem mesmo o pulsante balanço do grupo Santa Esmeralda demovia a platéia de se manter inflexível. Quando muito, acompanhava-se o ritmo (e olhe lá!) com despretensiosos movimentos. A expectativa de todos, na verdade, concentrava-se no outro extremo do salão. No palco, onde estavam sendo instalados os instrumentos e a aparelhagem do RC-10. Afinal, era ali que, em poucos minutos, apareceria o rei Roberto Carlos para cantar, durante uma hora, suas mais dolentes canções de amor.

21h30. Era este o horário previsto para o início do show. Mas, neste exato instante, não há qualquer movimentação no palco. E o público começa a demonstrar sua impaciência com aplausos cadenciados pelos gritos de: “Roberto”, “Roberto”, “Roberto”...

Enquanto isso, atrás do palco, nos vestiários do clube, aproximadamente 30 pessoas aguardavam a chegada do “Brasa”. Mas, não havia qualquer preocupação entre dirigentes do CAY, músicos, seguranças e demais personagens da corte de Roberto.

“Atrasos em shows dessa categoria são comuns” – justificava o vice-presidente Marcos Pelegrini.

O empresário Marcos Lázaro procurava explicar o porquê da não realização de uma temporada mais prolongada do cantor nos teatros da Capital. Dizia num português transfigurado pelo arraigado sotaque portenho:

-- Esse não é o show que apresentamos quando atuamos no Anhembi ou no Canecão. Lá, contratamos também uma grande orquestra. Hoje, é a apresentação convencional que o Roberto faz nos clubes. Fazer uma temporada mais longa em São Paulo é contraproducente. No Rio, ainda passa. Lá, tem muito turista. Aqui, não. O paulistano só vai ao teatro nos fins de semana, e principalmente quando a temporada está terminando. Fora isso, as salas ficam quase às moscas. Então, não compensa. E tem mais. O Roberto possui vários compromissos internacionais. E os clubes. Não podemos deixar de atender aos convites que chegam. Só para o repórter ter uma idéia, nossa agenda está toda tomada até maio do próximo ano.

Passavam alguns minutos das 22 horas quando Roberto chegou ao Ypiranga. Cumprimentou a todos com discreto aceno e foi, em seguida, ao encontro de Marcos Lázaro, a quem abraçou efusivamente. Durantes alguns minutos, Roberto ficou pelo vestiário, atendendo aos fãs mais privilegiados. Não faltaram autógrafos em fotos e velhas recordações. Um deles perguntou a Roberto sobre determinada apresentação que fez no interior de São Paulo em... 1964. O cantor franziu a testa, aparentou puxar pela memória, e logo concluiu:

“Ô bicho, 64... tá meio difícil. Não lembro, não”.

Nesse momento, um dos acompanhantes da comitiva de Roberto salientou que a platéia já redobrara sua dose de expectativa. Roberto fez sinal que estava tudo “ok” e mandou que os músicos subissem ao palco. Dirigiu-se ao pequeno camarim, improvisado no fundo do vestiário, onde trocou o sóbrio casaco ¾ que usava pelo elegante terno preto da apresentação.

22h30.Um corre-corre nos bastidores. Roberto está pronto e prepara-se para entrar em cena. O RC-10 dá os primeiros acordes de “O Progresso”. E tem início ao show que todos aguardavam. Inclusive as exóticas integrantes do grupo “Frenéticas” que assistiram ao show do ídolo, embevecidas e anonimamente.

* Gazeta do Ipiranga

 
 
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