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Título: Para onde vamos...
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 14/03/2003
 

"A riqueza nos influencia como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos" (Schopenhauer)

01. Não sei se já contei essa história neste espaço. Mas, não resisto ao impulso de registrá-la mesmo correndo o risco de plagiar a mim mesmo. Na verdade, ela (a história ou o causo) parece-me oportuna para o momento que vivemos. O risco de uma Grande Guerra, os altos e sorrateiros índices inflacionários, as criticas ao programa Fome Zero, as imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo que, nesta semana, lembrou os velhos tempos de sindicalista...

02. Não me pergunte porquê, caro leitor. Mas, vejo o brasileiro na situação daquele meu amigo, jornalista, que se viu na manhã de domingo absolutamente só em sua casa. Fora abandonado pela mulher, filhos, sogra, cachorro e papagaio após décadas de convívio e sonhos comuns. Foram anos e anos de conquistas e outros tantos de trompaço. Corria e se esfolava de trabalhar atrás daquilo que, imaginava ele, era a razão da sua existência: um bom emprego, uma super casa num condomínio fechado, o carrão do ano, os filhos em colégio pago e a mulher a gerenciar e a cuidar detalhadamente desse belo modo de vida...

03. Desempregado, só lhe restou na casa, quase vazia. Nem o fogão lhe deixaram. Do sábado, quando ocorreu a mudança, para a manhã de domingo, dormiu feito chumbo (não me perguntem o porquê da expressão, mas existe e vou usá-la). Ao acordar, sentou-se na cama, olhou desolado para os arredores e ele próprio se surpreendeu. Sentia-se tristonho, mas não era o fim-do-mundo. Na verdade, a sensação maior que vivenciava era a de alivio. Entendeu depois de se espreguiçar algumas vezes, sem que ninguém lhe cobrasse bons modos, que estava liberto para sonhar os próprios sonhos...

04. Sentiu-se no marco zero de sua existência. Ficou claro que todas as conquistas de status e poder, pelas quais brigara até aqui, não eram propriamente suas -- mas, de outras pessoas. E a que precisava mesmo para ser feliz era pouca coisa. Um emprego digno, com salário suficiente para saldar seus compromissos. E mais: um violâo, uma raquete de tênis, pois a música e o esporte sempre lhe proporcionaram um grande prazer e -- entendia agora -- sempre fizeram parte da sua existência. Penintenciou-se ali mesmo por estar afastado de ambos por tanto tempo.

05. Com calma e vivendo um dia de cada vez, realinhou a órbita dos planetas da sua vida. E tocou em frente. Sem fogão, partiu para uma dieta vegetariana. De quebra perdeu uns quilinhos e, com a prática diária de exercícios, sentiu-se remoçar. Os acordes do violão lhe proporcionaram momentos de puro relaxamento. O trabalho que conseguiu não era a melhor do mundo, mas lhe garantia uma certa tranqüilidade. Aos poucos, foi se renovando e achando um jeito seu e tranqüilo de viver. Além de retratar essa história em livro, com boa vendagem até, o amigo se diz um cara feliz e, principalmente, satisfeito com o caminho que escolheu seguir.

06. Bem, como nas antigas fábulas, vamos à moral da história. Temos uma bela oportunidade de darmos um rumo para o País. Mudamos o governo, recuperamos a esperança e, tal como o nosso amigo, tivemos nesses três meses tempo suficiente para olharmos os nossos vazios, sonhar os nossos sonhos e traçarmos um caminho verdadeiramente nosso. Porém, e sempre há um porém, às vezes tenho a impressão que estamos a repetir a velha rota de equívocos. Tomara seja apenas uma impressão...

 
 
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