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Título: Acelerado, desconcertante e solidário
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 14/02/2003
 

"Com o punho fechado, não se pode trocar sequer um aperto de mão" (Indira Ghandi)

01. Conversava com sei lá quem na porta de sei lá que empresa a sei lá que horas do dia. O que poderia estar fazendo ali? Talvez levasse o recado de alguém. Um recado, não; uma ordem. Estava com jeito de quem estava a serviço. Em São Paulo, as coisas são assim. Tem sempre alguém correndo atrás do tempo, mandando alguém fazer alguma coisa que era para ontem. É certo que um desses vai reclamar por fazer algo com tanta pressa: não saiu do jeito que eu queria. E outro ficará ranhetando: que demora, meu!

02. O ritmo da megalópole é assim: acelerado, desconcertante. Mas, não era isso o que lhe importava naquele exato momento. Estava feliz por revê-la mesmo à distância. Depois de tanto tempo... Será que está tudo bem? A resposta, bem, a resposta ficaria para outra ocasião. Se ocasião houvesse. O semáforo abriu, e ele tocou em frente sem sequer olhar para o retrovisor... Eis o trivial, bem temperado de encontros e desencontros, tragédias e conquistas dos milhões de habitantes da cidade que ainda cresce desordenadamente em todas as direções, abriga ainda a todos que a procuram e ainda é apontada como exemplo de cidade violenta, agressiva, inóspita... Mas, para muitos segue sendo ainda o melhor lugar do mundo...

03. Repeti propositalmente o advérbio ainda, que revela um tempo que é, mas já se faz tardio, porque, me parece, tem muito a ver com nosso dia-a-dia. Não sei se você, caro leitor, já reparou, mas o passar do tempo aqui, no Planalto de Piratininga, é ora arrastado, ora precipita-se com a força do imponderável diante de nós...

04. Domar o tempo, eis o desafio que SP propõe. Fazer do tempo um aliado dos nossos sonhos, das nossa lutas. Das conquistas que a cidade generosa, mais dia, menos dia, oferece a quem cedo madruga e vai à lida. É praxe dizer que o paulistano está sempre atrasado. Corre, não sabe para aonde. Trabalha, não vive. E, muitas vezes, roda, roda para chegar ao mesmo lugar, especialmente em dias de enchentes e congestionamentos. Transtornos não faltam à cidade mas, em compensação, há uma farta porção de solidariedade na gente paulistana que ainda sonha em mudar a cara do mundo...

05. E, para tanto, não tenho dúvidas, vai lançar mão desse sentimento de irmandade, palavra bonita, que induz a gestos nobres. Gestos que proliferaram como o que se realiza amanhã pela manhã nos arredores da Igreja São José. Diversas instituições da área de saúde reúnem-se amanhã, com apoio do Rotary Ipiranga, para realizar exames gratuítos de diabetes e hipertensão arterial para a população carente (veja na página de Saúde). Espera-se a presença de centenas de pessoas. Gestos como esse são comuns, e são modelares para que outras instituições sigam o mesmo rumo.

06. O paulistano que sofre com as chuvas, o desemprego, os congestionamentos, a violência das ruas, a inépcia das autoridades... Esse mesmo paulistano não perde a esperança e se orgulha de ainda estar na luta. É a determinação de quem sabe que está construindo a própria história e a história de seu tempo.

07. Nesta hora, vale lembrar outros tantos paulistanos anônimos que também precisam de um gesto de sólidariedade. Sabe-se, por exemplo, que 900 brasileiros aguardam doadores na fila dos transplantes. Esperam a chance de ainda ter um tempo que ora é restado, mas que pode se fazer célere, para voltar a viver e a sonhar...

08. Mesmo que seja um sonho efêmero como sonhou aquele nosso amigo do primeiro parágrafo. Ao chegar a Redação ainda estava eufórico. Só não conseguia se lembrar quem era aquela mulher...

 
 
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