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Título: Allonville
Autor: Leila Kiyomura - publicado em 18/08/2007
 

... E por coincidência cá estou em Allonville, uma vilazinha de Amiens onde viveu Julio Verne. Ando sob o sol em um bosque de macieiras, batatas, flores e vacas. Faço o meu próprio pão porque não existe comércio, plantei minhas alfaces em floreiras e como geléia e tomo suco de uma amoreira do fundo do quintal. Uma amoreira que como todas as árvores da região não param de dar frutos.

Viver em Allonville significa descobrir a vida nas coisas mais simples. É preciso amar e saber aprender a cuidar das flores. Cumprimentar os vizinhos com um cordial bonjour madane, bonjour monsieur...

Ter um jardim bonito, cortinas rendadas nas janelas, um bom vinho envelhecido e alguns tipos de queijos diferentes fazem parte desta descoberta.

Como em todo planeta, as estações andam confusas. Em Allonville está um frio danado, 12 graus, que apressou o florescer dos amores perfeitos que brilham no meio do gramado. Todos ficam dentro de casa, as ruas estão vazias e silenciosas. De vez em quando, ouço o som de um piano Bechstein que vem da casa de uma família alemã. É uma canção romântica, melancólica e intimista...

Penso que não é por menos que Pierre Auguste Renoir, Paul Cézanne, Jean Paul Sartre, Honoré de Balzac nasceram franceses. O viver nessas pequenas vilas desperta a reflexão, a vontade de escrever poemas, pintar, compor ou imaginar um filme...

Quem mora nessas vilas, odeia ir a Paris que é absolutamente estressante e o trem de ida e volta custa 36 euros, o preço de uma excelente champanhe para brindar a vida com sossego em um momento muito especial, que os franceses sabem muito bem criar. Os dias são longos; amanhece às 6 e anoitece às 22 horas. Com tanta luz, não dá para ser infeliz...

Outro dia, a minha vizinha comentou que ouviu no noticiário que uma em cada três crianças não vai viajar nas férias de verão? Onde já se viu uma coisa destas?

Os franceses adoram viajar, ir à praia...

Pelas estradas, os motor homes emperram o trânsito.

Aqui não tenho telefone, nem celular. Da vida moderna, preservo a net. Outro dia pensei em telefonar, porém o único orelhão da vila emperrou por falta de uso.

Como você bem disse, não se pode chegar na França sozinho. Aqui até os velhinhos passeiam de mãos dadas...

Amar é a regra... E o sonho.

 
 
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